Do terno para o mundo de startups: confira entrevista exclusiva com Adriano Lima

Da Redação

Por Da Redação

25 de setembro de 2020 às 13:18 - Atualizado há 4 semanas

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Do terno do Itaú para a camiseta da Neon Pagamentos, Adriano surfa a onda das startups. A reinvenção faz parte da vida do profissional, que já esteve por trás da gestão de pessoas do Banco Itaú Unibanco e anos depois colocou de pé os pilares de Cultura e Pessoas da Neon Pagamentos. Ao longo desses anos, o executivo reuniu diversos aprendizados. Saiba mais na entrevista exclusiva.

Como foi essa decisão de mudar das empresas tradicionais, analógicas, para as startups?

Eu sempre enfrentei as dificuldades como oportunidades para buscar me reinventar e reaprender. Desde muito jovem, inclusive no esporte, essa foi uma tônica. Há dois anos e meio atrás, passei por um desafio pessoal grande e ao voltar para a terapia, buscar maior espiritualidade, decidi focar em três ações de formação e atualização.

Me certifiquei Conselheiro de Empresas pelo IBGC, me formei Coach Executivo pela Columbia University e fui pela primeira vez ao Vale do Silício com a StartSe. A combinação e consistência dessas ações, ao mesmo tempo em que eu decidia evoluir para um padrão executivo de menos valor a questão como status e poder, me fez olhar diferente para esse ecossistema. A primeira experiência no Vale do Silício me encantou demais. Ao mesmo tempo que eu via e me energizava por aquele ecossistema de muito valor às ideias e não a sua posição, seu título numa estrutura organizacional, a execução, a inovação, em que o status é você ter uma proposta de valor incrível, construir soluções excelentes para mitigar dores, mexeu bastante comigo e me fez embarcar mais nessa vibe.

 

Foi aí que você decidiu ir para uma startup como a Neon?

Não, necessariamente. Eu me interessei primeiramente em aprender de forma genuína sobre empreendedorismo numa startup. O que eu fiz ? Montei uma minha. Estava na mesa da Cris Palmaka, CEO da SAP, e comentei com ela minha ideia de montar um projeto para levar RHs ao Vale do Silício. Minha proposta de valor era contribuir na formação crítica dessa galera para ajudar nosso país a ter uma transição mais positiva no futuro do trabalho. Ela comentou que se eu fosse curador que apoiariam a iniciativa. E eles patrocinaram a iniciativa. Digo que a startup já nasceu com um patrocínio desse porte. Assim nasceu a PeopleTech.com.br com o objetivo de construir uma posição mais crítica e positiva para o futuro do trabalho no Brasil. Foi um sucesso a missão de levar 25 executivos seniores ao Vale do Silício. Meses depois, estávamos com um auditório da PeopleTech dentro de um grande evento de gestão da América Latina. Atuei como ceo, financeiro, secretário e até motoboy levando contrato de patrocínios às empresas.

 

E como surgiu a Neon ?

Foi uma paixão rápida, mas levou uns dois meses para acertarmos tudo. Eles estavam buscando um RH e eu era uma solução fora da caixa. Mas com uma atuação inspiradora do Pedro Conrade e do Jean Sigrist em me convencerem e meu encantamento com a oportunidade que era linda, deu certo.

 

Você sofreu algum preconceito ao chegar na Neon?

Não senti preconceito. Pelo contrário, senti muito apoio de toda estrutura. Do fundador, dos acionistas, das lideranças e das equipes. Tive foi dificuldade de adaptação no início como em qualquer projeto totalmente novo frente experiências passadas. A principal dificuldade foi no desafio de dar conta de um alto volume de contratação de forma rápida sem perder o foco da qualidade do talento.

 

Você falou em dificuldade. Quais foram as vitórias?

Creio que a principal foi estabelecer e disseminar os pilares da Cultura Neon. A empresa tinha 120 pessoas quando entrei e já enfrentava aquele desafio conhecido das startups quando começam a crescer e contratar mais gente. Perder a cultura que se estabelece pelo fundador e os primeiros funcionários e equipes é um risco. Foi um trabalho realizado com pesquisa, entrevistas com acionistas, lideres e equipes, assessoria de uma antropóloga, mas acima de tudo muita intuição minha e dos sócios em cada palavra escrita. Tem projeto de cultura de criação quando se constrói do zero. Tem projeto que o escopo é de ruptura total. E tem o processo de evolução. E esse último era a escolha mais acertada. O que te trouxe até aqui e que deve ser mantido. E o que deve ser adicionado para garantir mais um ciclo sustentável. Tivemos também um sucesso na máquina de contratação com implementação pela minha equipe do conceito de Sprint em recrutamentos. Conseguimos viabilizar em um ano mais de 600 contratações. Reduzimos o turn over voluntário em quase 50% aumentando o engajamento. E trabalhamos muito bem o employer brand. Em 2019, pela primeira vez, a Neon figurou no ranking das top startups do Linkedin e já em quarto lugar.

 

Quais as principais diferenças em ser um executivo do Itaú e do Neon?

Primeiramente, é importante dizer que não da para classificar uma empresa melhor que a outra. São culturas, modelos de negócio e gestão, estágios de maturidades completamente diferentes. O Itaú foi a organização que trabalhei que sou grato demais por ter sempre me desafiado e apoiado muito. Definitivamente, onde ganhei minha maior musculatura executiva. A principal diferença que vivi nas experiências é o tempo do processo de tomada de decisão. Uma organização gigante como o Itaú possui uma estrutura de governança muito robusta, como comitês de decisão que tornam o processo mais seguro e levando bem mais tempo. Na Neon, a dinâmica do modelo de negócios faz com que as decisões sejam tomadas ali na cadeira um ao lado do outro e com foco rápido na execução, porém sem deixar de ser responsável na discussão e ação.

 

Hoje você tem sido procurado por startups para atuar como sócio, advisor, conselheiro. A que atribui isso? Quais são seus projetos atuais ?

Creio que essa experiência muito bem sucedida na Neon combinado com as experiências executivas anteriores ajuda muito. Mas creio que a combinação desse fator acima com minha formação como Coach Executivo em Columbia, Certificação como Conselheiro pelo IBGC, experiência própria empreendendo com a AL+ People & Performance Solutions e com a PeopleTech.com.br são fatores que atraem interesse de fundadores e acionistas de startups. Muitas enfrentam quando começam a crescer os desafios de cultura e pessoas que superamos na Neon.

Atualmente, através de minha empresa AL+ People & Performance Solutions, sou sócio estratégico e Advisor de duas startups. A Leo Learning Brasil que vem revolucionando a aprendizagem no Brasil através de uma plataforma realmente consistente de ensino a distância. E da DataSprints que é uma consultoria de Engenharia e Ciência de dados que vem revolucionando a gestão de seus clientes. Atuo como Coach Executivo de 2 CEOs e de um Diretor de uma grande empresa. Nesse momento, tenho conversado com outras startups e creio que em breve estarei fazendo parte de outros projetos com os desafios de cultura, gente, crescimento, experiência do cliente que tanto me encantam e desafiam. E tenho muito disseminado experiências, conhecimentos, aprendizados através de minha palavra escrita e falada nas colunas às revistas, nas redes sociais e em palestras.

 

Como se manter atualizado para essas startups?

Quando me perguntam se o mercado discrimina pessoas de 50 e 60 eu respondo que não é tanto por aí quando a função não é operacional. O que o mercado discrimina é quem deixou de se atualizar, de se reinventar. A carreira atual é aprender, reaprender e desaprender. E isso é algo que me acompanha na vida. Cheguei a Neon de bicicleta, tênis e camiseta, mas a transformação anterior foi muito mais interna e profunda. Jean Sigrist, acionista e CEO da Neon, costumava falar que eu era o executivo que ele considerava ter melhor feito a transição do analógico para o digital. Foram mudanças de valores como executivo em que deixei de dar importância a status e poder para valorizar mais a idéia, a realização e a entrega. Estava também num processo de mudança e evolução pessoal buscando ser uma pessoa ainda mais generosa e grata. E me desafio sempre. Cuido muito da saúde. Amo atividade física.

Sinto que estou na casa dos 50, mas num dos melhores momentos da vida e com muita vitalidade e sonhos. Nesse momento, nessa busca pela evolução, por me desafiar, por buscar mais equilíbrio, me meti a aprender a surfar. Amo o mar, o sol e estar ali comigo mesmo tem sido inspirador e desafiador. E quando me perguntam se estou conseguindo ficar de pé, respondo que o mais legal tem sido aprender mais ainda a cair e levantar. E assim é na vida, não é ? Perder para mim não é fracassar, é desistir de continuar lutando. Eu ainda tenho muitos sonhos profissionais e pessoais.

Construir empresas incríveis que apoiem causas nobres e que mitiguem dores das pessoas. E no nível pessoal buscar a evolução constante como ser humano, apoiar no crescimento e desenvolvimento humano e responsável de meus filhos e com todos aqueles que me cercam. Que eu possa surfar essa onda das startups construindo empresas incríveis em que o capital humano e social dos clientes, fornecedores, apoiadores, sejam sustentáveis e perenes.