5 empreendedores que foram afastados das empresas que fundaram

Adam Neumann renunciou ao cargo de CEO do WeWork após pressão do conselho, mas este não é um caso isolado no ecossistema de inovação

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Vida de empreendedor é uma montanha-russa. Em um momento se está no topo, no outro está em baixa. O problema é que, no mundo do empreendedorismo, quando o carrinho chega próximo demais do chão, os passageiros jogam quem está no primeiro assento fora do brinquedo para ver se ele volta a subir. Foi isto que aconteceu com Adam Neumann, fundador do WeWork.

Analogias à parte, o empreendedor israelense renunciou ao cargo de CEO da The We Company nesta quarta-feira, após pressão dos acionistas do conselho. O grupo japonês SoftBank, em especial, não estava satisfeito com a liderança de Neumann, já que a startup reduziu seu valor de mercado em cerca de quatro vezes desde anunciar a intenção de realizar o IPO.

Assim, Adam Neumann entrou para o seleto grupo de grandes fundadores de empresas de tecnologia que foram destituídos da liderança da companhia que eles mesmos criaram. Listamos, abaixo, outros cinco empreendedores que passaram por situações semelhantes.

Steve Jobs, Apple

Provavelmente o caso mais célebre da lista, Steve Jobs foi demitido da Apple em 1985. Na época, ele e John Sculley lideravam a empresa, mas tinham visões diferentes sobre os rumos que ela deveria tomar. O conselho ficou do lado de Sculley e mandou embora o cofundador da Apple.

Jobs comentou o caso em 2005, durante palestra em Stanford. “Eu não percebi na hora, mas aconteceu que ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo”. Neste hiato, ele fundou duas empresas: NeXT e Pixar. A primeira foi adquirida pela Apple em 1997, o que resultou no retorno do empreendedor. “O peso de ter sucesso foi substituído pela leveza de ser um iniciante novamente. Aquilo me libertou para entrar em um dos períodos mais criativos da minha vida”, disse.

Jack Dorsey, Twitter

Jack Dorsey foi responsável por publicar o primeiro tweet, em 2006. Pouco mais de dois anos e meio depois, foi demitido do cargo de CEO pelo cofundador, principal financiador e chefe do conselho Ev Williams. “Foi como tomar um soco no estômago”, disse Dorsey em entrevista à Vanity Fair.

“Me coloquei em uma posição estranha, porque sempre pareceu que a empresa era de Ev”, explica. “Eu era esse cara mais novo, que era um programador com uma boa ideia. Eu não apresentava força nas minhas convicções”. No entanto, Dorsey é muito mais do que pensava. Um ano depois da demissão, fundou a fintech Square, que hoje vale mais de US$ 3 bilhões e voltou ao cargo de CEO do Twitter em 2015.

Andrew Mason, Groupon

O Groupon foi fundado em 2008 por Andrew Mason e mais dois empreendedores. Em 2013, ele foi pressionado a sair da empresa pelos acionistas, por não atingir os objetivos financeiros propostos para o site de compras coletivas.

Diferente dos casos anteriores, Mason assumiu a responsabilidade pelos mal resultados. “Estou bem com o fato de ter falhado neste momento da jornada. Terei algum tempo para descomprimir, e aí, talvez, encontrarei uma maneira de canalizar esta experiência em algo produtivo”, comunicou o empreendedor na época. E a previsão se realizou: alguns meses  depois, ele lançou um álbum de música chamado “Hardly Workin”.

Jerry Yang, Yahoo!

Quando a internet ainda engatinhava, em 1995, Jerry Yang fundou o Yahoo!. A plataforma começou como um mecanismo de pesquisa e, embora tenha expandido para outras áreas, não conseguiu competir com o a tecnologia de busca do Google. Em 2008, o Yahoo! passava por um momento difícil, com demissões em massa, até que uma proposta de aquisição chegou da Microsoft.

Yang recusou os US$ 45 bilhões, pois acreditava que a empresa que fundou valia mais. Os acionistas não ficaram contentes, e pressionaram o executivo a sair do cargo de CEO. Cerca de quatro anos depois, ele se retirou totalmente da empresa. Hoje, ele é um dos conselheiros da gigante chinesa Alibaba.

Travis Kalanick, Uber

Travis Kalanick fundou o Uber em 2009 e viu a empresa decolar, até tomar o posto de startup mais valiosa do mundo, em 2015, com avaliação de US$ 51 bilhões na época. No entanto, com o sucesso, vieram polêmicas. Alegação de assédio sexual dentro da empresa feita por uma funcionária,  campanha com a hashtag #deleteuber que levou a centenas de milhares de desinstalações do app e relações conturbadas com reguladores em diversos países criaram um cenário conturbado em 2017.

No fim daquele ano, Kalanick renunciou ao cargo de CEO da Uber. Em março de 2018, criou um fundo de investimentos e, hoje, aposta na startup de delivery de comida CloudKitchens.

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