Conheça a Unpark, o Airbnb de vagas de estacionamento

Daniela Klaiman, Samantha Barbieri e Michele D’Ippolito, da Unpark; startup surgiu em julho de 2018 para melhorar a mobilidade em grandes metrópoles

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Todo empreendedor que começa uma startup deve seguir algumas premissas, independentemente do ramo em que vá atuar. Uma delas é identificar uma dor, um problema, do cliente. Quanto maior a dor, maior a oportunidade de negócio. Outra premissa fundamental é identificar uma ineficiência de mercado. Se o produto ou serviço da startup propõe uma solução para este mercado, bingo! Maiores são as chances de sucesso.

Quando começaram a discutir a possibilidade de criar um novo negócio, a publicitária Samantha Barbieri, o designer Michele D’Ippolito e a estudiosa de tendências Daniela Klaiman tinham clareza de que queriam se debruçar sobre o problema da mobilidade urbana

“A Daniela estava em Israel e já pesquisava como a tecnologia podia melhorar a mobilidade, à partir de modelos de negócios que estavam pipocando ao redor do mundo”, conta Samantha, que assim como Michele, trabalha e mora em São Paulo. Os dois vivem, há muito tempo, as dificuldades de deslocamento em uma grande metrópole.

Depois de quebrar a cabeça – as conversas começaram em 2016 –, os três chegaram ao problema que queriam endereçar e a uma solução digital, que batizaram de Unpark. Trata-se de um aplicativo (iOS e Android), lançado em julho de 2018 para conectar, por geolocalização, “donos de vagas” a pessoas, que possuam CNH e cartão de crédito.

As dores que a Unpark se propõe a resolver são, do lado do cliente, encontrar uma vaga de estacionamento mais próxima possível do seu local de destino, com a melhor relação custo benefício. Em geral, o desconto fica entre 20 e 50% se comparado com um estacionamento comum, a depender da região e do acordo firmado entre os anunciantes das vagas e a startup. Uma das funcionalidades-chave do aplicativo da Unpark é a reserva antecipada de vagas. Para os estacionamentos, a Unpark é um meio de ocupar vagas ociosas, melhorando a rentabilidade do negócio.

Segundo Michele , para o usuário final, a Unpark é uma espécie de Airbnb de vagas de estacionamento. O aplicativo mostra a oferta disponível e recomenda o valor daquela vaga. Já para um estacionamento parceiro, a Unpark funciona como uma espécie de Decolar.com, pois capta novos usuários online e ocupa espaços ociosos nestes estabelecimentos.”

Os três sócios começaram a empresa com R$ 600 mil, de recursos próprios, para criar o algoritmo, contratar consultores e deixar tudo pronto para lançar o MVP. O início da operação ficou condicionado à entrada de um investidor anjo, o que aconteceu em julho de 2018, com o ingresso do investidor Edmo Chagas, ex-BTG Pactual. O valor do investimento não é divulgado.

Com dinheiro em caixa, os três fizeram uma parceria com a Idwall, fundada em julho de 2016 por Lincoln Ando e Raphael Melo, que faz a checagem da identidade do motorista do veículo, via CNH. Há também uma parceria com a Liberty Seguros, que protege os usuários do aplicativo de eventuais acidentes. A solução faz a checagem de cadastros por meio de cruzamento de dados junto à Secretaria de Segurança Pública para verificar antecedentes criminais do motorista, status do veículo, além da já tradicional validação do cartão de crédito.

No início, o grande desafio foi validar a ideia com os parceiros, essenciais para o sucesso do aplicativo: incorporadoras, administradoras de imóveis, estacionamentos, síndicos profissionais e órgãos como o Sindicato da Habitação de São Paulo. O desafio foi superado batendo de porta em porta, fazendo dezenas de reuniões, com administradores de condomínios, gestores públicos e gestores das redes privadas de estacionamentos.

O sistema da startup conta com um arquivo de vagas mapeadas e pré-negociadas que aparecem na tela do aplicativo. O valor de utilização é mostrado para facilitar a escolha. Para efetivar a contratação da vaga já selecionada, basta preencher as informações no app, estacionar e seguir para o compromisso. O valor é cobrado no cartão de crédito do usuário.

Toda a operação fica registrada no aplicativo e o usuário pode acessá-la a qualquer momento, para esclarecer dúvidas e reportar problemas.

Subterrâneo ocioso

Segundo os sócios, cerca de 25% do total de metros quadrados subterrâneos, em grandes cidades como São Paulo, são espaços ociosos. “Estamos falando de vagas de estacionamento no subsolo dos prédios, por exemplo”, diz Samantha.

O modelo de negócio da Unpark é ser um agregador de vagas ociosas em imóveis residenciais e comerciais, condomínios e terrenos incorporados sem construção, estacionamentos (bandeirados ou não) e onde quer que exista a oportunidade de um ativo imobiliário gerar renda extra. Para atrair os donos das vagas, a startup retém 25% da receita gerada por vaga e repassa os outros 75% para os parceiros.

Espaços privados que se cadastram no sistema, recebem uma nota da startup e, de acordo com a comparação e média de preços praticados na região, o algoritmo da empresa determina o preço da vaga. As vagas mapeadas e operantes estão distribuídas por 18 bairros na região do Centro e zonas Oeste Sul – áreas de grande circulação de pessoas e veículos. Segundo os sócios, a meta da Unpark é cobrir 80% da cidade até o fim de 2019.

Das cerca de 2.500 vagas atualmente disponíveis, 60% estão em estacionamentos de redes como Garage Inn, Multipark, RRM; 10% estão em estacionamentos que não são de rede (controlados por famílias, na sua maioria); 10% são residenciais (casas e condomínios de apartamentos) e 20% estão em terrenos de construtoras e incorporadoras, como Cyrela, Vitacon e Setin, por exemplo.

“Já temos vagas catalogadas e mapeadas vagas nas zonas Norte e Leste”, diz Samantha. Até o final do ano, a expectativa é disponibilizar pelo aplicativo 10.000 vagas. “Contamos com uma equipe comercial nas ruas em busca de oportunidades”, diz a sócia.

O time da Unpark está sendo reforçado para dar sustentação ao negócio. Recentemente, William Mello se juntou aos sócios e hoje responde pela área de tecnologia da Unpark. No segundo semestre de 2018, o faturamento foi de 50 mil reais, mas as perspectivas para este ano são de 180 mil reais e 1,8 milhão, em 2020.

Crescimento via B2B

A grande aposta dos sócios para a aceleração da receita é o modelo de negócio B2B. “Começamos a ter outras demandas em relação às vagas. Há uma grande oportunidade no B2B, onde os clientes são empresas. Pega, por exemplo, uma empresa como a NET, que faz assistência técnica na rua. Há necessidades de parar frotas inteiras. Usamos sistema rotativo. Consigo criar uma política de usuário master e a companhia usa as vagas disponíveis pela cidade. Para a empresa o serviço representa economia de custo e melhora a eficiência do serviço”, diz Samantha.

Na modalidade B2B, o cliente é chamado de usuário master e há diversas formas de comercialização. Por exemplo, contratação que permite uma mesma vaga ser usada por várias pessoas da empresa. Outra em que várias vagas, em locais diferentes da cidade, possam ser utilizadas por uma só pessoa. Ou ainda a possibilidade de compra por lote, na qual o cliente consegue uma negociação melhor pelo volume de vagas adquirido.

A Unpark está em conversas com uma gigante da área de cosméticos para trabalhar com a ideia de mini-centros de distribuição espalhados pela cidade. E já fez parceria com a Yellow, para que os estacionamentos sirvam como pontos de recarga dos patinetes. “Transformamos dez vagas de carro em locais de recarga”, diz Samantha.

Planos para o futuro? “Depois de cobrir 90% da região metropolitana de SP, em 2020, pretendemos expandir para Rio de Janeiro e Minas Gerais”, diz Samantha.

Crédito foto: Marcus Samed

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