Empreender dá medo… e até gente como Larry Page e Elon Musk sentem isso

Adam Grant, em seu livro Originals, conversa com nomes como Larry Page e Elon Musk para reviver os primeiros dias de seus negócios e entender quais foram as atitudes que os levaram a insistir em empreender

Avatar

Por Lucas Bicudo

23 de fevereiro de 2016 às 14:35 - Atualizado há 4 anos

Elon Musk

Se você colocar tudo no papel, de fato: se tornar um empreendedor pode ser uma tarefa quase que insana. As chances de sucesso costumam ser pequenas e as barreiras nesse caminho parecem ser intermináveis. Mas é isso também que difere a sensação de suceder diante das demais. É uma conquista sentida, após alguns saltos de fé e muita insistência.

O autor e professor Adam Grant, em um post do LinkedIn, tinha essa ideia na cabeça e decidiu trocar uma figurinha com algumas das pessoas mais influentes do empreendedorismo moderno. Sentou com nomes como Larry Page, Elon Musk, Jack Dorsey e Mark Cuban e decidiu por começar perguntando acerca dos primeiros passos de cada um.

A resposta é surpreendente, já que hoje olhamos para esses multibilionários com um endeusamento natural. Talvez essa distância acabe criando alguns mitos, uma vez que nos passa a impressão dessas pessoas serem sobrenaturais, por terem atravessado todas essas barreiras que grande parte da população mundial não está disposta a atravessar.

Pois bem, volte para o mundo real e entenda que todos, absolutamente TODOS eles tinham um medo quase que patológico de falharem, como o resto de nós. O que os diferenciaram foi a maneira em que eles responderam a esses impulsos.

Quando nos deparamos com os primeiros percalços no meio do caminho de empreender, é natural que nos distanciemos de nossas ideias mais audaciosas. Ao invés de continuar com o plano original, começamos a investir em terreno seguro, na zona de conforto, vendendo produtos convencionais e serviços familiares. Os grandes empreendedores não: como já foi dito, não são livres da responsabilidade de falha, mas o que os atormentam de verdade é não tentar. É falhar no meio do caminho por falta de tentativa.

No trabalho e na vida, existem dois tipos de falhas: as de atividade e as de inatividade. Você pode falhar começando uma atividade, uma empresa, mas também pode falhar por não fazer nenhuma delas. Em uma metáfora mais palpável, você pode acabar por ser deixado no altar, ou pode deixar de passar por toda a experiência de propor casamento a alguém. E esse talvez seja o grande problema de pessoas que não insistem até o fim: elas preferem evitar incertezas por uma certeza que já, em sua epistemologia da palavra, é falha.

Quando as pessoas param para pensar sobre seus maiores arrependimentos, normalmente as respostas que estão na ponta da língua são aquelas que mostram o que deixaram de fazer, não o que fizeram de fato. Exemplos disso são pessoas que lamentam o fato de não terem ido estudar, ou abraçado uma oportunidade de negócio incerta, ou passar mais tempo com suas famílias e amigos.

Empreendedores aprendem a ver seus fracassos não como um sinal de que suas ideias estão condenadas, mas como um passo necessário rumo ao sucesso. Normalmente esses impasses costumam evidenciar um buraco na estratégia, falta de conhecimento em uma determinada área, o que deve te impulsionar a voltar com o papel e a caneta para a fase mais primitiva de seu projeto e recomeçar acertando todas as arestas soltas. Na ausência do fracasso, a complacência é sempre um perigo.

Nos primeiros anos de Google, Larry Page e Sergey Brin estavam dispostos a vender seu mecanismo de busca por menos de US$ 2 milhões, mas foram recusados por seu potencial comprador. Mark Cuban deixou o Uber passar. Editores rejeitaram Harry Potter, porque tratava-se de um livre muito grande para ser veiculado à uma criança. Executivos trataram com indiferença Seinfeld, por possuir enredos inconclusivos e personagens antipáticos. Você pode observar a insanidade de todas essas pessoas que recusaram esses projetos, hoje já consolidados como divisores de águas. Mas lá atrás era completamente justificável – ou não…

A questão é que através da história, ideias originais foram as que mais falharam no meio do caminho, porque foram elas as que mais tentaram, mais insistiram. Grande parte das 1.903 patentes de Thomas Edison não deu em nada. Picasso teve de pintar mais de 20.000 obras de arte para ser reconhecido por algumas como obras-primas. Nos negócios e no empreendedorismo empresarial a tendência é a mesma.

Antes do Uber, a primeira startup de Travis Kalanick faliu. Oprah Winfrey foi demitida de seu trabalho como repórter. Steve Jobs fracassou com o Apple Lisa e foi forçado a sair da Apple antes de sua volta triunfal. E além de todo o sucesso de Richard Branson em linhas aéreas, ferroviárias, música e aparelhos móveis, ele também falhou bastante em projetos como Virgin Cola, setor automotivo e até mesmo na venda de vestidos para casamento.

Portanto observe bem esses últimos três parágrafos e se coloque no lugar desses multibilionários. Se, à priori, você falhar, pode ter certeza de que você está almejando algo grande o suficiente que valha a queda.