Qual é o sonho grande de Thiago Alvarez, o cofundador do Guiabolso?

Thiago Alvarez fundou há quatro anos, com Benjamin Gleason, uma startup que hoje ajuda 5,3 milhões de brasileiros a gerir melhor suas finanças e a acessar crédito mais barato. Mas ele quer mais

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Seis em cada dez brasileiros nunca pararam para fazer o controle do seu orçamento. A constatação é fruto de uma pesquisa realizada, em março de 2018, pelo Serviço de Proteção ao Crédito e Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas. Seis anos antes da conclusão desta pesquisa, Thiago Alvarez e Benjamin Gleason já tinham a dimensão da gravidade desse quadro. Por isso, decidiram sair de seus empregos e começar o Guiabolso.

A startup, que nasceu em 2012 e lançou o seu aplicativo dois anos depois, organiza a vida financeira dos usuários a partir da sincronização das contas bancárias e do informe dos gastos mensais. Hoje, o aplicativo de finanças pessoais tem mais de 5 milhões de usuários e recebeu 215 milhões de reais em cinco rodadas de investimentos.

A plataforma está entre as 100 fintechs mais inovadoras do mundo, segundo um relatório produzido pela KPMG e pela H2 Ventures. Alvarez e Gleason são protagonistas na revolução promovidas pelas fintechs, pois ajudaram com o Guiabolso a democratizar os serviços de educação financeira. Para saber mais sobre a revolução das fintechs, assista a websérie educativa Fintech Revolution, da StartSe.

“Existe um contexto educacional e econômico desfavorável que torna as pessoas (financeiramente) vulneráveis. Elas têm dificuldade de compreensão de conceitos matemáticos básicos. Além disso, não tiveram educação financeira, não possuem reservas e poucas (pessoas) são assalariadas. Do outro lado, o sistema financeiro também é complexo, pouco transparente”, diz Alvarez, presidente da fintech.

O diagnóstico de Alvarez ainda sugere que o brasileiro aprende a administrar seu dinheiro pela dor. Isto é, a gestão do orçamento começa a ser feita depois de ter o nome incluso em um serviço de proteção ao crédito. Pensando nisso, eles desenvolveram a plataforma e o aplicativo Guiabolso, que ajuda a minimizar essa fragilidade.

Tecnologia baseada em Inteligência Artificial

Além de fazer um balanço mensal das movimentações financeiras, indicando renda, gastos e economia planejada, o aplicativo, baseado em inteligência artificial, dá conselhos personalizados, de acordo com três categorias de planejamento:

Gastos essenciais. Nesta categoria, entram as despesas com moradia (aluguel ou financiamento do imóvel), saúde, educação, transporte e supermercado.

Estilo de vida. Aqui entram os gastos com empregada(os) doméstica(os), TV/internet/telefone, bares/restaurantes, lazer, compras, serviços, viagem.

Empréstimos. Fazem parte desta categoria, despesas com juros de cartão, crediário, cheque especial, crédito consignado e carnê.

Um exemplo eficiente do suporte aos 5,3 milhões de usuários do aplicativo é uma simples notificação que diz: “Lembre-se de pagar sua fatura amanhã”. De acordo com a empresa, isso reduz em 11% as multas por atraso.

“A gente quer melhorar a vida dos brasileiros, ajudando àqueles que estão conosco (no App do Guiabolso) a tomar melhores decisões financeiras. Assim, ganhar e gastar melhor o dinheiro. E, no meio do caminho, também transformar o sistema financeiro”, diz Alvarez.

A origem do Guiabolso

A ambição de criar um negócio com impacto social e escalável nasceu há dez anos. Na época, Thiago trabalhava como diretor de planejamento da ONG AlfaSol (Alfabetização Solidária), da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

A ONG AlfaSolParticipar atingiu, por meio de seu propósito de elevar a escolaridade e ampliar a oferta de educação profissional para jovens e adultos, mais de cinco milhões de brasileiros em 2.000 municípios. Isso somente entre 2003 e 2007, com um gasto de R$ 21 reais por pessoa. Esta experiência na AlfaSolParticipar, gerou em Alvarez a consciência da necessidade de atuar profissionalmente para resolver problemas sociais.

“Esse trabalho com a Ruth Cardoso fez com que eu conseguisse entender que é possível ter impacto em larga escala. Aprendi muito sobre eficiência, porque eu fazia a gestão dessa organização gigante”, comenta. Antes, porém, o CEO do Guiabolso vivenciou uma experiência no mercado financeiro – a qual ele chama de “desafio intelectual” – onde juntou as pontas que viriam dar origem à fintech: experiência de nicho e o grande parceiro.

No mesmo dia em que Alvarez entrou como consultor na McKinsey, o americano Benjamin Gleason, cofundador do Guiabolso, também ingressava na consultoria empresarial. Os dois se tornaram grandes amigos e tiveram a oportunidade de trabalhar juntos em dois projetos, experiências que comprovaram a sintonia profissional.

A relação foi se estreitando tanto que, mesmo após o retorno de Gleason aos Estados Unidos, a dupla firmou um compromisso: “um dia iremos empreender juntos”. Para Alvarez, esse já era um desejo antigo. “Eu não tinha nada a perder. Claro que existiam riscos, mas se não desse certo eu voltaria para o mercado. Eu pensava assim: 'se eu tentar e falhar, quando estiver com 70 anos, eu vou olhar para trás com muito mais orgulho do que se não tivesse tentado'. Eu não queria me arrepender de conviver com um ‘e se’”, diz.

Em 2011, Gleason voltou ao Brasil para trabalhar como diretor no Groupon. Em uma noite daquele ano, os dois se encontraram em um bar no Largo da Batata, próximo ao escritório atual do Guiabolso, em São Paulo. Foi nesta ocasião que começaram a esboçar as primeiras ideias do que, mais tarde, iria se tornar o Guiabolso.

Uma ajudinha da Apple para escalar

Alvarez e Gleason combinaram os termos da sociedade antes mesmo de definir quais problemas eles desejavam resolver e qual solução iriam oferecer por meio da startup. As últimas experiências profissionais da dupla inevitavelmente os levaram ao modelo de negócio atual.

“A gente tentou unir algumas coisas: eu estava vindo do mercado financeiro e ele do mundo digital. E queríamos criar impacto na vida das pessoas, principalmente na questão do relacionamento delas com o dinheiro, usando o digital para crescer”, conta Alvarez.

A empresa não revela dados sobre faturamento e receitas. Mas para fundar o Guiabolso, os sócios empenharam cerca de 500 mil reais do próprio bolso. Foram 60 recusas antes da primeira rodada de investimentos. Até 2017, o Guiabolso já havia captado R$ 215 milhões, com Ribbit Capital, Kaszek, QED Investors, International Finance Corporation, Omidyar Network e Vostok.

A fintech começou a decolar quando a Apple destacou o aplicativo em sua loja virtual, em julho de 2014, sem que os fundadores tivessem conhecimento. O número de usuários aumentou exponencialmente e jamais deixou de crescer.

No meio dessa jornada, a startup passou a oferecer serviços financeiros com linhas de crédito pessoal mais econômicas do que bancos tradicionais, com juros a partir de 1,9% ao mês – variável de acordo com a avaliação de cada usuário na plataforma, que a empresa consegue mensurar pelos dados fornecidos pelo próprio usuário.

O crescimento acelerado da companhia trouxe uma percepção mais abrangente sobre o público e os rumos do Guiabolso. “Um dos maiores aprendizados é que não existe ‘a persona’. São 200 milhões de brasileiros e cada um é cada um. Ao invés de a gente adaptar o brasileiro [para uma realidade econômica], nós é que temos de nos adaptar. E o produto tem que ser inteligente. Estamos investindo muito em análise de dados e inteligência artificial desde o ano passado" diz Alvarez.

Sonho grande

Se no início da startup os fundadores eram os responsáveis pela busca de recursos para resolver os problemas do dia a dia, como dinheiro, pessoas e parceiros, hoje eles reconhecem que esse papel mudou. “A medida que a empresa cresce, nós não podemos mais ficar resolvendo problemas. Agora nós temos que garantir que os problemas de toda ordem venham à tona, porque temos pessoal muito melhor para resolvê-los”, conta o empreendedor.

O objetivo final, porém, não mudou. Alvarez almeja deixar um legado não apenas para sua família, como também para tudo aquilo que ele chama de comunidade: o Brasil. “O meu sonho é causar impacto. Se a gente atinge nosso objetivo de transformar a vida financeira do brasileiro, com as pessoas entendendo e contratando produtos melhores e mais baratos, e também criar um mercado financeiro mais eficiente, eu morrerei feliz. Quero deixar um país melhor para os meus filhos e para a sociedade.”

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