Como Tite pode ser uma referência em liderança?

As atitudes de Tite, o técnico da Seleção Brasileira, geram ensinamentos que podem ser usados por líderes de diversas áreas

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Por Isabella Câmara

20 de junho de 2018 às 16:54 - Atualizado há 2 anos

É quase unânime que Adenor Leonardo Bacchi, mais conhecido como Tite, está fazendo um grande trabalho à frente da Seleção Brasileira (embora tenha empatado com a Suíça, Mr. Tite!). Formado em Educação Física e ex-técnico de grandes clubes brasileiros, como o Corinthians, Tite é considerado um dos maiores técnicos do mundo. Seus ensinamentos e forma de liderar, porém, vão muito além dos campos de futebol. A importância que o treinador dá ao trabalho em equipe e a forma como lida com crises e eventuais erros são exemplos que merecem destaque.

Hendel Favarin, cofundador da Conquer, aceleradora de pessoas que, por meio de uma metodologia própria desenvolvida no Vale do Silício, desenvolve em seus alunos habilidades que não são ensinadas nas instituições de ensino tradicionais, relaciona algumas decisões do técnico à habilidade de liderar:

Faz um rodízio da faixa de capitão

A faixa de capitão no futebol representa para um jogador uma grande responsabilidade – com ela, ele se torna uma espécie de representante do time. Esse objeto, que pode parecer simples para a maioria das pessoas, significa que o jogador possui total liberdade para liderar outros atletas do time e também fazer reclamações ao juiz do jogo. O marco dessa atividade foi quando Gabriel Jesus, uma das estrelas do atual time, se tornou um dos mais jovens capitães da história da Seleção Brasileira.

Esse rodízio é um grande exemplo de como dar autonomia a uma equipe e demonstrar a confiança depositada em todos da equipe. Para Favarin, a possibilidade de um funcionário liderar uma reunião por um dia, por exemplo, pode significar muito para ele.

Além disso, de acordo com estudos do National Bureau of Economic Research (NBER), nos Estados Unidos, incentivos relacionados ao desempenho da equipe geram melhores atitudes e comportamentos dos profissionais. Segundo os autores da pesquisa, o sucesso de conceder benefícios por desempenho, como a faixa de capitão, promove o empoderamento dos funcionários e proporciona mais envolvimento em decisões, além de manter baixos níveis de supervisão dos chefes, que apostam na confiança dos colaboradores.

Fez um time sair do período crítico e ser Campeão Brasileiro

No ano de 2015, o Corinthians passou por um período crítico onde os principais jogadores não estavam recebendo salário. Após conversar com a diretoria do clube, Tite alegou que não queria receber seu salário enquanto os jogadores também não recebessem. Desta forma, ele reforçou a união com a equipe, se colocou de igual para igual com os jogadores e, em contra partida, ganhou a confiança e o comprometimento deles. O resultado dessa atitude foi a conquista do sexto título brasileiro da história do Corinthians.

Nunca abre mão de aprender coisas novas e diferentes

Atualmente, o mundo está em constante transformação e os profissionais lidam diariamente com a necessidade de atualização constante. Para se manter competitivo, só existe um caminho: educação. A educação é a peça chave para o sucesso de uma carreira – em qualquer que seja a área de atuação.

Foi exatamente isso que Tite fez. Em 2014, após conquistar quatro títulos para o Corinthians, o treinador decidiu tirar o ano para aprender com técnicos mais experientes. Tite viajou para a Espanha para acompanhar treinos do maior campeão mundial, Real Madrid; e se aproximou de grandes líderes do futebol europeu, como Carlo Ancelotti e Carlos Bianchi.

De acordo com Favarin, essa ideia deve ser adotada em todas as profissões. “Um verdadeiro líder não pode ser arrogante ao ponto de achar que sabe de tudo, deve estar sempre disposto a aprender coisas novas e precisa ter a referência ou mentoria de profissionais que estão acima da média”, diz.

É solidário e empático

Em 2016, Tite fez questão de comparecer ao velório coletivo das vítimas do acidente com o avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, ocasião em que afirmou não se lembrar de um momento tão comovente antes no futebol. Segundo Favarin, saber ouvir e estar atento às questões emocionais cria situações sem imposição e torna o líder muito mais próximo e respeitado pelos colaboradores. Por outro lado, a equipe de um líder solidário e empático compreenderá melhor as orientações por vê-lo como alguém que entende e compartilha do que eles pensam ou sentem.

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