Fintouch: tudo o que rolou na Sala Visa!

Bitcoin e blockchain, fenômeno das Insurtechs, participação da mulher nas fintechs, Corporate Venture, liquidação centralizada e IBM Watson

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O Fintouch, maior conferência de fintechs do Brasil, ocorreu na última terça-feira (15) no Expo Center Norte e bateu recordes: foram mais de 1500 pessoas, 76 expositores, 42 pitches de fintechs, 18 workshops e 90 palestrantes! Tudo isso foi possível devido a uma agenda dinâmica, que reuniu os maiores experts da área para uma tarde repleta de aprendizado e networking.

O evento contou com três ambientes: a Plenária, palco principal onde ocorreram palestras e pitches, e duas salas com workshops, uma patrocinada pela Visa, que tratou de temas como blockchain, insurtech e inteligência artificial, e outra pela PwC, com palestras sobre segurança online, investimento e privacidade e mais.

A seguir você confere tudo que rolou na Sala Visa.

Os trabalhos começaram com um papo sobre BitCoin e BlockChain, composto pelos painelistas Régio Martins, do B3; Marcos Almeida, da ATM; Emília Campos, da Malgueiro Campos; e João Canhada, da FoxBit.

“A nova economia não necessita de um órgão que traga confiança. A confiança foi substituída por um consenso tecnológico. Essa é a grande revolução do bitcoin. Além disso, o banco de dados que registra as transações em bitcoin – o blockchain – garante transparência, imutabilidade, confiabilidade e descentralização”, começou discursando a mediadora Emília.

Se no modelo tradicional os países utilizam suas próprias moedas para transacionar operações – o que leva cada uma delas a ter um determinado valor nos negócios e ainda precisar da intermediação de um operador, seja ele um banco ou qualquer outro tipo de instituição financeira –, no mundo virtual, a integração do meio de pagamento e da moeda já não enfrenta tantas barreiras.

Um dos exemplos desta nova “moeda de negócio” é o Bitcoin. A garantia de segurança e lisura do sistema bitcoin se dá pelo Blockchain, que é uma espécie de livro-caixa ou livro-razão, de acesso público, que registra todas as transações, desde a primeira, com total transparência, mas garantindo anonimidade dos usuários. Uma das grandes vantagens dessas transações é que elas são seguras, irreversíveis, e não contêm informações confidenciais ou pessoais dos clientes. Isso protege os comerciantes de perdas causadas por fraude ou estornos fraudulentos e eles podem facilmente expandir para novos mercados, onde os cartões de crédito não estão disponíveis ou as taxas de fraude são elevadas.

Os resultados líquidos são taxas mais baixas, mercados maiores e menores custos administrativos. Um dos principais players desse mercado é a FoxBit. Basicamente, a startup fornece um serviço de intermediação. Pense nela como o Mercado Livre, que oferece uma plataforma na qual o usuário pode encontrar compradores ou vendedores de bitcoin.

“Em 2014, quando lançamos a FoxBit, todas as corretoras de bitcoin juntas movimentaram R$ 45 milhões. Em 2015, esse número já era R$ 113 milhões. Em 2016, R$ 364 milhões e esse ano já temos R$ 1,4 bilhões – e isso que estamos em agosto. Devemos passar a casa dos R$ 2 bilhões transacionados e a FoxBit representa um pouco mais de 50% do mercado brasileiro. É um mercado grande. Em 2014 éramos duas pessoas. Até o fim do ano devemos chegar em 70”, comenta o CEO João Canhada.

Quem deu sequência nas apresentações foi o executivo do B3 Régio Martins. “Nossa história com bitcoins e blockchain começou lá no fim de 2014. Nosso grupo de tecnologia estudava sobre o conceito; o de operações também olhava para como essa tecnologia podia mudar nossos processos; e o grupo de produtos analisava o viés de status monetário. Juntamos todos esses esforços e criamos uma equipe multidisciplinar. Levamos à diretoria, que acatou a decisão de criar uma vertical focada no desenvolvimento de blockchain. Testamos pilotos, fizemos pequenas provas de conceito, até que no final de 2016, resolvemos entrar em um grande consórcio de pesquisa e desenvolvimento da tecnologia - O R3. Esse ano levantamos uma rodada de investimentos para financiar essa vertente”, conta.

Concebido pela fusão entre a BM & FBOVESPA e a Cetip, o B3 visa maximizar as oportunidades de negócios em um ambiente de mercado dinâmico, desafiador e competitivo em escala global.

A fala foi para Marcos Almeida, da ATM. “Em 2012 decidi ir a fundo nesse mercado de criptomoedas. Criamos um grupo absolutamente técnico, para estudar toda a evolução do que seria esse novo mercado e como ele poderia beneficiar a sociedade. O protocolo bitcoin revolucionou não só a parte das finanças. Estamos voltando às nossas origens, da negociação pessoa-pessoa, empresa-empresa, de uma maneira livre, descentralizada, autônoma, segura, imutável e ihackeável. Hoje temos o ecossistema completo, que inclui tecnologia blockchain, inteligência artificial – para desenvolver capacitação -, as principais criptomoedas, além da nossa própria – a ATMCoin, e pagamentos massificados. A moeda é só um veículo, não é um produto. Estamos falando de um mercado de ativos digitais. Ativos robustos capazes de transportar qualquer coisa do ponto “a”, para o ponto “b”. Pode ser moeda, pode ser linha de produção, pode ser transferência de insumo”, comenta.

Uma das discussões mais quentes sobre o assunto – senão a mais – é sobre regulamentação. Regulamentar o blockchain tornaria todo o processo mais rápido e fácil. Além disso traria uma transparência adicional a esse setor, o que aumentaria o nível de controle de órgãos reguladores contra operações ilegais e fraudulentas.

“Eu não acredito numa regulamentação breve, provavelmente irá demorar um ou dois anos. O mercado está crescendo, mas uma regulamentação que opera em cima dos pontos de troca ou empresas que operam com bitcoin parece mais grave do que regulamentar a tecnologia em si – que é quase impossível. Quando falamos de Banco Central, eu fico mais tranquilo, mas quando falamos de Brasília é que eu me preocupo. Ainda falta muito entendimento e espero que os políticos estudem profundamente antes de tomarem quaisquer decisões. O BC tem um corpo muito bom e entende muito bem a tecnologia. Eles não querem complicar a vida de quem está no setor”, discursa João.

“Hoje é uma tecnologia que já entrega uma eficiência operacional muito grande, principalmente para a galera que trabalha com plataformas tecnológicas, que requerem alta disponibilidade, resiliência. Gosto de fazer uma analogia: quem não viveu o surgimento da internet, lá nos anos 90, está tendo a oportunidade de ver isso de novo. Lá, era muito difícil de imaginar o que temos hoje e como as indústrias mudaram por causa disso. Estamos com um assento na janela para uma nova mudança e esperamos muito mais inovação vindo por aí. O papel dos reguladores é colocar isso em uma forma que não impeça toda essa criatividade de florescer”, finaliza Régio.

O segundo workshop foi sobre InsurTechs, com José Prado, da Conexão Fintech; Cristiano Maschio, da NextOne; e Renato Cordeiro, da BuscaPrev.

“Fizemos uma pesquisa sobre tendências de fintechs, com empreendedores, investidores, especialistas, sobre quais seriam os desafios do setor no Brasil. O que mais apareceu, em todas as entrevistas, foram as insurtechs. É um dos mercados que mais crescem no mundo. Já temos startups com valuation acima de casa dos US$ 3 bilhões. São números expressivos, que só em 2017, já estão páreo a páreo com as fintechs. O que acontece é que ainda não estamos vendo muito desse movimento aqui no Brasil. Seguros carecem muito de inovação. As principais seguradoras do Brasil apontaram três pontos que precisam melhorar: digitalização; cultura de inovação; e corporate venture – essas gigantes ainda olham para as startups como ameaça”, começa José.

As Insurtechs estão modernizando o segmento de seguros, desburocratizando processos, tornando a vida mais fácil. Acompanhando o futuro. Entre as principais características do mercado de Insurtech temos: uma estrutura leve e prática; gestão e controle das atividades empresariais com menos ativos, esforços e material; foco nas necessidades dos clientes; e sistemas nativamente digitais. Essas startups estão atuando em vários pontos da cadeia de seguros, desde a entrega de soluções tecnológicas – que modernizam a gestão das seguradoras -, até aplicações voltadas para facilitar a vida dos consumidores.

A NextOne é uma startup focada em desburocratizar e simplificar a comercialização de seguros e serviços. Trata-se de uma corretora online e multicanal, já que o cliente pode cotar e comprar seguros com um especialista no segmento, que lhe ajuda a escolher o modelo que mais se adequa ao seu perfil.

“Você fala de Insurtech, mas tem todo um meio de pagamento por detrás, por isso também estamos falando de fintechs. A NextOne foi acelerada agora pela Visa, então conseguimos enxergar um pouco além desse processo. Hoje nos transformamos, além de uma insurtech, em um banco pré-pago. O que estamos fazendo com a seguradora é que para usar esse próprio dinheiro do pagamento ela não precisa mais do sistema bancário, que é muito caro. Se você coloca dentro de um aplicativo você faz a transação do algoritmo financeiro, de um código, entre a seguradora, a corretora e cliente. O custo cai. A inadimplência do segmento chega a 30%. Nós conseguimos desenvolver uma ferramenta que reduz essa taxa, somente com a tecnologia. A Visa tem uma API fantástica de cobrança recorrente de aluguel. Você não precisa mais pagar o aluguel, virou uma assinatura. Existe um milhão de oportunidades nesse meio”, comenta Cristiano.

Já a BuscaPrev é um site que oferece a possibilidade de comparação e contratação dos principais planos de previdência privada do mercado, tudo isso de acordo com o seu perfil, disponibilidade financeira e necessidade de investimento.

“Quando falamos de Insurtechs, ainda dependemos muito das seguradoras. Quando compartilhamos nossa visão, notamos que elas ainda não estão muito preparadas para fornecer uma conexão adequada, APIs adequadas. Elas dão dados com atraso, a área de tecnologia não dá um suporte adequado. Enfim, não conseguem falar a mesma língua das startups. Claro que há iniciativas interessantes por parte de algumas seguradoras, mas em grande parte ainda é algo que está obsoleto. Olha a oportunidade”, discursa Renato, o CEO da empresa.

Na sequência, subiu ao palco Priscila Titelbaum, da Neo Law; Stéphanie Fleury, da DinDin; Laura Constantini, da Astella Investimentos; e Carolina Sandler, do Finanças Femininas, para discutir sobre “femtechs”.

“Ouvi o termo femtech pela primeira vez graças a iniciativa de uma inglesa, que tinha estudos que diziam que 80% das decisões de compra do cotidiano (casa, compras, carro) passa por uma mulher. E somente de 3% a 5% dos cargos de liderança em empresas eram ocupados por mulheres. Então ela criou essa expressão, de mulheres em fintechs. Me deparei com isso e adorei, já que estava começando no ecossistema. Quis trazer isso para o Brasil. Bati na porta da ABFintechs, perguntei se havia uma diretora mulher e disse que gostaria de ser. A discussão aqui é: o que nós podemos fazer para amplificar a visibilidade das mulheres no mercado financeiro?”, começa Stéphanie.

Ela está à frente da ABFintechs e comanda as operações da DinDin, um aplicativo de cobrança e pagamentos. Trata-se do único que combina, em uma mesma solução, uma rede social com transações financeiras. Mais do que tudo, a fintech resolve o problema de pagar ou cobrar amigos. Chega de pagar a pizza sozinho! É a hora de facilitar essa relação. É cobrada uma taxa de 3,9% em toda transação via cartão de crédito. Os pagamentos feitos com saldo disponível são gratuitos, assim como o saque. Além de Stéphanie, está à frente da startup Juliana Hadad. É um belíssimo case de liderança feminina.

“Na Neo Law, de 5 sócios, 4 são mulheres. Apoiamos várias iniciativas femininas, desde o MIA (Mulheres Investidoras Anjo), o Venture Capital Woman, a Rede Mulheres Empreendedoras, Mulheres no Brasil.  O primeiro ponto que eu tenho a dizer para todas as mulheres que estão ouvindo isso é: deem a cara a tapa, se descubram. Os clientes do escritório nos viam como ‘as meninas do Neo Law’. Somos advogadas, competentes, que trabalham duro e querem crescer. Precisamos nos firmar, sermos nós mesmas e romper barreiras para encontrar nosso espaço”, complementa Priscila.

Carolina Sandler é fundadora do Finanças Femininas. “Temos um negócio multiplataforma de empoderamento feminino, através da educação financeira como uma ferramenta para ajudar as mulheres a bancarem suas escolhas. Meu grande foco atualmente é tentar aumentar a participação das mulheres no mercado como um todo, liderança feminina e na base de clientes para fintechs. Eu sou jornalista, cobri macroeconomia, trabalhei como relações públicas, até que em 2012 resolvi que queria trabalhar com conteúdo. Queria falar sobre finanças e descobri que não tinha nada no Brasil voltado para o público feminino. Em outros mercados isso era um negócio grande, por isso decidi trazer”, afirma.

O Finanças Femininas é o maior site do Brasil para falar de dinheiro só com mulheres. Lá você aprende a organizar as suas contas, comprar de forma inteligente, poupar e investir.

Já Laura Constantini é sócia da Astella Investimentos, uma gestora de Venture Capital. Sobre o assunto, ela comenta: “inegavelmente o número de empreendedoras é menor que o de empreendedores, mas o que olhamos aqui dentro da Astella é sua capacidade de execução. A hipótese do porque tem mais, ou do porque tem menos, vejo mais como escolha e não restrição. Estive no Insper e questionei quantos por cento das cadeiras de finanças eram destinadas a mulheres. Era 30%. Já começa pela escolha nas faculdades, que as mulheres vão para outros caminhos. Com algumas exceções, claro. Mas tivemos as mesmas condições para vestibular e para escolher essas cadeiras”.

O que levantou a questão. O que pode ser feito para, de fato, atrair as mulheres para o mercado financeiro? As mulheres são as detentoras do dinheiro no cotidiano, mas as decisões de investimento são mais dos homens. O que está sendo feito de errado e o que as fintechs podem aproveitar disso?

“Educação financeira é o primeiro passo. Você tem que olhar para a economia comportamental, os insights da psicologia econômica, entender quais são as dificuldades reais em relação a dinheiro e começar a contextualizar esse universo. A mulher fala de dinheiro diferente do homem. É sempre mais relacionado aos desafios, sonhos e objetivos. Não ao Tesouro Direto ou CDB. Esse é um papo bem masculino. E toda a comunicação de fintechs está voltada para essa linguagem, para esse público. Elas precisam pensar sob uma perspectiva diferente”, aponta.

A palestra seguinte foi um FireSide Chat com Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe.

Trata-se do maior canal de inclusão financeira do mundo. Ela começa discursando: “Não sou economista, não venho de finanças, gestão financeira pessoal. Tenho um marido que estuda quadrinhos e cinema. Eu sempre estudei aplicações e investimento. Essa sempre foi minha maior diversão: aprender a multiplicar dinheiro, a poupar dinheiro, fazer mais com menos. Sempre acreditei que com entretenimento você é capaz de educar as pessoas sem dizer que elas estão sendo educadas. A pessoa entretém e sai daquele conteúdo com um algo a mais. Seja com GIF, com um post, com um vídeo, ela tem que sair diferente. Sou jornalista, então queria aliar uma coisa com a outra”. Essa é a ideia: educar o povo brasileiro financeiramente. E isso envolve mais do que explicar termos de mercado.

“Não acredito que o problema que o Brasil viva hoje seja financeiro. Nossos avós eram exímios gestores financeiros. Acredito que o problema esteja relacionado a disciplina. Não só em relação as finanças pessoais, quanto a tudo. A falta de educação financeira é um sintoma, não a doença. Nossa maior batalha é fazer o próprio mercado financeiro entender que se você falar de educação financeira, você não está contemplando a solução completa. A solução é falar de educação da disciplina, educação para o crescimento, educação para esperança. Como alguém vai querer se educar financeiramente se não acredita no amanhã, se acredita que quem está se dando bem no país é bandido, ou se para ganhar muito dinheiro você tem que ter muito dinheiro. Aqui no Fintouch estamos falando com um público muito distinto, não a população em geral, mas quem faz o Brasil é a população em geral. Meu propósito está nessas pessoas”.

Sobre o que levou à criação do canal, Nathalia comenta brevemente: “Trabalhava na Record e propus um reality: como educar mulheres que são perdidas financeiramente em investidoras. Quatro semanas em uma espécie de ‘Extreme Makeover Money’. Meu chefe gostou tanto da ideia que ele disse que era o apresentador da época que iria fazer. Fiquei insatisfeita e assim surgiu o Me Poupe. Para quem está no meio, ouvir termos como indexador é natural. Não passa pela sua cabeça que alguém tem uma barreira naquela palavra que vai impedir de crescer economicamente. Se não é a vontade de escalar o paredão e ir para o outro lado, você naturalmente se distancia do negócio. Eu queria criar uma coisa que tirasse esses muros da frente das pessoas”.

O primeiro vídeo tem 2 anos. Nesse período, a empreendedora reuniu em seu canal mais de 700 mil inscritos. 700 mil “clientes em potencial”. Uma marca gigantesca, que atrai uma porrada de empresas. Questionada sobre essa trajetória, ela foi enfática:

“O crescimento muito rápido se deu através de metas, trabalho e planejamento. E muito trabalho e muito planejamento. Eu nunca sofri nenhum preconceito, inclusive eu acho que o fato de ser mulher, do ponto de vista até do marketing, ajuda. A minha independência sempre me ajudou”. Discurso interessante, se contrastado com o workshop anterior, sobre femtechs.

Cassio Damasceno, da CIP; Vitor Magnani, do iFood; José Luiz Rodrigues, da JL; e Vanessa Fialdini falaram sobre Liquidação Centralizada.

Basicamente, a partir do dia 28 de setembro de 2018, todas as liquidações financeiras realizadas por cartão de crédito deverão ser controladas por uma instituição autorizada pelo Banco Central. Caso da CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos).

“O BC pretende diminuir o risco sistêmico, quando uma das partes da cadeia entra em colapso financeiro. Acontece em alguns subadquirentes e marketplaces, em que o comprador paga a plataforma, que repassa os valores aos seus lojistas, liquidando créditos de seus estabelecimentos em suas próprias contas de pagamento”, situa Cassio.

Toda instituição que intermediar esse fluxo de pagamentos deverá se adequar a regulação do Banco Central. Quem não fizer isso, será proibido de processar transações por cartão de crédito. O BC alega que a regulamentação traz avanços para o setor, já que nivela os participantes do mercado nas mesmas condições de concorrência e reduz barreiras de entrada decorrentes da atuação verticalizada de alguns agentes.

Para que a medida seja cumprida, foi estabelecido que as bandeiras de cartão sejam responsáveis por garantir que as instituições liquidem os pagamentos dentro da grade única de liquidação na CIP. “As instituições vão passar a pagar os seus lojistas através dessa câmara de liquidação, o que dará maior visibilidade e poder de controle ao Banco Central”, finaliza.

Chegando próximo ao fim das atividades na Sala Visa, Rodrigo Menezes, da Derraik & Menezes; Erico Fileno, da Visa; Daniel Malandrin, do Bradesco; Renato Valente, da Wayra; e Roger Ades, do Banco Rendimento, discutiram sobre Corporate Venture.

No grosso do grosso, essas são novas unidades de negócio desenvolvidas em empresas que já existem e estão consolidadas. O intuito de adotar esse modelo é criar novos selos que estejam isolados da organização e que são capazes de identificar ideias e oportunidades paralelas. A grande vantagem é que dessa maneira é possível manter seu novo negócio livre dos controles e processos burocráticos que são necessários às grandes corporações – e que tiram a flexibilidade e dinamismo de quem procura inovação. Quanto maior o grau de inovação do produto ou do serviço, maior é a necessidade de se manter longe das estruturas existentes das grandes organizações. Então a ideia que valida um modelo como esses é a nutrição, força e proteção de um projeto que terá condições de frutificar e ajudar a expandir as oportunidades de inovação de uma empresa mãe.

“Começamos na Califórnia, onde abrimos nosso primeiro centro de inovação e Corporate Venture, que já tem um valuation aproximado de US$ 50 milhões. Ano passado abrimos um Innovation Studio aqui em São Paulo, onde desenvolvemos trabalhos com nossos clientes – bancos, processadoras, varejo – e abrimos também essa frente de trabalhar com startups. Em um segundo momento, firmamos uma parceria com a Startup Farm e a GSV Labs. Estamos em uma esteira de crescimento. Somos abertos a dialogo com todas as startups, claro que com alguma certa preferência para aquelas que tenham sinergia com nossos negócios. A ideia é que aqui nós sejamos capazes de escalar essas startups para que a Califórnia preste atenção nelas”, começa o Diretor de Inovação da Visa.

Por sua vez, Daniel, do Bradesco, diz que “corporate venture é mais um dos esforços da iniciativa inovaBRA. Descobrimos que é impossível estar presente em todos os modelos de negócios, portanto desenvolvemos a crença de compartilhá-los, através da inovação aberta. Desde 2014, já passaram pela iniciativa mais de 1.600 startups e todo ano escolhemos pelo menos 10 para trabalhar conosco. Queremos oxigenar o banco com a cultura de inovação”.

“Agrupamos todas as nossas iniciativas de inovação através do Telefónica Open Future. A Wayra é nosso veículo de investimento. Ajudamos muito com o negócio, fazer daquelas empresas que estão nos primeiros clientes alavancar com todo o know-how da Telefónica. Já são mais de 600 startups investidas no mundo, 64 aqui no Brasil. A nossa crença é pegar quem está no comecinho e fazer dela algo grande”, faz coro o Country Manager da Telefónica Open Future.

Em determinado momento, Daniel foi questionado por um presente como o Bradesco adotarou a inovação para dentro, antes de todas essas iniciativas com startups?

“Tudo começou com a aproximação dos polos de inovação. O guarda-chuva inovaBRA cobre diversas iniciativas, algumas que o mercado conhece, outras que não. Unimos cinco polos que trabalhavam com áreas de inovação para explorar novas tecnologias. Somente quando estabelecemos um propósito, um plano de execução, conseguimos atrair um patrocinador forte, para acelerar alguns caminhos. É aí que conseguimos fluir internamente. Educar todo o time com inovação, desenvolver ideias e produtos voltados para isso. Criamos time de algoritmos, de dados. Isso facilitou, mas ainda estamos engatinhando”.

Muitos veem o movimento fintechs/bancos como o Davi e Golias da era moderna. A vitória das empresas pequenas parece improvável, mas a soberba e burocracia das grandes empresas é ingrediente fatal para a queda. A Netflix derrotou a Blockbuster. O Nubank se tornou a pedra no sapato de Itaú e Bradesco. O Airbnb oferece mais quartos do que a maior rede hotelaria do mundo. O Uber revolucionou o mercado de taxis. Ser competitivo nunca foi tão complexo. Esse assunto foi tratado em uma última pergunta. “Vocês em algum momento se sentem ameaçados?”.

“Os bancos dependem muito de confiança. E confiança é aquilo né: sobe de escada e desce de elevador. Em contrapartida, as novas tecnologias disruptivas são capazes de nos tornar menos relevantes – como têm feito. A ponto de ameaçar o negócio? Não. Tratamos como um competidor. Temos que equalizar isso, tanto se ele é um peixe grande, quanto um pequeno. O grupo é muito grande e diversificado, então uma startup bater de frente fica difícil, mas um grupo delas, ao longo do tempo, pode causar um efeito. Elas precisam estabelecer essa questão de confiança. Estamos aqui discutindo isso, então temos que nos preocupar, mas a magnitude que foi estabelecida ao longo dos anos é algo difícil de acabar. É um vínculo mais que contratual. A jogada é unir forças para amplificar os serviços financeiros para a sociedade”, finaliza.

Por fim, Jonas Jacobi, vice-presidente da IBM, entrou para falar sobre Watson.

Há uma imensidão de informações não estruturadas geradas todos os dias. A vantagem do uso da inteligência artificial é exatamente para organizar esse cenário e gerar dados com eficiência. O bot não substitui o homem, mas tira o ser humano do processo de rotina que não lhe dá mais prazer. O Watson foi criado para interagir, entender linguagens, aprender novas habilidades e raciocinar com o ser humano. Mais de 80 mil desenvolvedores se beneficiam da plataforma em todo o mundo.

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