Você tem uma visão glamourizada com uma carreira empreendedora? Cuidado!

Da Redação

Por Da Redação

13 de novembro de 2015 às 12:26 - Atualizado há 5 anos

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Por Mike Grandinetti, professor global de inovação, empreendedorismo, marketing e liderança em marketing da Hult International Business School

O empreendedorismo é um campo de estudos que ganha cada vez mais espaço em universidades, seja em nível de graduação ou pós-graduação. Também é uma carreira que atrai cada vez mais os recém-graduados. A imprensa, no entanto, tende a glamourizar o campo por conta do imenso sucesso de um punhado de empresas, como o Facebook e o Instagram, e, por isso, pais e alunos acabam subestimando os desafios inerentes a esta escolha de carreira e a importância de uma abordagem prática e eficiente para o ensino do empreendedorismo.

Nesta coluna, trato de perguntas que costumo ouvir de alunos (e pais) sobre as principais questões que devem ser levadas em consideração ao escolher uma universidade ou escola de negócios como preparação para construir uma carreira como empreendedores.

O empreendedorismo não pode ser ensinado da mesma forma que tópicos tradicionais de MBA, como finanças ou contabilidade. O slogan da Nike, “Just Do It” [É só fazer] é um excelente conselho para empreendedores. Você quer ser um empreendedor? A única maneira de aprender é fazendo. É preciso fazer e errar e fazer de novo até finalmente acertar.

Eu acredito que um MBA pode ajudar. No entanto, aconselho meus alunos a buscar programas em que os docentes sejam eles próprios empreendedores experientes e, idealmente, que continuem no mercado. Os estudantes devem buscar programas que lhes ofereçam a oportunidade de arregaçar as mangas e criar novos empreendimentos, seja por meio de sociedades com colegas, competições de pitch, “hackatons” no campus ou projetos de consultoria para outras startups.

“Lembrem-se, trabalhar para uma startup não é um emprego comum. É uma escolha de vida muito séria.” 

Na faculdade, os alunos devem se inscrever em matérias eletivas para aprender metodologias atuais como design thinking, lean startup e levantamento de capital.

Muitos cursos de MBA agora tem aceleradores de startups no campus para alunos e ex-alunos — e alguns oferecem fundos de capital que investem em empreendimentos de estudantes. Em Boston, o DormRoomFund, capitalizado por uma firma institucional de fundos de venture capital, tem alunos representantes em 12 campi universitários voltados para a pesquisa na região, entre eles MIT, Harvard, Northeastern e Tufts. O fundo faz investimentos semente no valor de US$ 20 mil em empreendimentos estudantis promissores. Stanford, por sua vez, tem o StartX Fund para alunos empreendedores.

O objetivo de estudantes da área deve ser travar o máximo de contato possível com empreendedores, principalmente os que forem da mesma geração, com financiadores de venture capital e investidores-anjo. Qualquer oportunidade de conhecer empreendedores e investidores — seja em palestras em sala de aula, eventos sobre empreendedorismo organizados por clubes de estudantes ou qualquer outra ocasião — deve ser aproveitada. Também é preciso ir além do campus e participar de encontros voltados para empreendimentos e eventos similares para sentir como funciona o ecossistema de startups da região. Esse tipo de conexão é mais provável de acontecer em universidades localizadas em clusters de inovação global bem estabelecidos, tais como Boston/Cambridge, região da baía de San Francisco/Vale do Silício, Londres, Berlim e Cingapura.

O empreendedorismo social está em rápido crescimento. E a maior parte dos argumentos acima também se aplica a ele. Eu realmente acredito que a formação universitária é uma das formas mais eficazes de travar contato com este campo.

E não se esqueça, escolas de negócios são lugares ideais para conhecer potenciais sócios e dar início a seu empreendimento. Empresas incríveis foram lançadas em campi de escolas de negócios por sociedades de estudantes: Airbnb (Rhode Island School of Design), Microsoft, Facebook e Rent the Runway (Harvard Business School), Warby Parker (Wharton School), GrubHub (Universidade de Chicago), Uber (Stanford) e Akamai (MIT).

Os estudantes, no entanto, podem acabar sendo influenciados pelo que sai na imprensa. Muitos deles têm uma visão glamourizada demais do que significa ser empreendedor. E acabam subestimando as dificuldades que vão enfrentar — tais como a alta probabilidade de insucesso do empreendimento e o sacrificante nível de comprometimento exigido para fazer um negócio prosperar. Eu digo a meus alunos: lembrem-se, trabalhar para uma startup não é um emprego comum. É uma escolha de vida muito séria.

A melhor experiência profissional está diretamente relacionada ao emprego que você busca. Assim, se o objetivo for abrir uma empresa, uma das melhores experiências que se pode ter é trabalhar na startup de alguém e aprender com a experiência. Muitos estudantes dizem que preferem ganhar experiência trabalhando para uma grande empresa antes de iniciar o próprio empreendimento. No meu ponto de vista, porém, com poucas e notáveis exceções, trabalhar para uma multinacional não terá muito valor para alguém que pretende ser um empreendedor. Na maioria das vezes, o emprego em uma grande empresa acaba atrasando o sucesso do futuro empreendedor. Não que seja ruim trabalhar em uma multinacional. O problema é que as diferenças entre grandes empresas e startups — em termos de cultura corporativa, velocidade, expectativa de desempenho — são imensas. Em geral, meu conselho é: se você quer trabalhar em uma startup, abra a sua já. Você terá muito mais possibilidade de crescimento — e muito mais chances de conquistar um papel importante, com grandes responsabilidades.

Os hackathons oferecem um ambiente de aprendizado fantástico para empreendedores aspirantes. A palavra “hackathon” é a mistura dos termos “hack” e “maratona”. Um “hack” é uma solução rápida e criativa, embora muitas vezes deselegante, para um problema ou limitação.

Os hackathons rapidamente ganharam importância como eventos de networking, recrutamento e pitching. Em muitos casos, é possível obter investimentos para uma startup. A Salesforce.com, por exemplo, ofereceu um prêmio de 1 milhão de dólares à equipe que apresentasse a solução mais inovadora para um desafio. A grande empresa de capital Kleiner Perkins envia parceiros para cerca de vinte hackathons universitários por ano.

Recrutadores e startups usam hackathons para descobrir universitários que se destacam em um ambiente caótico que emula a dinâmica de uma startup. Para os jovens, os hackathons oferecem um “test-drive” — a oportunidade de experimentar o trabalho intenso de uma startup antes de se comprometer com um trabalho.

No ano passado, a UP Global, maior organizadora de hackathons em todo o mundo, promoveu 1248 eventos StartupWeekend em 568 cidades de 112 países, atingindo a marca de 105 mil participantes. Este ano, a estimativa é chegar a 1800 hackathons, com a participação de muitos universitários. Hackathons específicos para universidades são hoje uma parte importante na cena de startups do setor de tecnologia, e espera-se que mais de 150 eventos interuniversidades sejam realizados em campi dos EUA em 2015, segundo a Major League Hacking, a principal entidade para promoção de hackathons no país.

Os hackathons costumam ser realizados de sexta à noite a domingo à noite, sendo estruturados em torno de pequenas equipes, que ingerem doses cavalares de cafeína na forma de latinhas de energético Red Bull ou copos de café do Starbucks enquanto trabalham para encontrar soluções rápidas, geralmente com a criação de aplicativos de software. No final, os juízes circulam entre as equipes, avaliando os “hacks” para escolher os vencedores.

Para alunos de MBA que não têm formação técnica ou ainda não conseguiram encontrar sócios com experiência na área, hackathons que não estão voltados para codificação de software, como o Protohack, oferecem uma experiência menos intensa. Os Protohacks são eventos de 12 horas em que as equipes desenvolvem protótipos sem a necessidade de escrever códigos. Em vez disso, os participantes usam editores do tipo “arrastar e soltar”, mock-ups e wireframes para se aproximar da rápida criação de protótipos encontrada em hackathons mais tradicionais.