Morre Stan Lee, o empreendedor criativo que fez da Marvel um celeiro de super heróis

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Por Isabela Borrelli

12 de novembro de 2018 às 20:35 - Atualizado há 2 anos

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Faleceu nesta segunda-feira (12), aos 95 anos, Stanley Martin Lieber. Mais conhecido por Stan Lee, roteirista e editor da Marvel Comics. Lee foi o responsável por alguns dos personagens e das histórias de maior sucesso da editora. São de sua criação o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico, o Hulk, os X-Men e muitos outros. O criador gostava de se misturar às suas criaturas, e muitas vezes fazia aparições nos filmes do estúdio, algo que virou sua marca registrada. Ele foi um dos grandes responsáveis pela popularidade da Marvel, revelando ser não só um grande artista como também um executivo arrojado e empreendedor ousado.

Super-heróis, empreendimentos e sorte

Sua carreira no mundo dos quadrinhos começou aos 17 anos, quando Lee foi trabalhar na empresa de Martin Goodman, marido da sua prima, chamada Timely Publications, como assistente e logo se tornou editor. O trabalho na editora consistia em imitar os concorrentes: “O que as pessoas estivessem vendendo, nós fazíamos igual. Eu gostaria de ter feito algumas coisas mais originais, mas estava sendo pago para isso”, afirmou Stan Lee para a Inc..

Depois de 20 anos trabalhando na editora, Lee era um profissional frustrado. Naquele trabalho não tinha espaço para usar a criatividade. O ponto de virada foi quando sua mulher sugeriu que escrevesse algo original, independente do chefe gostar ou não. Foi a partir daí que surgiu O Quarteto Fantástico, em 1961. Ele escolheu fazer personagens com emoções e problemas reais. Não só deu certo, como logo depois o editor estava criando histórias icônicas como X-Men e O Hulk.

Foi na década de 1960 que a editora assumiu o nome Marvel Comics, ideia de Lee para dar uma repaginada na marca e também adotar um nome mais atraente.

Quase três décadas mais tarde, a empresa foi comprada pela New World Pictures. Não passou muito tempo e ela foi forçada a declarar falência. A partir de então, Lee criou a Stan Lee Media. “Nós estávamos fazendo vários projetos diferentes. Todos estavam vindo até nós. Eu não fazia ideia que tínhamos problemas, mas um dia em uma reunião com os executivos me contaram que teríamos que fechar, porque não tínhamos como pagar os funcionários”, disse à Inc.

Mesmo com a falência da Stan Lee Media, o editor não quis desistir e empreendeu novamente na POW! Entertainment, aposta que vingou, chegando a fazer parcerias com a Disney. Simultaneamente aos empreendimentos de Lee, a Marvel se reergueu, tornando-se uma empresa bilionária. A nova Marvel convidou o quadrinista para ser presidente emérito, algo que também rendeu a ele algumas aparições mais do que especiais em vários filmes de super-heróis da editora.

Com uma carreira repleta de super-heróis e altos e baixos, Stan Lee uma vez revelou para o Hollywood Reporter que o maior superpoder de todos é simples e pura sorte:

“Durante anos as crianças me perguntaram qual é o maior superpoder de todos e eu sempre digo, a sorte. Se você é sortudo, tudo funciona. Eu tive sorte.”

Os pensamentos do mestre dos quadrinhos

“Minha teoria sobre por que as pessoas gostam de super-heróis é que, quando éramos crianças, todos gostávamos de ler contos de fadas. Os contos de fadas são sobre coisas maiores que a vida: gigantes, bruxas, dinossauros e dragões e todo tipo de coisas imaginativas. Então você fica um pouco mais velho e pára de ler contos de fadas, mas nunca supera seu amor por eles.”

“Ter uma ideia é a coisa mais fácil do mundo. Todo mundo tem idéias. Mas você tem que ter essa ideia e transformá-la em algo que as pessoas gostarão – isso é difícil.”

“Eu costumava ficar envergonhado porque eu era apenas um escritor de histórias em quadrinhos enquanto outras pessoas estavam construindo pontes ou indo para carreiras médicas. E então comecei a perceber: o entretenimento é uma das coisas mais importantes na vida das pessoas. Sem isso, eles podem não sair do fundo do poço. Eu sinto que se você é capaz de entreter as pessoas, você está fazendo uma coisa boa.”

“Eu não analiso as coisas muito de perto. Acho que quanto mais você analisa, mais se afasta da espontaneidade. Eu tenho apenas uma regra: eu só quero escrever uma história que me interessasse – esse é o único critério que eu tenho. Estou ansioso para ver como isso termina? Se esses personagens realmente existissem, eu gostaria de ver o que acontece com eles? … Se eu gosto de algo, há milhões de pessoas que também gostam disso. E se não, envergonhe-se deles.”

“Eu não sou psiquiatra. Tudo o que sei é que o bom filme de super-herói tem ação, suspense, personagens coloridos, novos ângulos – é disso que as pessoas gostam. … [E] todas aquelas coisas que você imaginou – se eu pudesse voar ou ser o mais forte – são sobre a realização de desejos. E, por causa disso, eu não acho que eles vão sair de moda.”

“Eu não tenho inspiração. Eu só tenho ideias. Ideias e prazos.

Fontes: Inc., Washington Post, Hollywood Reporter