Conheça a história de uma empreendedora que foi da favela para o Vale!

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Por Nathalia Medici

5 de junho de 2017 às 10:34 - Atualizado há 3 anos

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Tive a oportunidade de conhecer uma pessoa incrível. Nana Maia, que nasceu e cresceu na comunidade Jardim Nova Esperança em Goiânia. Estudou na instituição local criada pelos líderes de sua comunidade, o Cecom (Centro de Educação Comunitária de meninas e meninos). Lá, adquiriu a resiliência necessária pra superar  barreiras e entrou para as estatísticas de pessoas que acreditam em que tudo é possível! Hoje, já no Vale, a 8Heroes é acelerada pela GSV Labs (em parceria com Google) e Facebook (FbStart).

Em uma conversa super descontraída, no intervalo de um evento que participava, Nana contou que sempre quis ser cientista e trabalhar na NASA, mas falaram que lá não era lugar para ela. “Eu sempre fui a louca que achava ser capaz de mudar o mundo”.

Quando ainda criança, seu pai a estimulava a se conectar com arte, principalmente a storytelling, através de filmes e teatro, que depois virou inspiração para o seu business. Perdeu a mãe ainda jovem com um ataque do coração. O momento em que  considera ser o mais difícil já vivido. Encontrou no empreendedorismo o caminho pro crescimento, e aos 21 anos mudou para os Estados Unidos.

Após passar anos na Florida e já ter pensado em desistir muitas vezes, ela fez questão de conhecer e vivenciar as comunidades locais que mais se aproximavam de onde havia crescido. Composta majoritariamente por negros e latinos, foi lá que aprendeu muito sobre o que viria a ser sua startup.

Arriscou mais uma vez e foi para o Vale do Silício. Desenvolveu sua startup, que consiste em juntar storytelling a tecnologia, e oferecer cursos personalizados  à distância, ajudando pessoas a desenvolver seus negócios. Entendeu que o Vale é uma região transformadora.

Chegou a procurar alguém que fosse uma referência para você?

“Sim. No Brasil, eu cresci em volta de pessoas que me inspiravam todo dia. Afinal, não é qualquer um que consegue transformar pouco em muito, e isso era uma característica forte das lideranças de minha comunidade. Quando cheguei aqui, sozinha e sonhadora (risos), eu tive um choque cultural logo de cara. Mesmo acreditando na minha capacidade, queria acompanhar e ver como alguém com uma trajetória semelhante à minha conseguiu navegar como golfinho num mar reinado por tubarões. Mas não achei muitas mulheres que tinham saído da comunidade, ganhado o mundo, empreendido. Com o tempo, conversando com outras pessoas, comecei a entender que talvez eu fosse essa referência que sempre procurei. Entendi isso como uma missão! Meu foco não era em querer provar que eu era boa para quem não acreditava em mim e sim focar minha energia em quem me via como referência. Esse suporte é o que me inspira diariamente a continuar a caminhada.”

 

Por que machine learning e storytelling?  

“Nosso objetivo é personalizar a experiência pra nossa comunidade de empreendedores. O machine learning ajuda com data e descoberta das perguntas certas pra fazer essa customização, porém, a storytelling oferece o lado humano no qual considero insubstituível. Não importa quantos algoritmos inventamos, ainda acredito que nada poderá substituir essa conexão humana. Enquanto não viramos robôs (risos), como humanos, a emoção sempre acaba superando a razão, e a emoção que storytelling proporciona tem grande influência na aprendizagem”

Perguntei se ela achava que teria empreendido, mesmo se não tivesse ido ao Vale?

“Sim. Provavelmente não como estamos construindo hoje, mas com certeza teria empreendido. Como comentei, sempre achei que eu era capaz. E Tenho uma família de heróis que sempre fez questão de reforçar essa afirmação, tanto pra mim quanto pras minhas irmãs. Mas achava  que para estudar física quântica, precisava nascer gênio. Quando conheci um cientista de Berkeley, que hoje é muito meu amigo, fiquei feliz e ao mesmo tempo triste.  Feliz pela experiência e triste  porque entendi que o que me separava dele era apenas as oportunidades de acesso que ele teve desde de criança. Era como se eu e todas as crianças de comunidades menos privilegiadas tivéssemos tido nossos sonhos roubados por essa desigualdade de oportunidades.”

Como você define seu business?

“Eu sempre digo que estamos criando uma escola de negócios para heróis (risos). Mas nosso foco está nos heróis ‘invisíveis’. Donos de pequenas empresas geram mais de 90% dos empregos no mundo e representam mais de 55% da economia mundial. Eles não estão presente em listas da Forbes e a maioria das plataformas de ensino muitas vezes não os veem como referências para ensinar,  apenas os usam de forma romantizada pra inspirar, por suas historias de superação. Acabam tornando-se coadjuvantes , quando são de fato, os protagonistas. E na 8Heroes vamos prepará-los, e empoderá-los  com o mindset, habilidades e ferramentas  necessárias pra que possam iniciar e/ou continuar suas trajetórias de sucesso. Monetizar  e fazer a diferença em suas comunidades locais.”

Em que estágio está o seu business hoje?

“Acabamos de fechar um pre-seed round (investimento para desenvolvimento) com um investidor anjo. Estamos preparando conteúdo, desenvolvendo a plataforma. Vamos lançar primeiro nos EUA, e depois, para o mercado brasileiro e outros países da América latina”

Porque 8Hero?

“8 porque é o o infinito/recomeço, então é uma plataforma com um infinito de oportunidades para empoderamento de heróis.”

Para encerrar, qual o seu sonho?

“Meu sonho é criar centros  de inovação e empreendedorismo nas comunidades brasileiras. A pessoa pode pegar a informação e não fazer nada com isso, mas não vai ser por falta de opções e acesso, e sim por escolha. Nao existe igualdade sem antes resolver o problema de equidade. Acredito, que o acesso de maneira construtiva tem o poder de trocar medo por esperança. E uma pessoa com esperança é capaz de transformar. Está mais do que na hora de democratizar o acesso às oportunidade do vale do silício para um grupo atualmente excluído em nosso país. Acredito que a transformação permanente só irá de fato acontecer quando a maioria for a regra e não exceção.”

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