Como a startup Presente em Palavras está escalando um negócio artesanal

Danilo Gurdos criou, em 2016, uma empresa para vender discursos que emocionassem os clientes; desde então, ele conseguiu atrair sócios, um investidor, e já conquistou clientes em mais de 300 cidades, em seis países

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Danilo Gurdos, 30 anos, estudou gestão ambiental na USP. Antes mesmo de se formar, em 2012, estava trabalhando na área de Sustentabilidade da Porto Seguro, que já possuía projetos inovadores como o sistema de gerenciamento de resíduos automotivos e o da bicicleta elétrica Felisa, desenvolvida em 2010 para propor alternativas de transporte não poluentes.

Depois de cinco anos na empresa, ele já tinha participado de programas pioneiros no mercado de seguros como o programa de gestão de mudanças climáticas, um plano de incentivo à cadeia de orgânicos por meio do Seguro Agrícola e um projeto de avaliação e desenvolvimento de fornecedores da Porto Seguro considerando variáveis socioambientais.

Esses trabalhos lhe renderam uma promoção para a área de inovação da Porto, onde Danilo aprendeu sobre novos empreendimentos e modelos de negócios. “Foi ali que eu comecei a visualizar a oportunidade de empreender, uma coisa que sempre esteve na minha cabeça”, conta.

“Sempre gostei de escrever e ouvir discursos. Ao mesmo tempo me incomodava muito a maneira massificada e impessoal como as pessoas e empresas contam as suas histórias”, diz.

Ele decidiu então empreender no mercado de palavras. Mas não em um negócio digital, como por exemplo no mercado de SEO, que trabalha palavras para que elas tenham melhor desempenho nos buscadores da internet, e assim possam fazer produtos e negócios decolarem.

“As pessoas ainda contam suas histórias, que são muitas vezes fantásticas, de forma enlatada, sem graça, sem emoção”, diz. “Nós ajudamos essas pessoas a transmitirem o que sentem.”

Com um investimento inicial de 40 mil reais, afirma o empreendedor, ele montou uma startup, a Presente em Palavras, para vender mensagens (discursos, falas) personalizadas para pessoas e empresas. Assim como Dora, personagem de Fernanda Montenegro no filme Central do Brasil, Danilo ganha dinheiro emocionando sua audiência com suas próprias histórias.

A empresa começou com uma página em uma rede social em 2016 e um ano depois estava com 85 mil seguidores. Faltava, no entanto, um modelo de negócio escalável.

Modelo Escalável?

Ter um negócio escalável significa gerar mais emprego, renda e impacto, onde estiver. Significa também reproduzir em grandes quantidades, repetidamente, aquilo que dá ganho de escala e produtividade a empresa, sem demandar recursos – dinheiro e/ou mão de obra – na mesma proporção.

“Até sermos selecionados para o programa de aceleração da Startup Farm (em parceria com o Google), em 2016, não tinha um modelo de crescimento para a Presente em Palavras”, conta Danilo. Os desafios eram desde definir o preço do produto, criar processos, até como usar a tecnologia para acelerar a empresa.

No programa, Danilo e seus sócios  Victor Pirino (tecnologia) e Fernanda Franco (marketing) tiveram acesso a mentores e investidores que abriram a sua cabeça.

A empresa, que até então era praticamente um negócio artesanal, foi redesenhada para ser um “market place” onde pessoas que têm dificuldade para se expressar encontram escritores especializados em compor textos e discursos para emocionar.

Em pouco tempo, veio o primeiro investidor, o publicitário Wellington Kiko Cesar, que além de investir na empresa se tornou o responsável pela direção criativa de todo o processo de produção de conteúdo da Presente em Palavras.

Ao mesmo tempo que ia se estruturando, a empresa foi criando rotinas para automatizar o máximo de atividades possíveis. Para facilitar o contato com o cliente e conhecer rapidamente a sua história, foi elaborado um questionário online. Foram contratados profissionais especializados em contar histórias, desde redatores a atores, de forma a criar um padrão de qualidade para as entregas.

Inteligência Artificial e emoções

Mais recentemente, a Presente em Palavras se aproximou da gigante de tecnologia IBM para entender como poderia utilizar inteligência artificial no seu processo de construção de discursos. A ideia é trabalhar no que Danilo chama de “estudo da semântica das emoções”. Em outras palavras, o time da Presente em Palavras quer saber como se constroem as “memórias únicas” das pessoas.

E, a partir disso, usar a tecnologia para criar discursos que emocionem as pessoas a partir de suas recordações mais marcantes. Enquanto isso não acontece, a Presente em Palavras funciona como um e-commerce de discursos. Parte do processo de interação com os clientes já foi digitalizado. Uma outra parte, no entanto, ainda é feita de maneira customizada para cada cliente, por oito escritores e cinco contadores de histórias.

O preço médio dos serviços realizados pela empresa é de R$ 250 sendo que um mesmo cliente chega a consumir os serviços da empresa outras seis vezes após a primeira compra. A Presente em Palavras já proporcionou 967 experiências em casamentos, noivados, bodas, aniversários, homenagens, despedidas, formaturas, datas comemorativas, tributos e coletâneas de histórias de avós.

A empresa já conquistou clientes em mais de 300 cidades, em seis países. Danilo e os sócios agora estão em busca de um novo investidor para dar o próximo passo e impactar ainda mais pessoas.

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