Como a cultura é importante para a minha startup?

Da Redação

Por Da Redação

20 de março de 2018 às 17:04 - Atualizado há 3 anos

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*Texto por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO da Yubb

Quando você começa a empreender ou tem vontade de ter a própria empresa, o assunto “cultura” não costuma ser muito pensado. A menos que você já tenha tido uma empresa no passado, tenha sido gestor de muitas pessoas ou tenha trabalhado em algum lugar com uma cultura positivamente marcante, dificilmente “cultura” será o assunto que tirará o seu sono. Afinal, quem fica acordado à noite se perguntando “será que o meu produto vai dar certo?”, “será que vou criar algo relevante?”, “será que minha empresa vai dar certo?”, “será que vou quebrar?” dificilmente dedica tempo a pensar “como eu crio uma cultura relevante?”.

Se você estiver no começo da empresa, isso é ainda mais latente. O começo de uma empresa se resume, em linhas gerais, a fazer muito trabalho sozinho. Em alguns casos, você possui um ou mais sócios, mas esses sócios trabalharão sozinhos. Existe muita solidão na jornada empreendedora. Muitas dúvidas e muitas preocupações. Quanto mais incipiente a empresa, maiores são essas preocupações e angústias. E esses sentimentos não passam rapidamente. Você pode ficar alguns meses nesse cenário. Alguns não, muitos meses. Muitos anos. Para ilustrar, vou trazer o exemplo da minha trajetória no Yubb: fundei o Yubb em outubro de 2014 e fiquei sozinho na empresa até outubro de 2015. No primeiro ano, fiz todo o trabalho da empresa sozinho, sem nenhum sócio e nenhum funcionário. No máximo, tive alguns parceiros que me ajudaram no desenvolvimento do produto e com uma empresa de programação que desenvolveu as primeiras versões do Yubb. No mais, a minha rotina era acordar, trabalhar, dormir. Eu e eu mesmo. Sem ninguém mais na empresa para me ajudar nos desafios.

Durante esse primeiro ano inteiro, acho que eu não pensei em “cultura” nenhuma vez. Nenhuma sequer. Tinha preocupações muito grandes e não dedicava tempo a pensar no assunto da “cultura”. Até porque, analisando melhor a situação, eu estava sozinho, de forma que praticamente não havia uma “cultura” a ser criada na empresa para mim mesmo. Na minha cabeça, “cultura” é algo que necessariamente pressupõe mais de uma pessoa trabalhando na sua empresa, seja um sócio ou um funcionário. Eu já havia lido livros, textos e assistido a vídeos sobre a “importância da cultura para uma empresa”.

O sócio que tentei trazer para o Yubb foi em maio de 2015. Não deu certo porque ele estava trabalhando em outra empresa. Em setembro de 2015, trouxe mais dois sócios que assinaram o contrato de “vesting” na segunda-feira e desistiram da ideia na sexta-feira (literalmente!). Decidi então que contrataria um programador e fiz isso em outubro de 2015. Ele ficou 3 semanas na empresa e precisei demiti-lo. Busquei mais funcionários e sócios, sem sucesso. Encontrei um novo sócio e dezembro de 2015 que começou no Yubb em janeiro de 2016 e ficou na empresa até maio de 2016. Alguma coisa estava errada. Eu não conseguia sócios e nem funcionários.

Com o tempo, passei a ter sócios, funcionários e um time. A empresa passou a crescer e tem crescido desde então, aumentando os nossos desafios. E foi somente com o passar do tempo que passei a olhar para trás e perceber a importância da cultura, algo com o qual eu não havia me preocupado até então. Sempre planejei que a cultura seria construída com o passar do tempo e mais para frente na jornada da minha fintech, mas vejo que cometi alguns erros: não inseri a cultura nos momentos iniciais do Yubb e isso me custou encontrar melhores pessoas para formar o time do Yubb no começo da empresa.

Hoje temos um time incrível composto somente por pessoas muito boas, dedicadas, comprometidas e apaixonadas pelo que fazemos. Mas, no começo da empresa, tive dificuldades em encontrar pessoas que pudessem complementar a minha atuação e contribuir para o desenvolvimento do Yubb. E isso decorreu, em grande parte, pela falta de cultura colocada e buscada por mim enquanto fundador. Cultura é algo que deve ser colocada, zelada e planejada pelo(s) fundador(es) desde os primeiros dias. É preciso que haja uma reflexão sobre o tipo de cultura que se quer ter, o tipo de modo de gestão que se quer implementar, o perfil de funcionários e colaboradores que se quer atrair. Porque a cultura permeia toda a vida da startup, todo o cotidiano de trabalho e todos os desafios encontrados.

Mas, afinal, o que é “cultura”? Basicamente, tudo é cultura em uma empresa: um CEO muito centralizador reproduz em seus subordinados uma cultura centralizadora, amedrontada e pouco criativa. Uma startup que não permite flexibilidade nos horários de trabalho fomenta uma cultura que valoriza mais o tempo em que se fica no escritório presencialmente do que as entregas e resultados trazidos pelos integrantes do time. Um ambiente com piadas sobre minorias étnicas cria uma cultura preconceituosa, agressiva e intolerante. Ou seja: a forma de se vestir, de comunicar, a distribuição de cadeiras em um escritório, o lugar em que se senta à mesa de reunião, o acompanhamento dos trabalhos por superiores… tudo é cultura em uma startup.

O importante é perceber que a cultura de uma startup se constrói aos poucos, devagar, muitas vezes sem nem percebermos. Achamos que temos coisas mais importantes ou prioridades maiores do que olhar para os pequenos atos do cotidiano que influenciam e moldam a cultura da nossa empresa. O problema é que, quando menos esperamos, criamos uma cultura. Quer dizer, permitimos que uma cultura fosse criada sem que estivéssemos atentos ou sem que tenhamos contribuído para essa cultura. Entretanto, essa cultura implicará na relação entre os sócios, na atração de funcionários, na felicidade no trabalho, na motivação do time, no engajamento das pessoas, na dedicação de funcionários e sócios, entre outros vários aspectos.

No meu caso, não ter cuidado da cultura do Yubb desde o começo me custou um melhor relacionamento com algumas pessoas que trabalharam na minha fintech e também com alguns funcionários que tentei trazer para a empresa. No mesmo sentido, perdemos velocidade em certos momentos e perdemos o foco na visão da empresa que queríamos construir. Felizmente, conseguimos ajustar o desenvolvimento do Yubb e entramos em um trilho que tem feito sentido. No entanto, o resultado poderia ter sido muito diferente – no sentido negativo – caso não tivesse adaptado a cultura a tempo.

Atualmente, temos um time bastante flexível em termos de horários e com muita autonomia. A ideia que “não temos chefe” é uma realidade e cada vez mais busco conferir autonomia e independência ao meu time, de forma que eu precise revisar ou aprovar cada vez menos assuntos. Essa é a cultura que estamos construindo e já temos visto resultados muito transformadores a partir de um time bastante engajado, motivado e interessado em transformar a forma pela qual as pessoas aplicam seu dinheiro.

Mais uma vez, isso tudo é possível graças à cultura que temos hoje no Yubb. Uma cultura que sempre evolui e é constantemente moldada. Eu tive sorte em ter conseguido alterar a cultura da minha empresa a tempo. Nem todas as startups possuem a mesma sorte e muitas já quebraram por problemas de cultura. Portanto, cuide da sua cultura desde os primeiros dias!

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