Reconhecimento facial faz Acesso Digital dobrar faturamento em 2019

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

13 de dezembro de 2019 às 15:34 - Atualizado há 9 meses

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“Neste ano, vamos faturar o dobro da receita que levamos 11 anos para conseguir”, diz Diego Martins, fundador e CEO da Acesso Digital, que deve fechar o ano de 2019 com R$ 100 milhões de faturamento e 230 profissionais. O resultado é fruto de uma transformação digital e cultural que fez com que, nos últimos dois anos, 80% dos funcionários saíssem da empresa – muitos pediram demissão, outros foram demitidos.

A Acesso surgiu em 2002 como uma empresa de consultoria para digitalização de documentos. Até 2006 a empresa só servia para que Diego pudesse prestar os serviços de consultor. A partir de 2007, o negócio entra em uma nova fase e passa a oferecer o serviço de digitalização e armazenamento dos documentos.

A tecnologia era similar à que conhecemos hoje como nuvem e o modelo de negócios é o que atualmente chamamos de Saas, em que os clientes, na sua maioria grandes empresas, pagam uma assinatura para acessar a tecnologia.

Rapidamente, a Acesso ganhou mercado e passou a figurar nos rankings que apontam as empresas de rápido crescimento e as melhores para se trabalhar. “Nos cinco primeiros anos, a partir de 2007, crescemos de forma acelerada, a ponto de conseguir reinvestir no negócio, sem ter a necessidade de captar dinheiro com os fundos”, diz Diego.

Em 2015, no entanto, ficou claro que se quisesse continuar a sua trajetória ascendente, a empresa teria de inovar. A Acesso já faturava R$ 50 milhões de um mercado que movimentava R$ 150 milhões.

“Não conseguíamos crescer à taxa de 60% ao ano, que era nosso padrão desde 2007. A nossa primeira resposta para justificar a desaceleração na receita foi a crise econômica do Brasil”, diz Diego. Em pouco tempo, no entanto, Diego concluiu que para crescer teria de mudar. “Precisávamos acessar um mercado maior.”

O fundador da Acesso conta que se viu diante de três escolhas. A primeira era vender a empresa, já que havia compradores interessados. Outra opção era captar dinheiro no mercado e aumentar o faturamento e participação de mercado por meio de aquisições. “E a opção mais radical: criar uma nova visão e posicionamento para o negócio”, diz.

“Passei algum tempo conhecendo novos empresas que estavam emergindo no Brasil e no exterior. O conselho que mais recebia dos empreendedores era que a única coisa que eu não deveria fazer era reinventar a cultura da Acesso”, conta Diego. A justificativa era que seria muito difícil refazer um modelo bem-sucedido. “No final, foi a decisão que eu tomei, a despeito de todas as opiniões contrárias.”

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Transformação digital e reconhecimento facial

A transformação começou em 2017. O primeiro passo foi analisar o comportamento das empresas clientes. “Percebemos que quase 90% dos documentos digitalizados vinham de pessoas físicas e que a cada ano cada pessoa tinha de apresentar seus documentos oito vezes para situações diversas como pedir crédito no banco, financiar um veículo ou contratar uma corretora para investir o seu dinheiro.

“Vimos que a vida do brasileiro ainda é muito burocrática”, diz Diego.

O segundo passo foi entender porque as empresas pediam tantas informações aos seus consumidores. “Concluímos que elas solicitam cada vez mais informações para se precaver de fraudes.” Existiam, portanto, duas grandes dores na relação das pessoas com as empresas: a burocracia excessiva e a desconfiança em relação ao consumidor.

“Quando fomos olhar que país havia resolvido esse problema chegamos à Estônia, que hoje é considerada uma das sociedades mais digitais do mundo. Tudo é simples e seguro para cidadão da Estônia porque há 20 anos o país criou uma identidade digital para cada indivíduo e a partir dessa identidade um ecossistema de serviços para as pessoas” diz Diego.

A decisão da Acesso foi trazer o conceito de identidade digital para o Brasil. Na China, onde Diego esteve com a Missão China da StartSe, ele conheceu a tecnologia de reconhecimento facial. O país asiático tem grandes empresas que são referência na tecnologia. São exemplos a MegVii  e a SenseTime, ambas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.

Em 2017, já com a tecnologia de reconhecimento facial contratada, a Acesso começou a fazer o cadastramento de seus clientes. Principalmente os de varejo, bancos e fintechs. “A aderência ao serviço foi significativamente maior e mais rápida do que esperávamos”, conta Diego. A rápida adesão das empresas ao serviço possibilitou a Acesso voltar a crescer o seu faturamento de forma acelerada.

Segundo Diego, a quantidade de transações que podem ser autenticadas com a base de identidades digitais da empresa é de 21 bilhões. O número, segundo Diego, reflete a quantidade de ações que podem usar a tecnologia de reconhecimento facial para identificar um usuário em atividades como na compra de um aparelho celular, utilização do plano de saúde em exames de laboratório, checkin e checkout de hospedes de hotéis, embarque em ônibus e aviões.

Com a transformação digital e o reposicionamento da Acesso, Diego saiu de um mercado de R$ 150 milhões no Brasil para um segmento que cresce de forma acelerada, e hoje é estimado em R$ 15 bilhões, globalmente. A tecnologia de reconhecimento facial existe há alguns anos, mas passou a ser usada de forma mais ampla recentemente devido a maior adoção de inteligência artificial, que permite a identificação de pessoas com mais precisão.

“O nosso maior sonho é criar uma identidade digital que reúna, em um único lugar, as chaves, o dinheiro, os cartões de crédito das pessoas, que vão poder utilizar serviços e acessar locais por meio da tecnologia de reconhecimento facial”, diz Diego.

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