Conselho do WeWork discute demissão do CEO Adam Neumann nesta segunda-feira

Principal investidor externo da The We Company, SoftBank lidera movimento de acionistas contra o fundador da empresa

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No início do ano, a The We Company, empresa por trás do WeWork, era um case de sucesso mundial, estava avaliada em US$ 47 bilhões e preparava-se para abrir capital na bolsa de valores. O anúncio do IPO colocou a startup sob o olhar crítico da imprensa e dos investidores. Sob escrutínio, o interesse dos investidores diminuiu e o valor de mercado foi cortado para menos de metade do esperado, o que culminou no adiamento do pedido da oferta pública de ações. Agora, parte do conselho da companhia deseja substituir Adam Neumann na posição de CEO.

Fontes ouvidas pela Reuters e pelo The Information confirmam que o grupo japonês SoftBank, principal investidor externo do WeWork, lidera o movimento contra Neumann. Uma reunião está marcada para esta semana, provavelmente já nesta segunda-feira, para discutir a continuidade do CEO.

No início deste mês, a The We Company anunciou uma série de medidas como resposta ao baixo interesse dos investidores no futuro IPO. Algumas miravam diretamente Neumann, como o corte dos votos por ação do CEO em 50% (de 20 para 10 para cada ação) e a obrigatoriedade de devolução de lucros imobiliários para a empresa. O cofundador é dono de alguns dos prédios em que a startup opera nos EUA, o que criava um conflito de interesses.

Agora, resta saber quem conta com mais aliados no conselho do WeWork. O SoftBank tem os prováveis apoios da Hony Capital e do investidor Mark Schwartz, segundo o The Information. Neumann, além de seu próprio voto, pode ter ao seu lado a Benchmark e o executivo Lewis Frankfort. No entanto, ainda não se sabe se o atual CEO irá lutar pelo cargo, ou se a saída será consensual.

Outra incógnita é quem substitui Neumann caso sua saída seja confirmada. Fontes afirmam que não há um consenso sobre algum executivo que já esteja na empresa. Uma possibilidade pode ser manter o atual CEO como interino enquanto procura-se a pessoa ideal no mercado externo.

Adam Neumann e suas polêmicas

O israelense Adam Neumann segue a linha de empreendedores visionários, excêntricos e polêmicos. O CEO do WeWork já afirmou que pretende ser presidente dos EUA ou primeiro-ministro de seu país natal. Também disse à imprensa que almeja o posto de primeiro trilionário do mundo. Além disso, o executivo acredita que vai viver para sempre.

Alguns casos de como Neumann lida com sua equipe tiveram grande repercussão na empresa. Por exemplo, o executivo demitia funcionários e depois organizava festas e tomava tequila com eles, uma espécie de compensação após forçar a saída da empresa.

Além disso, ex-funcionários do WeWork revelaram à imprensa que era organizada uma festa anual que durava vários dias, tinha bebida liberada 24h por dia e os empregados dormiam em tendas. O evento anual, que parou de acontecer em 2018 após a polêmica, tornava-se uma “grande orgia”, segundo relatos.

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