"Dividir empresas de tecnologia é a última punição", diz Margrethe Vestager

Para a comissária de regulamentação da União Europeia, as empresas de tecnologia estão mais ambiciosas, mas nenhuma cometeu um erro tão grande para merecer tal punição

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A divisão de grandes empresas de tecnologia é uma questão discutida por reguladores do mundo inteiro. Um dos cofundadores do Facebook já recomendou essa iniciativa para a diminuir o poder da rede social. Mas, para Margrethe Vestager, comissária de concorrência da União Europeia, essa deve ser a última punição — e não há, ainda, quem tenha cometido um erro tão grande para merecê-la. Vestager é um dos principais nomes no setor de regulamentação de empresas digitais.

“Eu nunca excluiria a possibilidade de que isso possa acontecer, mas não temos um problema em que quebrar uma companhia seria a solução”, disse Vestager no Web Summit na quinta-feira (7). A comissária europeia foi um dos nomes mais aguardados do evento, que reuniu 1.206 palestrantes e mais de 70 mil pessoas em Lisboa, Portugal. Ela é conhecida por ter dado multas milionárias para empresas como Facebook e Apple — e há uma investigação vigente contra a Amazon.

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Para Vestager, o momento é de analisar, de forma democrática, como as companhias e a tecnologia, como inteligência artificial, devem nos servir. “Se você olhar para os planos do Facebook com a Libra, aos serviços de streaming da Apple, você irá ver que as companhias estão mais ambiciosas. E isso mostra que chegamos em uma fase em que o reforço da lei de competição pode fazer apenas uma parte do trabalho”, afirmou.

A inteligência artificial foi o exemplo citado por ela sobre como a regulamentação é importante, mas também urgente.

“Enquanto estamos falando, a inteligência artificial está se desenvolvendo. E isso é maravilhoso. Porque eu não vejo nenhum limite em como a inteligência artificial pode auxiliar no que humanos queiram fazer. Mas precisamos saber que podemos confiar, que há uma supervisão humana. E, mais importante, que não tenha viés. Porque se aceitarmos preconceitos, basicamente estaremos no mesmo mundo que vivemos agora e iremos gravar isso na pedra”, disse Vestager.

*A repórter viajou à convite da Apex-Brasil.

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