Gestão de negócios ao longo do tempo: o que evoluiu até o nascimento da Gestão Flywheel

João Gobira

Por João Gobira

10 de março de 2020 às 09:30 - Atualizado há 3 meses

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A forma de fazer gestão mudou e muda constantemente. O objetivo não é apenas dizer uma frase de efeito (embora seja, de fato), mas sim mostrar como isso é verdade e impacta diretamente no mundo em que vivemos, o que fica claro com a gestão Flywheel.

O poder na Gestão para crescimento exponencial do negócio

Quando uma empresa é bem gerenciada, o sucesso se torna uma questão de tempo. Em contrapartida, uma gestão de má qualidade funciona como uma âncora, que chega cada vez mais mais próxima do fundo do mar.

Porém, algo em que nem sempre pensamos é a forma de gerenciar ao longo da história. Afinal, com tantas transformações da tecnologia e da própria sociedade, é evidente que a maneira de gerenciar também mudou.

Pense em como uma empresa funcionava em 1950 e em como as empresas de hoje se comportam. Inseridas em contextos históricos e sociais completamente diferentes, a gestão também precisou acompanhar tais mudanças.

No que tange às últimas tendências, Flywheel é um nome inovador, o conceito é curioso e a aplicação pode te surpreender, mas é inegável que os resultados são perfeitamente atingíveis para quem é perseverante e observa de perto as transformações da sociedade.

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Parte desse espanto pode surgir pelo fato de que o conceito vai contra o que muitas empresas acreditam e aplicam nos dias de hoje, mas mudanças intensas naturalmente geram surpresa em um primeiro momento, o que é absorvido depois de um tempo – especialmente quando se comprovam os bons resultados.

Ao invés de aguardar por grandes sucessos repentinos, a gestão Flywheel preza pela consistência e determinação, que posteriormente trarão resultados tão poderosos que praticamente não podem mais ser parados.

Vamos primeiro entender alguns modelos antigos de gestão para, então, chegar ao ponto principal deste conteúdo, que provavelmente mudará o seu pensamento de como as coisas devem acontecer para que uma empresa atinja níveis estratosféricos de sucesso.

A gestão de negócios ao longo do tempo

A gestão de negócios ao longo do tempo

O assunto, de grande relevância, já foi abordado inúmeras vezes ao longo dos anos, com trabalhos notáveis e que ficaram marcados como sinônimos de sucessos sazonais, dado a evolução ocorre de maneira muito rápida.

Modelos de gestão empresarial que surgiam se baseavam em conceitos e metodologias já existentes e os melhoravam, com técnicas e práticas inovadoras e que contribuíram diretamente com o sucesso. Tais modelos foram marcos históricos e influenciaram no que veio em seguida.

Alguns dos modelos que se destacaram foram os seguintes:

Gestão científica (1880)

Gestão científica (1880)

Frederick Taylor, um engenheiro mecânico estadunidense, é considerado como um dos pais da gestão estratégica e científica, já que adotou uma técnica revolucionária à época: cronometrar o tempo que os trabalhadores demoravam em suas atividades.

Isso foi feito na siderúrgica Midvale Steel Company e tinha como objetivo mensurar a produção dos profissionais, o que ajudava a ter uma noção muito melhor acerca de sua produtividade.

Taylor, que era operador de torno, se tornou chefe, depois engenheiro e, por fim, engenheiro-chefe, reflexo de sua inteligência e competência. Além disso, ele foi o autor de uma famosa frase: “No passado, o homem vinha primeiro. No futuro, o sistema virá primeiro.”

Ainda assim, um ponto negativo foi o “excesso de poder” conferido aos gerentes, ao passo que a voz dos trabalhadores perdeu força.

Experiência de Hawthorne (1927-1932)

Experiência de Hawthorne (1927-1932)

A gestão científica foi contestada pela primeira vez pelo psicólogo, professor e pesquisador Elton Mayo, que questionou as suposições comportamentais que havia naquele modelo.

Isso levou à famosa Experiência de Hawthorne, que se iniciou em 1927 e durou até 1932. Resumidamente, seu objetivo era de entender qual era a relação entre a intensidade da iluminação do ambiente e a eficiência produtiva dos trabalhadores da Hawthorne Works.

Durante sua realização, outros efeitos também foram pesquisados, como a influência do cansaço, das condições de trabalho e as consequências da rotatividade dos funcionários.

Em suma, a conclusão comprovada foi de que o fator psicológico tem um impacto maior do que o fisiológico na qualidade dos serviços desempenhados pelos trabalhadores.

Um dos principais desdobramentos deste estudo para a gestão empresarial é que os profissionais se tornam mais produtivos quando percebem que os diretores e gestores da companhia prestam atenção neles, ou seja, o relacionamento interpessoal é fundamental para o sucesso.

Desenvolvimento organizacional (1946)

Desenvolvimento organizacional (1946)

Kurt Lewin, um psicólogo alemão, lançou o Centro de Pesquisas para Dinâmicas em Grupo (Research Center for Group Dynamics) no Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT, o que foi revolucionário.

A participação de Lewin em diversas áreas, como teoria das mudanças, pesquisa-ação e aprendizado-ação, renderam-no o significativo título de pai do desenvolvimento organizacional.

A área consiste na aplicação sistemática de conhecimentos de ciência comportamental para que se torne possível fazer mudanças planejadas e bem-definidas na companhia.

Outra área em que Lewin se tornou muito famoso é o estudo das dinâmicas em grupo. Seus estudos descobriram que o aprendizado é facilitado quando existe um conflito entre experiências concretas imediatas e análises separadas dentro de cada indivíduo.

Teoria dos sistemas sociotécnicos (1949)

Um grupo de pesquisadores do Tavistock Institute of Human Relations, liderado pelo cientista britânico Eric Trist, estudou uma mina de carvão em 1949, pesquisa esta que foi o berço do desenvolvimento da teoria dos sistemas sociotécnicos.

Ela considera tanto o aspecto social quanto o técnico na designação de trabalhos, o que marca uma mudança drástica em relação ao modelo de gestão científica de Frederick Taylor.

A teoria sociotécnica tem quatro componentes básicos, que são os subsistemas ambientais, sociais e técnicos, além do desenho organizacional, ou seja, lida com a questão de uma maneira bem mais humanizada do que Taylor.

Liderança e gestão (1954)

Liderança e gestão (1954)

Temos aqui a presença de um dos maiores nomes da gestão de negócios: o gestor, educador e autor austríaco Peter Drucker, que escreveu o livro “The Practice of Management” (a prática da gestão).

A obra introduziu as cinco atribuições básicas dos gestores, que são:

  • Definir objetivos e planejamentos;
  • Organizar o grupo;
  • Motivar e comunicar;
  • Mensurar o desempenho;
  • Desenvolver as pessoas (inclusive a si mesmo).

Até hoje, tais conceitos devem fazer parte da gestão de qualquer empresa, o que mostra como a obra foi realmente relevante, mesmo tendo sido publicada há mais de 64 anos.

Uma das principais citações do livro diz que “A primeira questão na discussão da estrutura de uma organização deve ser: o que nosso negócio é e o que ele deve ser? A estrutura organizacional deve ser desenvolvida de modo a tornar possível a realização de objetivos para daqui a cinco, dez, quinze anos.”

Tecnologia de desempenho (1978)

Tecnologia de desempenho (1978)

O psicólogo e engenheiro Thomas Gilbert publicou o livro “Human Competence: Engineering Worthy Performance”, (Competência humana: desempenho digno de engenharia) o qual descreve o modelo comportamental-engenheiro que se tornou a base da tecnologia de desempenho.

Gilbert escreveu que a especificação de realização é o único caminho lógico para definir requisitos de desempenho, além de que as realizações são os melhores pontos de partida para desenvolver padrões de desempenho.

Organização de aprendizado (1990)

Organização de aprendizado

Peter Senge, engenheiro e autor estadunidense, escreveu o famoso livro “The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization” (A quinta disciplina: a arte e a prática da organização de aprendizado), onde descreve as empresas como organismos que podem melhorar suas capacidades e moldar os próprios futuros.

Uma organização de aprendizado é qualquer empresa que entende e se coloca como um sistema orgânico e complexo que possui uma visão e um propósito. Ela se baseia em sistemas de feedback para atingir seus objetivos, além de valorizar as equipes e lideranças até que atinjam o topo.

Senge definiu cinco disciplinas para se tornar uma organização de aprendizado, que são as seguintes:

  • Sistema de pensamento;
  • Mestria pessoal;
  • Modelos mentais;
  • Visão compartilhada;
  • Aprendizado de equipe.

Gestão de processos de negócios (2000)

Originalmente conhecido como Business Process Management ou BPM, é um avanço, ainda que pequeno, na gestão de processos, a qual tem suas raízes em técnicas como o gerenciamento de registros, o fluxo de trabalho e a reengenharia de processos de negócios.

Blitzscaling (2018)

técnica de blitzscaling

A técnica de blitzscaling é relativamente recente. Seu conceito foi descrito no livro “Blitzscaling: The Lightning-Fast Path to Building Massively Valuable Companies”, de Reid Hoffman (cofundador do LinkedIn) e Chris Yeh.

Basicamente, essa é uma metodologia que trata do crescimento acelerado de empresas, até o ponto em que elas se transformam em líderes em seus segmentos, com potenciais resultados realmente atrativos, mas que também envolvem uma boa dose de riscos.

A parte negativa é que o crescimento muito acelerado provavelmente fará com que a companhia se depare com uma série de crises e problemas com os quais nem sempre poderá lidar adequadamente, ou seja, eles precisam ser colocados de canto até outro momento, quando será viável resolvê-los

Enquanto a tática é benéfica para alguns negócios, pode ser absolutamente destrutiva para outros, ou seja, envolve riscos que nem todos desejam correr.

O que é Gestão Flywheel?

Gestão Flywheel

Depois de divagar sobre modelos de gestão estratégica, científica e empresarial que fizeram sucesso no passado, temos um bom embasamento para avançar para a técnica Flywheel, que tem tudo para ser adotada em massa por negócios que almejam alcançar o sucesso.

Flywheel é um termo em inglês que corresponde ao volante do motor, componente responsável pela transferência do torque que é obtido no veio de manivelas para a caixa de velocidades, além de absorver as vibrações do motor e manter a estabilidade da marcha lenta sempre que possível.

Pode ter ficado um pouco difícil, mas agora que você já entendeu o significado do termo, podemos partir para a aplicação prática de como isso é utilizado em uma empresa.

O conceito veio do livro “Good to Great: Why Some Companies Make the Leap… And Others Don’t” (De bom a excelente), de Jim Collins, autor, consultor e palestrante estadunidense especializado em gestão de negócios, sustentabilidade e crescimento empresarial.

Vamos usar algumas passagens do livro para ilustrar o que o autor quis dizer e, então, entender exatamente em que consiste a gestão Flywheel.

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Imagine um enorme e pesado volante do motor, disco gigante de metal montado sobre um eixo, com aproximadamente 9 metros de diâmetro, 60 cm de espessura e 2.267 kg, ou seja, bem grande mesmo.

O objetivo, então, é o de fazer o volante girar o mais rápido e pelo máximo de tempo possível, mas mesmo depois de aplicar bastante força, ele se mexe poucos centímetros, quase de forma imperceptível.

Você continua fazendo força e, depois de duas ou três horas de esforço persistente, o volante dá sua primeira volta. Ao continuar empurrando, ele se mexe um pouco mais rápido. O esforço é mantido, e o volante dá a segunda volta.

Ao manter o ritmo, ele dá três, quatro, cinco, seis voltas. O volante ganha velocidade. Sete, oito. Você continua empurrando. Nove, dez. Ele ganha impulso. Onze, doze. A cada volta, a velocidade aumenta. Vinte, trinta, cinquenta, cem voltas.

Em um certo ponto, você nota um grande avanço. O impulso passa a trabalhar a seu favor, levando o volante adiante, a cada volta que passa. O próprio peso do Flywheel trabalha para você. O esforço é o mesmo da primeira volta, mas a velocidade não para de crescer.

Cada nova volta é possível graças ao trabalho que foi investido antes, o que compensa todo o esforço. Mil vezes mais rápido, depois dez mil, depois cem mil. Agora, é quase impossível parar o volante de girar.

Então, imagine que alguém chegue até você e pergunte qual foi  grande empurrão que causou o volante a girar tão rápido. A questão não faz sentido algum, já que não houve um único momento, mas sim uma confluência de todos eles, que foram feitos na mesma direção para chegar ao resultado que se vê agora.

É fato que alguns empurrões podem ter sido um pouco mais fortes ou fracos do que outros, mas isso não faz grande diferença, pois cada um representa uma pequena fração de todo o esforço acumulado.

Aí, nós chegamos a uma conclusão interessante: olhamos para o que aconteceu no exterior e achamos que o mesmo se aplica ao interior. Olhando de fora, os avanços parecem enormes, quase que miraculosos, mas um olhar interior traz uma verdade totalmente diferente.

Collins também traz o exemplo de um ovo. Ninguém se importa tanto quando ele está fechado, mas no momento que a casca se racha e o pintinho sai dali, parece que aquele foi um esforço muito maior que todos os outros, uma metamorfose do dia para a noite, que radicalmente o fez se tornar um animal ao invés de um ovo.

Agora, vamos assumir o lugar do pintinho. A história é totalmente diferente! A cada dia ele crescia um pouco, se desenvolvia, ganhava força. Rachar a casca foi simplesmente mais um degrau rumo ao seu objetivo. Um degrau importante, claro, mas não necessariamente maior que os demais.

Nós iniciamos o texto falando sobre modelos de gestão de negócios e, agora, nos colocamos no ponto de vista de um pintinho dentro do ovo. O caminho foi deveras diferente, é verdade, mas a ilustração é bastante válida.

É nisso que consiste a gestão Flywheel: movimentos consistentes, não necessariamente maiores ou menores que os anteriores, que confluem na mesma direção e, a cada momento que passa, ganham força, até que se tornam ecossistemas vivos, orgânicos e que praticamente não podem ser interrompidos.

Gestão Flywheel: consistência, persistência e o auxílio da tecnologia em uma gestão inovadora

Gestão de time

Falar sobre gestão inovadora não é nenhuma grande novidade, já que como vimos anteriormente, muitos modelos surgiram e, com o passar do tempo, foram substituídos por outros novos e mais alinhados com a sociedade e o meio corporativo em suas respectivas épocas.

Ainda assim, o Flywheel é um modelo diferente do que se vê hoje, em que várias companhias investem seus esforços em grandes lançamentos, os quais não trazem os resultados esperados. Então, fazem outro lançamento, aguardam pelo melhor, não se deparam com a situação ideal e entram em um ciclo vicioso.

É como se, a cada novo lançamento, eles abandonassem o volante que estão girando e partissem para outro, ou seja, ele nunca alcançará a velocidade e potência que se espera, já que não há consistência nas atividades realizadas.

A jornada do empreendedor é complicada, de fato, pois a cada dia que passa surgem novos desafios. Porém, com uma empresa forte, a solução estará ao alcance, até que chegue o próximo desafio.

Tudo funciona como um motor do crescimento, em que os esforços podem parecer mais pesados no início de sua jornada, mas o movimento da empresa rumo ao seu objetivo traz o combustível de que ela precisa para prosseguir em sua jornada.

O desenvolvimento da tecnologia, que é absurdamente rápido, pode nos enganar e fazer pensar que, por si só, trarão resultados esplendorosos do dia para a noite, mas a grande verdade é que elas devem ser utilizadas em prol da consistência.

Nossa sociedade não é a mesma da época dos trabalhos de Taylor, Mayo, Lewin, Trist, Ducker, Gilbert e Senge. É a mesma de Hoffman, de fato, mas nada impede que haja diferentes modelos de gestão de negócios em voga durante o mesmo período histórico.

Isso, porém, não invalida o trabalho dessas e de todas as outras mentes pensantes que contribuíram para a gestão empresarial como um todo, já que seus passos ajudaram a descobrir o caminho que, hoje, é trilhado por diferentes pés.

A gestão Flywheel é um modelo inovador de gestão, que pode até confundir algumas mentes, ansiosas por impulsos estratosféricos, mas esporádicos, e que relegam a importância dos pequenos, porém contínuos esforços, mas é fato que sua aplicação pode trazer resultados fantásticos.

Portanto, se você quer chegar a grandes lugares, comece por pequenos passos em sua gestão, mas que não se abalam com os desafios. Afinal, como diz um sábio provérbio chinês, uma jornada e mil milhas começa com um único passo.