Ex-detento cria startup, capta R$ 10 milhões e entra para a melhor aceleradora do mundo

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Por Júnior Borneli

17 de abril de 2015 às 08:30 - Atualizado há 6 anos

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Frederick Hutson, 28 anos, foi libertado da prisão em outubro de 2011. Ele esteve preso durante 51 meses por ter distribuído maconha através de caminhões da FedEx da Flórida para o México.

Um empreendedor nato, Hutson usou sua triste experiência para desenvolver uma excelente ideia de negócio: os presos, para receberem fotos de seus familiares, só podem ter acesso através de material impresso, já que não há conexão com a internet nas prisões. Então, pensou ele, por que não criar uma plataforma online que permita que os amigos e parentes possam fazer upload de fotos, que são então enviados diretamente para o preso por um valor pré-definido? Isso tornaria muito mais fácil a tarefa dos familiares de enviar fotos e, como ele bem sabe, por experiência pessoal, melhorar significativamente a vida dos detentos. Essa incrível história foi contada pelo site Entrepeneur

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Após a sua libertação, ele precisava de ajuda para desenvolver um protótipo e convencer os investidores a colocar dinheiro no negócio, o que não é uma tarefa fácil para qualquer empreendedor. Principalmente com o fato da ideia do negócio ter sido desenvolvida dentro da prisão.

Mas Hutson foi capaz de realizar o que parecia improvável. Hoje, sua startup – Pigeonly – está sediada em Las Vegas e, além de enviar fotos, trabalha também para fazer chamadas telefônicas mais acessíveis financeiramente para os 2,3 milhões de detentos que atualmente estão cumprindo pena. Mais de 1 milhão de fotos já foram enviadas através da startup e ele arrecadou US$ 3,2 milhões em investimento. Além disso, a empresa está crescendo 30% ao mês, em vendas. Em janeiro deste ano, a startup entrou para a prestigiada aceleradora Y Combinator e, no mês passado, arrecadou mais investimentos no seu Demo Day.

O começo de tudo isso aconteceu em outra aceleradora, menos conhecida. Era 2012 Hutson, juntamente com o seu co-fundador, Alfonzo Brooks, tinha feito parceria com uma empresa de impressão de fotos e lançado uma versão inicial do Pigeonly com dinheiro arrecadado de amigos e familiares, mas precisava de um financiamento adicional e um sistema de apoio. “Quando eu soube o que uma aceleradora era, eu fui para cima de todas elas”, diz Hutson. Foi aceito em apenas uma: NewME, uma aceleradora de tecnologia do Vale do Silício.

Hutson sabia que para conseguir dinheiro de investidores teria que provar que seu negócio fazia sentido e que ele conseguiria escalar rapidamente a empresa. Então ele enviou de 500 cartões postais publicitários aos presos anunciando o serviço, direcionando-os para dizer aos seus amigos e familiares para visitar seu site. No primeiro mês ele conseguiu 135 clientes pagantes, o que confirmou o que ele já sabia: a necessidade era real, e o plano de negócios era viável.

Essa, contudo, não era a maior barreira que Hutson teria que superar. Ele tinha que tirar da cabeça dos investidores o preconceito de se associarem a alguém que já esteve na prisão e a uma empresa que tem como clientes os detentos. O plano para vencer essa etapa era mostrar, através de dados estatísticos, que melhorar o contato dos presos com familiares diminuía os índices de reincidência e que a prova principal disso era ele próprio.

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Hutson conta que falou com 60 investidores e recebeu 54 “nãos”. Contudo, 6 investidores acreditaram no projeto e fizeram um investimento semente na empresa. Ele conta ainda que teve que superar muitas outras dificuldades relacionadas ao modelo de negócio, um pouco fora do foco principal do Vale do Silício.

Porém, depois de muita luta, ele superou os obstáculos e está vencendo. O segredo, segundo ele, é estar muito bem preparado para responder a todas as perguntas sobre o negócio e o mercado potencial. “Não vá há uma reunião com investidores apenas com uma ideia escrita na parte de trás de um guardanapo”, diz Hutson. “A última coisa que você quer é que um investidor faça uma pergunta decisiva cuja resposta você não tem”, completa.

Agora, depois de toda essa trajetória, Hutson está totalmente imerso na comunidade empresarial do Vale do Silício. No mês passado, ele participou do Demo Day da Y Combinator, onde apresentou sua startup para um público de centenas de investidores, incluindo empresas de venture capital da elite do Vale do Silício, bem como celebridades como Ashton Kutcher e membros da banda Blink 182.

A startup Pigeonly está mais madura do que as outras que estão sendo aceleradas pela Y Combinator, mas Hutson diz que se juntou a aceleradora para ter a chance de dizer para um grande público de investidores que ele tem “uma empresa com soluções reais para problemas legítimos”.

Não haveria outra razão mais pessoal. “Eu queria chamar a atenção sobre o fato de que todas as empresas não têm que ter a mesma receita de bolo. Há pessoas lá fora que podem ser atraídas pela minha história e podem identificar oportunidades legítimas para criar startups que resolvam problemas. Eu queria usar a plataforma da Y Combinator para passar essa mensagem e então pensei: é para lá que eu vou”.