Os maiores erros e acertos de Rony Meisler, fundador da Reserva

O empreendedor, que criou uma das maiores marcas de roupas do Brasil; conta como construiu um negócio de sucesso e lidou com as crises da empresa

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Em 2006, Rony Meisler decidiu, junto com o publicitário Fernando Sigal, criar uma marca de roupas inovadora. Assim surgiu a Reserva, que se popularizou pelas camisetas criativas, quase sempre associadas a uma causa, e se tornou referência no país. Hoje, com mais de 2 mil funcionários espalhados pelo Brasil, a empresa se tornou case de sucesso em relacionamento com seus consumidores, comunicação e vendas.

Formado em engenharia de produção, Rony acredita que o pouco contato com a moda foi essencial para alavancar a marca. “Antes de criar a Reserva, eu trabalhava na Accenture. Meu 'mindset' era totalmente diferente da moda, o que me ajudou muito”, diz. Rony sempre questionou as premissas do mercado de moda  o que em sua opinião, foi um dos maiores acertos de sua carreira. “O termo 'disrupção' se popularizou. Mas eu prefiro a expressão 'hackear', que não necessariamente tem a ver com tecnologia. O hacker faz as coisas completamente diferentes do que o mercado está fazendo”.

Os catálogos são um exemplo. Ao fundar a marca, o empreendedor questionou porque as empresas imprimiam tantas cópias em papel. “A maioria dos homens jogavam isso no lixo. Isso impacta negativamente o meio ambiente e não gera nenhuma venda para a marca. Foi aí que tivemos a ideia de investir esse dinheiro em campanhas para dialogar com a sociedade sobre assuntos relevantes”, ressalta.

Assim, as coleções foram criadas com base em temas como preconceito, inclusão e problemas sociais (fome, desigualdade, racismo). Já os desfiles da marca ganharam um novo formato. No São Paulo Fashion Week, por exemplo, a opção da Reserva foi por não colocar seus modelos em passarelas. Para expor suas "coleções", a Reserva orientou os modelos para que interagissem com o público. Na edição 2017 da semana de moda, o desfile foi transmitido ao vivo para mais de 500 mil pessoas. O objetivo é sempre estar próximo do público.

Metade cheia do copo

Segundo Rony, outro grande acerto de sua carreira foi encarar com otimismo até mesmo os maiores problemas. O empreendedor conta como lidou com uma das maiores crises da marca: quando Diego Raimundo da Silva dos Santos, traficante do Rio de Janeiro, se entregou para a polícia vestindo uma polo da Reserva. 

“Isso repercutiu em todos os jornais e revistas do mundo. Ao invés de varrer para debaixo do tapete e fingir que não aconteceu, acompanhamos o período em que ele ficou preso, por meio do Afroreggae, e tempos depois com a ajuda da ONG, reinserimos ele na sociedade”, conta Rony. Depois de cumprir sua pena, Diego virou cineasta e garoto-propaganda de uma das campanhas da Reserva.

Partnership

Rony também acredita que o sucesso de uma empresa está atrelado ao reconhecimento de seus funcionários. Pensando nisso, a Reserva possui o programa de partnership Notáveis, onde os colaboradores com desempenhos acima da média podem se tornar sócios. “Hoje são 24 sócios em uma empresa que tem em sua sede quase 300 pessoas. Isso tem um valor intangível na manutenção e preservação da cultura”, ressalta Rony.

Graças à iniciativa, a Reserva consegue crescer sem perder sua essência. “Normalmente as empresas pensam nisso quando estão começando a perder sua cultura. Nós nos preocupamos com essa questão quando entendemos que tínhamos uma cultura. Se antecipar foi um grande acerto”, ressalta.

Do limão, uma limonada

Nem só de acertos viveu Rony em sua trajetória na Reserva. O empreendedor também cometeu erros, mas conta como conseguiu transformá-los em aprendizado. Um deles aconteceu há sete anos, época em que surgiu a Use Huck, marca de camisetas criada dentro da Reserva em parceria com Luciano Huck, que também é um dos sócios da empresa. O negócio cresceu rapidamente, chegando a 30 funcionários e mais de 300 estampas lançadas todo mês.

Com um estoque de camisetas lisas, as artes eram fixadas de acordo com as vendas. “Na coleção de carnaval, já tínhamos as fotos dos modelos e colocávamos as frases no photoshop. A equipe virou a noite aplicando e subiram no site, por engano, uma arte de uma camiseta adulta em uma fotografia de criança. Ela ficou vinte minutos no ar, mas quando tiramos já tinha se formado um tsunami de críticas”, conta Rony. 

Com a repercussão, os sócios decidiram não manter o projeto. “Percebemos que uma coisa é ter a Reserva e outra é ter uma marca que leva o nome de uma pessoa. No imaginário coletivo, era o Luciano Huck criando as estampas e tirando as fotos”, explica o empreendedor.

Segundo ele, o trauma foi grande. “Eram 30 pessoas trabalhando ali. Em qualquer companhia, elas seriam mandadas embora. Foi então que criamos um negócio 'whitelabel', que presta serviços para toda e qualquer marca de conteúdo na internet que deseja ter uma lojinha de camisetas. Usamos nossa infraestrutura para montar esses negócios”, conta. Hoje, com a mesma equipe de antes, a Reserva UR se tornou dez vezes maior que o projeto anterior.

Hambúrguer brasileiro

“Outro erro que cometemos e também transformamos foi em 2007, com um espaço de cultura no Rio chamado Reserva Mais, que tinha uma exposição a cada trimestre, um espetáculo de teatro e uma apresentação de uma banda nova a cada semana”, conta Rony. A iniciativa foi um sucesso, com cinco mil pessoas circulando por mês em um espaço de 150 metros quadrados.

Porém, ele precisou ser fechado. “Pela localização, começamos a incomodar a comunidade que morava ao redor por conta do barulho, já que não era um lugar preparado para isso”, explica Rony. Mas o projeto não poderia parar por ali. Foi assim que, em parceria com o chef de cozinha Thomas Troisgros, nasceu o Reserva TT Burger, no mesmo local. 

A ideia era oferecer um hambúrguer produzido 100% no Brasil — com pão de batata doce, picles de chuchu e outros ingredientes. E deu certo. “Pretendíamos vender 1.500 hambúrgueres no primeiro mês, e foram quase 10 mil”, conta Rony. Hoje, o negócio, que opera apenas com o nome de TT Burger, já possui sete unidades no Rio de Janeiro e produz em média 40 mil hambúrgueres por mês.

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