StartSe na Índia: nossa percepção do país que mais cresce no mundo

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Por Isabella Marques

26 de fevereiro de 2018 às 15:56 - Atualizado há 3 anos

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Ao montarmos uma Missão na Índia muitas pessoas nos questionaram o por quê de visitar aquele país? Temos uma visão global de que apesar de estarmos no Brasil, Vale do Silício – o berço do empreendedorismo – e China, existem muitas regiões pelo mundo aonde a tecnologia e a inovação estão evoluindo continuamente e nós precisamos entender e retransmitir esse conhecimento. Por isso esse ano estamos explorando também a Índia e Israel – outras regiões significativas nesse mercado de startup.

Não podemos pensar global sem considerar o sétimo maior país do mundo, portador de mais de 1/6 da população mundial, que mesmo em meio a uma discrepante economia conseguiu construir 8 unicórnios e uma das três empresas mais valiosas de toda a Ásia, a Flipkart – compatível à Amazon no oriente.

Tendo o território equivalente à metade do Brasil e quase 7 vezes a sua população total,  a Índia foi denominada pela Forbes como a quarta economia mundial de mais rápido crescimento no mundo em 2017 e também apontada por um estudo da Universidade de Harvard como o novo motor de desenvolvimento mundial (substituindo até a China), que deve continuar crescendo cerca de 7% ao ano até 2025.

Com mais de 4 mil startups e 400 Venture Capitals a Índia é o 3º país no ranking global do ecossistema de startups, estando atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. São mais de 110 incubadoras e aceleradoras em todo o país, e nós visitamos a maior delas, localizada em Hyderabad, a T-Hub.

Focados no mercado B2B, alguns dos pilares da T-Hub são o Corporativo e o das Relações Internacionais. O Corporate fica responsável por ligar as startups com os clientes corporativos e ajudá-las a escalar seu negócio. Já a divisão de Relações Internacionais se responsabiliza por ajudar as startups indianas a serem globais, além de ajudar a trazer startups do mundo todo para a Índia. Podemos constatar que os indianos criam a maioria dos produtos e serviços pensando em atender as necessidades locais, mas sempre considerando viabilizar a solução globalmente em um segundo momento.

Outra lição importante que aprendemos durante a viagem foi com a startup brasileira SalaryFits, que soube identificar e aproveitar uma grande oportunidade. O que é considerado básico em alguns lugares pode ser desconhecido em outros, como foi o caso do crédito consignado na Índia. Desprovidos desse tipo de serviço, os indianos abraçaram a ideia dos brasileiros que levaram essa atividade pra lá, onde a startup agora segue prosperando.

Muito focados em tecnologia e engenharia o ensino é de altíssima qualidade, do qual alunos que migraram para os EUA e representam apenas 1,5% da população americana, também constituem 34% dos funcionários da Microsoft, 28% dos empregados da IBM, e 36% dos cientistas da NASA. Chocante! O Instituto Indiano de Tecnologia também  é a quarta faculdade do mundo que mais formou fundadores de unicórnios, estando atrás apenas de Harvard, Stanford e MIT.

Nossa percepção foi surpreendente em muitos aspectos. O contraste social é inegável na Índia mas em termos de desenvolvimento tecnológico ela não deixa nada a desejar pro Vale do Silício, aliás pelo contrário. Pessoalmente conheci lugares até mais interessantes que muitas empresas do Vale. Com um design de interiores divertido e estimulante à criatividade, muitas dessas empresas tem um padrão Google e Facebook.

Com o resultado que tivemos na Índia ficamos ainda mais empolgados para explorar o ecossistema empreendedor na China e em Israel.