Estudante cria dispositivos para cadeirantes e expõe projeto em Las Vegas

Avatar

Por Diego Lazzaris Borges

19 de dezembro de 2014 às 09:12 - Atualizado há 6 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

LAS VEGAS * – Subir alguns degraus de escada para entrar em um prédio ou transpor uma simples calçada são tarefas comuns para a maioria das pessoas. Mas o que muita gente faz sem a menor dificuldade pode ser um desafio para quem possui necessidades especiais. Pensando nisso, o estudante de engenharia mecânica Flávio dos Santos Ferreira Junior, de 23 anos, criou dispositivos que ajudam os cadeirantes a realizarem atividades corriqueiras e  foi reconhecido com prêmios em concursos promovidos pela empresa de software Autodesk. Ferreira utiliza o programa Inventor, disponibilizado gratuitamente pela Autodesk para estudantes de todo o mundo.

“Tudo começa com o software. Com ele eu consigo ‘soltar’ minhas ideias e modelar todo o projeto. Posso fazer simulações, identificar problemas e saber se vai funcionar ou não. Sem isso minhas ideias jamais sairiam do papel”, disse ao InfoMoney durante o evento Autodesk University 2014, realizado em Las Vegas.

Uma das suas invenções é um sistema que auxilia os cadeirantes a subirem rampas de acesso muito inclinadas. O dispositivo é formado por uma espécie de trilho fixado na parede, que leva um módulo com um braço articulado. Impulsionado por um motor elétrico e preso à cadeira de rodas por um cinto, o módulo corre pelo trilho rumo ao topo da rampa, sem que o cadeirante precise fazer força ou pedir ajuda (ver sequência de imagens ilustrativas abaixo).

“Eu identifiquei este problema na minha universidade. O prédio tem rampas de acesso, mas o ângulo é muito inclinado. O cadeirante não consegue subir sem auxílio, porque precisa fazer muita força e ainda corre o risco de tombar. Então pensei: ‘tenho conhecimento de software e engenharia. Vou desenvolver uma solução para este problema”, afirma Ferreira.

Por conta do projeto inovador, ele foi reconhecido pela Autodesk e convidado a expor o projeto no AU Vegas 2014. O evento reuniu cerca de 10 mil pessoas de todos os cantos do mundo durante quatro dias, no início de dezembro. “Foi feita uma impressão 3D do sistema. Assim consigo mostrar para outras pessoas para vender a ideia”, diz o jovem.

Veja nas ilustrações como funciona o sistema criado por Ferreira:

Rampa-Autodesk-2

 

Rampa - Autodesk-3

 

Rampa - Autodesk -5

Segunda vez na cidade
O estudante já é veterano do Autodesk University. No ano passado ele também foi convidado a participar do congresso como reconhecimento por outro projeto de acessibilidade que desenvolveu em parceria com o colega de classe Giovanni Ferreira e o orientador Carlos Menezes, na Universidade Braz Cubas, onde estuda. O sistema ajuda cadeirantes a subirem em calçadas que não têm guias rebaixadas e venceu em 2013 o concurso “Desenhe o Futuro”, patrocinado pela Autodesk.

“Este é um dispositivo que você acopla à cadeira de rodas e o cadeirante consegue subir a calçada. Muitas vezes não existe rampa, ou ela está bloqueada por um veículo ou uma lixeira, por exemplo. Então o dispositivo articula, forma uma rampa e a pessoa consegue subir”, explica (ver ilustração abaixo).

Autodesk - calçada

O jovem afirma que deu entrada no pedido de patente no ano passado. “Quando soube que viria para o congresso da Autodesk em Las Vegas eu mesmo inscrevi [a patente], porque se fosse pagar seria muito caro. Agora estou esperando, acompanhando semanalmente para ver se sai alguma publicação da patente”, conta.

A inspiração para projetos que envolvem acessibilidade, segundo ele, veio da vontade de ajudar as pessoas e retribuir a sociedade. Antes de cursar engenharia na Braz Cubas, Ferreira já tinha estudado na Fatec, uma faculdade pública. “Foi ali que comecei a me interessar por projetos na área. Fui convidado por um orientador tinha essa linha de pesquisa e gostei. Pensei que poderia retribuir de alguma forma por estudar em uma universidade pública. Além disso, percebi que existe um mercado grande a ser explorado no Brasil”, afirma.

Outro projeto do estudante foi vencedor do programa “Desenhe o Futuro” de 2014. Desta vez ele e a equipe desenvolveram uma barraca de fácil montagem que utiliza o sistema telescópico na armação. O abrigo pode ser usado em casos de catástrofes como terremotos, em que muitas pessoas precisam sair de suas casas por segurança. Como prêmio, Ferreira vai a Xangai, na China, expor a invenção.

Software gratuito
A Autodesk desenvolve softwares voltados principalmente para arquitetura, construção e entretenimento. Seu software de design é disponibilizado sem custos para estudantes, instrutores e instituições acadêmicas em todo o mundo. O CEO da empresa, Carl Bass, comentou a iniciativa.

“A forma como fazemos as coisas está mudando rapidamente e nós precisamos de uma força de trabalho pronta para projetar novas técnicas de manufatura e de construção. Ao fornecer ferramentas profissionais de design gratuitas para estudantes, docentes e instituições acadêmicas em todo o mundo, estamos ajudando a indústria a se preparar para uma próxima fase que está para vir”, disse Bass, no evento em Las Vegas.

De acordo com a Autodesk, esse novo modelo de negócio permite que mais de 680 milhões de estudantes e educadores de mais de 800.000 escolas secundárias e pós-secundárias em 188 países tenham acesso gratuito ao software profissional da Autodesk, além de serviços para uso em salas de aula, laboratórios e em casa.

* O Jornalista viajou a Las Vegas a convite da Autodesk.