Morreu um dos maiores empreendedores do mundo: Ingvar Kamprad, fundador da IKEA

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

29 de janeiro de 2018 às 09:34 - Atualizado há 3 anos

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Ingvar Kamprad faleceu neste domingo, dia 28 de janeiro de 2018, aos 91 anos. Kamprad é lembrado pelo sucesso da IKEA – gigante de móveis que hoje vale US$ 62 bilhões -, que o tornou o segundo homem mais rico da Europa na data de sua morte (com uma fortuna estimada em mais de US$ 45 bilhões pela Bloomberg). Mas sua trajetória empreendedora começou antes mesmo de atingir os dois dígitos de idade.

Aos cinco anos, ele vendia fósforos aos vizinhos – o empreendedor entendeu que, ao comprar o produto em grande quantidade, podia abaixar o preço de compra e vender um pouco mais caro. Algum tempo depois, com 17 anos, Kamprad fundou a loja que o tornou bilionário: a loja de móveis IKEA, presente em mais de 400 lugares atualmente (mas não no Brasil). A empresa tornou-se um sucesso de US$ 62 bilhões e mudou a forma como compramos móveis.

Isso porque Kamprad entendeu que os móveis, para diminuir os custos de frete e transporte, poderiam ter embalagens menores. Mas a mudança de embalagem veio com uma consequência: agora os clientes teriam que montá-los. A escolha do empreendedor foi surpreendente pois não facilita a vida do cliente e, mesmo assim, foi largamente adotada, por ser muito mais barato.

“The Ikea Effect” foi o nome dado por pesquisadores para o feito de Kamprad. O empreendedor entendeu que, apesar de ser mais trabalhoso, os clientes gostavam do trabalho de montar os próprios móveis – principalmente se isso diminuísse o preço deles.

Consumidores passaram a frequentar lojas da IKEA e davam seu toque final em cada móvel, pois chegar em casa e montá-los passou a ser uma parte do processo. A montagem dos móveis pelos clientes foi tão importante para a empresa que ela deixou de construir uma instalação de delivery para os clientes.

A IKEA continuou a ser disruptiva ao fazer a escolha corajosa de afastar-se dos clientes, se aproximando de portos e postos de importação. A empresa criou armazéns perto dessas importantes localizações, mais uma vez diminuindo o custo e aumentando a escala.

Kamprad sabia que trazendo a medida certa de preço e produto, os clientes não se importariam de dirigir para locais mais afastados. De qualquer forma, os clientes teriam que ir até a IKEA de carro pois teriam que levar os próprios móveis – que vêm, é claro, desmontados em uma caixa.

A medida deu certo porque o time da empresa entendeu que comprar móveis não é como ir em um supermercado – por ser uma compra de um bem durável, as pessoas vão às lojas com pouca frequência durante o ano, mas costumam passar um bom tempo. Por isso, as lojas da IKEA possuem até restaurantes. Quanto mais tempo os clientes ficavam nas lojas, mais gastavam.

A diminuição dos preços dos móveis pode ter sido o motivo de uma nova mentalidade: móveis são duráveis, mas não o suficiente para serem passados de geração em geração. Agora, os consumidores que possuem uma IKEA próxima entendem que vale mais a pena vender seus móveis e comprar outros ao mudar de cidade do que levá-los consigo, pelo custo do transporte. Além disso, montar os próprios móveis ainda é uma experiência atrativa para muitos, mesmo que a tendência do comércio e tecnologia atual serem a de facilitar processos.

Com as mudanças de mentalidade disruptivas que foi capaz de trazer através da IKEA, Ingvar Kamprad transformou uma pequena empresa, praticamente uma startup, em uma grande corporação. Se você deseja seguir um caminho semelhante ao de Kamprad e tornar-se um empreendedor, confira o nosso e-book “Passo a Passo para Construir uma Startup”.

(Via Techcrunch)

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