A fusão pode ser a melhor opção para sua startup, saiba por que e como fazer

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Por Isabela Borrelli

10 de agosto de 2018 às 12:46 - Atualizado há 2 anos

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Uma fusão de empresas pode ser um assunto polêmico, afinal, muitas são as questões envolvidas. Desde o crescimento repentino (muitas vezes duplicado) da equipe, até a diferença de cultura e liderança do negócio. Por causa disso, não é difícil que a fusão entre startups não seja tão comum ou pelo menos não vista como uma opção tão interessante. No entanto, Marcelo Pugliesi, CEO e fundador da Hi Plataform, acha o contrário.

Em palestra no Gramado Summit, Pugliese deixou claro que fundir a sua startup, Direct Talk, que prestava serviços de atendimento, com a concorrente Seekr foi a melhor coisa que ele já fez. “Minha crença é que juntos somos mais fortes e ao fazermos a fusão, ambas as empresas usaram a fusão para crescer”, afirma.

Mas, antes de tomar a decisão, o empreendedor procurou fazer tudo da melhor forma possível, ou seja, pediu conselhos, contou com ajuda de fora e deixou tudo acordado com os novos sócios. Segundo ele, no período de pré-fusão é imprescindível checar como é a equipe da outra empresa, o mercado de ambas, os produtos e mais para entender se é uma estratégia que faz sentido. Além disso, deve haver um bom relacionamento entre os futuros sócios, assim como visões convergentes para o negócio.

Uma vez tomada a decisão, é preciso acertar as funções de cada sócio (quem será o CEO, por exemplo),a porcentagem de cada um, como será feita a negociação, a distribuição das equipes e por aí vai.

Porcentagem e escolha do CEO

Em relação à porcentagem da empresa, Pugliese admite que é uma das partes mais dolorosas. “Como entram mais sócios, a sua parte dilui. A minha, por exemplo, diluiu em 50%. Na hora da negociação é dolorido, mas hoje, dois anos depois, o meu valuation é 3 vezes maior”, revela.

Já na hora de decidir quem seria CEO, o empresário admitiu que foi preciso uma ajuda externa: “Depois de um dia discutindo isso sem sucesso, chamamos um consultor externo. Ele pediu para nós mapearmos o que queríamos para o futuro da empresa e as habilidades de cada um. Aó foi fácil: decidimos em uma manhã”.

Divisão da equipe e cultura

Em relação à equipe, o assunto geralmente é delicado. Ao se consultar com outras empresas, a maioria o aconselhou a cortar pela metade: ficar com os melhores funcionários de ambas empresas e demitir os seus equivalentes do mesmo posto. Mas eles não fizeram isso: “Nossa fusão foi de crescimento, não demitimos ninguém por causa dela”.

Sobre a cultura da empresa, Pugliese admite que é a parte mais difícil e trabalhosa. O cuidado está principalmente em evitar que uma cultura sobreponha a outra. Para isso, ele contou que são precisos diversas ações internas para promover a integração da equipe.

Produtos e posicionamento

Na questão dos produtos, o CEO afirma que eles tiveram sorte: ambas as startups tinham produtos complementares, não sendo necessário nenhuma mudança grandiosa, pelo contrário: “Ficou espetacular, foi possível ter uma oferta muito mais de produtos e nossos clientes saíram ganhando!”.

Uma vez que internamente tudo foi resolvido, ainda é preciso informar para o público a mudança e, para Pugliesi, isso deve ser feito de forma estratégica e muito bem planejada.

Por fim, o empreendedor incentivou seus colegas de profissão a não descartarem a fusão como uma opção vantajosa para os negócios. “As pessoas têm mania de olhar para os concorrentes com maus olhos, sendo que não precisa ser assim”.