Crise econômica brasileira: é hora de empreender ou evitar o risco?

Diante do cenário de crise no país, é a hora de empreender ou de esperar que os ânimos voltem para a boca do povo?

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Por Lucas Bicudo

5 de Maio de 2016 às 13:19 - Atualizado há 4 anos

A crise é certamente um dos únicos assuntos que não embrulha o peixe do dia seguinte no cenário econômico atual brasileiro. Sempre muito recorrente na boca do povo, há inúmeras versões dos acontecimentos que levaram o país a essa conjuntura de retração econômica e desconfiança. Mas cá estamos e os negócios não podem parar. A crise de fato retarda o empreendedorismo? É hora de baixar a bola ou dar a cara para bater? Tentando responder essas perguntas, o StartSe reuniu os principais fatos que levaram o Brasil à essa situação e como um empreendedor deve se postar diante de dias de crise.

Para iniciar, o governo gastou tudo o que tinha enquanto podia na época de fartura e, agora na recessão, está completamente carente de caixa para iniciar medidas anticíclicas que segurem a retração. Esse foi o primeiro erro. Gastança no serviço público, desonerações além do que poderia conceder, elefantes brancos, real sobrevalorizado, fechamento de indústrias nacionais. Não bastasse isso tudo, o governo segurou artificialmente a inflação e prejudicou a principal estatal brasileira, a Petrobras. Precisa fazer um ajuste fiscal forte.

Soma-se a isso o fato de que a nossa maior parceira comercial, a China, passa por um reajuste macroeconômico fortíssimo – reduzindo seu ritmo de crescimento. O gigante asiático é o país que mais se destacou na última década, com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano.

No começo desta, porém, economia chinesa começou crescer apenas de 4 à 7% ao ano, o que fez com que os preços das commodities que o Brasil enviava para a China despencassem bruscamente. A China é a maior parceira comercial das exportações brasileiras, sendo responsável por 15% de toda a operação. Soja, minério, petróleo e açúcar perderam seu valor e o dólar disparou, principalmente com o agravamento da crise política brasileira. Não é um cenário bom.

E hoje estamos em crise. Seja de quem for a culpa, de um lado ou de outro, estamos em crise. E isso significa maior timidez na hora de se investir e empreender. Mas é aí que é importante lembrar o que envolve empreender: sobretudo andar pelos próprios pés e rumo a um caminho desconhecido.

É ser autônomo e dedicado o suficiente para assumir um risco e bancá-lo em um cenário de incertezas. O que nos remonta também ao significado de startups: grupo de perfil de empreendedor à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, normalmente apresentado em um cenário de incertezas e questões. De novo, estamos em crise! Não é esse cenário em que vivemos? Não estamos tentando responder questões?

Uma coisa é independente a outra. Ser um empreendedor é ver uma oportunidade onde ninguém mais vê, portanto não há como usar a atual crise econômica brasileira como desculpa para não cair no mundão. Tem também o fator inovação. Retração não compactua com a etimologia de inovação e é nessas horas que é necessário o surgimento de grandes soluções. Junior Borneli, co-fundador do StartSe, e Gustavo Caetano, CEO e fundador da SambaTech, discutem em uma aula grátis a importância da inovação em qualquer empreendimento, quase que essencialmente útil para os dias em que vivemos.

Entretanto, há de se alertar que ambiente econômico turbulento exige também mais preparo, de modo que os riscos sejam reduzidos e nos tornemos mais assertivos nos negócios. A queda na renda e no consumo, provocadas pelo aumento do desemprego, a alta de custos aliada ao arrocho tributário e níveis mínimos de confiança do empresariado brasileiro, compõem um quadro desafiador para o empreendedor – pode ser mais difícil tirar a ideia do papel, ou conseguir funding.

A combinação de fatores negativos para o giro da economia complica um pouco mais uma atividade já bastante arriscada no país – o que de outro lado também não significa que a lima. É justamente a resiliência e a persistência que vão ajudar a rodar novos negócios, estimulando a reação de que o país precisa para voltar a crescer. Talvez não seja a hora para abrir aquele mercadinho na esquina, mas sempre é hora para criar empresas verdadeiramente empreendedoras.