O que o fundador da Rheco.me aprendeu no Google e como isso moldou sua startup

Eduardo Andrade trocou uma posição executiva e a possibilidade de carreira global para montar o próprio negócio. Depois de um ano, ele conta como sobreviveu aos altos e baixos da vida de empreendedor

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Já imaginou como seria trabalhar no Google? Eduardo Andrade é um cara que sabe. Porém, há um ano, Andrade decidiu deixar o cargo de gerente de produto em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo para empreender. “Eu sempre trabalhei em empresas grandes, multinacionais, mas desde a época da faculdade eu queria ter meu próprio negócio. No Google, devido ao DNA do Vale do Silício, a minha vontade aumentou muito”, diz o fundador da Rheco.me, uma plataforma de seleção e recrutamento de pessoas, que transforma os colaboradores de uma empresa em fontes de captação de novos talentos. O cliente da Rheco.me é, na maioria das vezes, a área de recursos humanos. Com um ano de vida, a startup já trabalhou com cerca de 50 clientes, entre empresas grandes e pequenas. Andrade não revela quanto a empresa fatura. 

A saída de Andrade do Google não foi fácil. Ele conta que, por se tratar de uma empresa em que muita gente quer trabalhar, a pressão social (familiares, amigos, colegas de trabalho) foi imensa. Ele reconhece que teria maior tranquilidade financeira se ficasse na empresa, mesmo assim seguiu o coração. “Nunca me arrependi de ter saído do Google, nem por um segundo. Quando penso no meu objetivo, percebo que tomei o caminho certo”, diz ele. No início, Andrade se dedicou totalmente ao projeto da Rheco.me. Para dar o pontapé inicial no negócio, o empreendedor utilizou seu próprio dinheiro e, mais tarde, recebeu um pequeno investimento de um fundo de capital de risco, o SuperJobs. Por mais que tenha contado com a ajuda do fundo, Andrade garante que é essencial ter uma boa reserva financeira. Isso porque, segundo ele, esse dinheiro será utilizado, pelo menos no começo do negócio, para suprir necessidades pessoais e da própria startup.

O passo seguinte foi desenvolver um produto mínimo viável para testar o mercado e a viabilidade da ferramenta. Mas, como em muitas startups, Andrade teve de fazer várias revisões do produto e do modelo de negócio. “Continuamos com a ideia de que a recomendação dos funcionários é a melhor forma de contratar, e diversos estudos mostram que um funcionário indicado é melhor do que um que vem por sites de vagas ou headhunters”, diz. A grande mudança foi na precificação do serviço - que antes era cobrado por um valor fixo e hoje a Rheco.me só ganha quando a empresa atinge seu objetivo final, que é a contratação do funcionário.

Outra mudança importante foi a forma de remunerar os funcionários que indicam pessoas para as vagas. “No começo, nós determinávamos quanto ele recebia, mas hoje não, quem determina isso é a empresa”, diz. Além disso, a Rheco.me agora trabalha com sistemas de pontos que podem ser convertidos em prêmios.

O que ele aprendeu no Google?

Segundo Andrade, o ambiente corporativo ensina como fazer os projetos da melhor maneira possível e a envolver pessoas diversas. Essa última característica, especificamente, é extremamente importante no mundo de startups porque, apesar do empreendedorismo ser uma atividades solitária, o empreendedor sempre dependerá de outras pessoas para se desenvolver e fazer sua empresa crescer. “No Google, eu aprendi a fazer pitches, aprendi a vender. Se eu tivesse empreendido na saída da faculdade pode ser que não desse certo”, diz ele.

A burocracia, nesse caso, o ajudou a entender e a moldar seu jeito de pensar, melhorando sua visão estratégica dos negócios. No mundo corporativo, Eduardo também teve contato com coisas que não o agradaram. “Muitas vezes, em grandes empresa, as pessoas são  recompensadas ou promovidas, não pelo seu trabalho, mas pelo barulho que fazem”, diz. Essa prática, segundo ele, desmotiva as pessoas.

Mundo corporativo x empreendedorismo

“Quando você empreende você deixa de ter todo o apoio que a estrutura da empresa. Na startup, tudo começa com uma ação sua”, diz. Segundo Andrade, é necessário muita disciplina porque o empreendedor é o seu próprio chefe. “Politicagem e burocracia”, diz Andrade, também acabam travando os processos criativos numa empresa. No Google, por exemplo, mesmo sendo uma empresa mais flexível, os processos são burocráticos, pois há necessidade de ter rotinas e organizar processos. “O Google não deixa de ser uma empresa com 50 mil funcionários no mundo, ele precisa da sua parte burocrática”, diz. Mas nem tudo no mundo de startup são rosas. “Empreender é muito solitário, então o empreendedor precisa estar bem com ele mesmo e ter muita resiliência”, diz Andrade. “O mundo de startups é uma montanha-russa. Um dia você se dá bem, outro dia você fica na média e em outro você pode falir. Para passar por essa montanha-russa, o empreendedor precisa ter certeza de onde ele quer chegar na vida”.

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