Jack Ma deixa Alibaba: quem é o sucessor Daniel Zhang e quais são os seus planos

Discreto, novo presidente da Alibaba quer disruptar o próprio negócio antes que alguém o faça – mas terá de superar a sombra do antecessor

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Nesta terça-feira, dia 10 de setembro de 2019, três ocasiões importantes são celebradas de uma vez: o dia do professor na China, o aniversário de 20 anos da Alibaba e o aniversário de 55 anos de Jack Ma. Cerca de 80 mil colaboradores da Alibaba se reuniram no Centro Esportivo Olímpico, em Pequim, para se despedir do ex-professor e aniversariante do dia, que saiu da presidência da empresa.

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Jack Ma se retira do cargo como o mais célebre empreendedor da China e o homem mais rico do país – sua fortuna é avaliada em US$ 38 bilhões pela Forbes. O afastamento já era anunciado e o processo de sucessão durou exatamente um ano. Ficou para Daniel Zhang, CEO desde 2015, a responsabilidade de tomar o posto de Ma na presidência do conselho.

Quem é Daniel Zhang

Em muitos sentidos, o sucessor da Alibaba pode ser considerado a antítese de seu antecessor. Daniel é contido; Jack é excêntrico. Daniel estudou finanças em Shanghai; Jack graduou-se em inglês em Hangzhou. Daniel foi auditor da Arthur Andersen e head de finanças da Shanda Interactive antes de ser recrutado para a Alibaba; Jack recebeu um “não” quando pediu um emprego no KFC antes de fundar sua primeira empresa na garagem da sua casa em 1994.

No entanto, aquilo que os diferencia foi o que os aproximou. Na liderança da Alibaba, Jack Ma soube estar rodeado de pessoas com expertise profunda em áreas que ele não domina. “Ele tem as habilidades de lógica e pensamento crítico de um supercomputador, um compromisso com sua visão e coragem de assumir modelos de negócios e indústrias inovadoras do futuro", disse Ma sobre Zhang em 2018.

Daniel Zhang tem 47 anos de idade e é chamado pelos funcionários de Xiaoyaozi, o que explica muito de sua personalidade. O nome é uma alusão a um personagem de uma série chinesa que se caracteriza por não ser um grande guerreiro e se manter longe das batalhas, ao mesmo tempo em que é o melhor treinador de soldados. De acordo com a Bloomberg, Zhang ainda é pouco conhecido na China, mesmo após três anos como CEO da Alibaba.

Planos para a Alibaba

Em 2009, ao lado de Ma, Zhang foi um dos idealizadores do Dia dos Solteiros, no dia 11 de novembro, uma ocasião anual com descontos para quem comprar nas plataformas de e-commerce da Alibaba. No segundo ano, as vendas na data atingiram US$ 135 milhões. Em 2018, o valor chegou a US$ 31 bilhões. Este caso comprova a capacidade visionária de Daniel Zhang, que agora prevê mudanças drásticas para o futuro da empresa.

“Todo negócio tem seu ciclo de vida”, diz o novo presidente em entrevista à Bloomberg. “Se não matarmos nosso próprio negócio, alguém o fará. Então, prefiro ver nossos novos negócios matando nossos negócios antigos”.

Neste sentido, é preciso olhar com atenção para os supermercados Hema (ou Freshippo). As lojas são a forma mais próxima de concretização do chamado “novo varejo” na China e provavelmente no mundo (e foi um projeto de Zhang na Alibaba). Unir a experiência de compra offline com a praticidade do ambiente digital (O2O), apoiando-se em dados específicos de cada consumidor, pode ser a tendência que vai causar a próxima disrupção dos mercados em que a empresa atua. Por enquanto, os supermercados são grandes laboratórios de testes.

No entanto, isto não significa que a empresa está abandonando investimentos no e-commerce tradicional. Muito pelo contrário: na semana passada, a Alibaba concretizou uma aquisição de US$ 2 bilhões neste setor, aumentando a liderança no mercado. Segundo Zhang, o próximo passo é conquistar o setor de delivery de alimentos.

Desafios de sucessão

Quando Jack Ma anunciou, em 10 de setembro de 2018, que iria sair da presidência da Alibaba, as ações da empresa desvalorizaram 4% em um dia. Isto mostra o quanto o mercado global confia no empreendedor que passou duas décadas na posição de liderança.

Se Daniel Zhang conta com as qualidades necessárias para reger uma companhia internamente, ainda é uma incógnita como será sua presença perante o resto do planeta. Em um momento delicado com a disputa comercial entre China e EUA e desaceleração do crescimento chinês, o novo presidente precisará apresentar publicamente a mesma força do antecessor para manter a confiança dos acionistas. Do contrário, a sombra de Ma pode inclusive atrapalhar o andamento da Alibaba.

A empresa continua, indubitavelmente, com a meta de internacionalização como prioridade. O objetivo é conquistar 2 bilhões de clientes mundialmente – sendo 800 milhões de chineses. Atingir este alvo passa por aquisições estratégicas, parcerias globais e aproximar-se do mercado internacional. Neste sentido, a Alibaba criou uma loja de experiências em Curitiba, por exemplo.

A saída de Jack Ma para “se dedicar à educação” parece precoce, visto que o empreendedor ainda tem apenas 55 anos. É possível que ele tenha previsto uma turbulência no mercado e identificado a hora de pular do barco. Também pode ser que ele de fato esteja em busca de novos desafios na área em que atuou antes de fundar a Alibaba. Seja qual for o caso, o maior desafio de Daniel Zhang será estar à altura do seu antecessor.

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