Investimentos chineses no Brasil: Tencent e Nubank, 99 e DiDi, são o começo do novo ciclo de negócios

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

24 de outubro de 2018 às 15:17 - Atualizado há 2 anos

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O Brasil teve o seu primeiro unicórnio – startup com valor de mercado de pelo menos US$ 1 bilhão – após um investimento da chinesa DiDi Chuxing na 99 em janeiro deste ano. Com o aporte, a gigante chinesa de corridas por aplicativo passou a comandar a startup brasileira. Mais recentemente, outro investimento chinês ampliou a presença do país asiático no Brasil: o aporte de US$ 180 milhões da Tencent no Nubank, que fez o valor da fintech saltar para US$ 4 bilhões.

Para Renato Pacheco Neto, cônsul-geral da Suécia no Brasil, esse é apenas o começo. “Tencent e Nubank, DiDi e 99 não são coincidência e não é nada perto do que ainda acontecerá”, disse no China Day Conference, evento da StartSe realizado na quarta-feira (24/10), que traz as maiores inovações e especialistas da China para o Brasil.

O cônsul da Suécia também é conselheiro na Yingke Global Alliance, escritório de advocacia global da China, e vê no país um grande potencial para o Brasil. “A China já é o maior parceiro comercial do Brasil. Ainda não é o maior investidor, mas começou a realizar aportes no Brasil há menos de 15 anos”, comentou.

Muito da aproximação entre os países se deve ao BRICS, grupo político-econômico formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas também por que ambos são líderes de mercado em seus continentes.

“Hoje, nós já temos uma grande participação da China no setor energético brasileiro. Isso acontece porque sem energia, ninguém faz nada. Além disso, grandes empresas, como a Azul, já possuem participação chinesa”, explicou Renato Pacheco Neto. Outro ponto de aproximação entre os dois mercados é a presença de bancos chineses no Brasil – hoje, os cinco maiores bancos da China já estão presentes no país, como o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), Bank of China, Haitong, China Construction Bank (CCB) e Bank of Communications (BoCom), segundo a CNF.

Como fazer negócios?

Em um país com uma cultura tão diferente da nossa, se aproximar é fundamental, mas saber como fazer negócios também é importante. Desde como entregar o cartão de visita – segurando com as duas mãos em uma pequena reverência com as letras visíveis para quem está recebendo ler – até como se portar em reuniões. “Os chineses são muito pontuais. Se você tem uma reunião marcada às 15h, chegue às 14h55 e todo o time que participará da reunião já estará lá”, comentou o cônsul da Suécia.

Entender a cultura e o modo de vida do negociante é importante para a construção de confiança. “Eu não consigo ter faturas pagas de clientes que não confiem em mim – e eles confiam de acordo como eu me comunico com eles. Criar comunicação é fundamental, respeitando suas culturas”, disse Pacheco Neto.

Para ter uma comunicação, não significa, necessariamente, falar chinês. Segundo Pacheco Neto, muitos dos jovens com menos de 25 anos são fluentes em inglês devido as mídias sociais. “Hoje, fala-se mais inglês na China do que nos Estados Unidos”, explicou, comparando o 1,4 bilhão de pessoas no país aos 325 milhões na população dos Estados Unidos.

Ainda segundo o cônsul, em algum momento não precisaremos mais ir a China para negociar com empresas do país. “Muitas empresas chinesas não se contentam com o mercado de 1,4 bilhões – elas querem mais”, finaliza.

Foto: Eduardo Viana