“É a única maneira de restabelecer minha reputação”, diz Carlos Ghosn sobre fuga

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

8 de janeiro de 2020 às 15:55 - Atualizado há 11 meses

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“A fuga foi a decisão mais difícil da minha vida, mas eu estava enfrentando um sistema no qual a taxa de condenação é de 99,4%, e eu acredito que esse número é ainda mais alto para estrangeiros”, disse Carlos Ghosn nesta quarta-feira (8), em sua primeira aparição para a imprensa após a fuga do Japão para o Líbano.

O ex-CEO da aliança Nissan-Renault afirmou que fugiu para o Líbano pois não estava tendo um julgamento justo no país asiático. A fuga foi entre o dia 29 e 30 de dezembro de 2019. Ghosn foi preso pela primeira vez em novembro de 2018 no Japão sob acusação de fraude e “má conduta financeira”.

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Desde então, Ghosn foi preso e solto novamente algumas vezes. Fontes afirmaram à Reuters que o executivo tomou a decisão de fugir após seu julgamento ser adiado para abril de 2021. “Por que eles estenderam o tempo de investigação? Por que me prenderam novamente? Por que eles estavam tão empenhados em me impedir de falar e expor meus fatos? Por que eles passaram 14 meses tentando quebrar meu espírito, impedindo qualquer contato com minha esposa?”, questionou na coletiva de imprensa.

Ghosn, que possui cidadania francesa, brasileira e libanesa, afirma ter sido vítima de um “complô” de executivos da Renault-Nissan e até do governo japonês. “Alguns dos meus amigos japoneses pensaram que a única maneira de se livrar da influência da Renault na Nissan era se livrar de mim”, disse.

De acordo com o executivo, a motivação seria que a performance da Nissan começou a declinar desde o começo de 2017. Ghosn construiu sua trajetória no Japão após auxiliar a resgatar a Nissan da falência no passado. “Por 17 anos eu era um modelo a ser seguido no Japão. Repentinamente, todos os procuradores no Japão (me caracterizaram como) ‘frio, ambicioso, ditador.’”

O executivo não deu detalhes de como foi a sua fuga para Beirute, no Líbano. “Eu deixei o Japão porque eu quero justiça. É a única maneira de restabelecer minha reputação. Se eu não a consigo no Japão, eu a terei em outro lugar”. O país asiático emitiu um comunicado requerendo a prisão de Ghosn para a Interpol. Investigadores do país afirmam que ele fugiu para “escapar da punição”.