Um recado para aqueles que querem vir para o Vale do Silício. Texto de Luiz Gomes, da startup LoteBox

Lembre-se do conselho do P. Graham: sua startup precisa estar onde o mercado ferve

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Por Maurício Benvenutti

29 de junho de 2015 às 10:16 - Atualizado há 5 anos

Antes de mais nada, quero me apresentar: sou Luiz Gomes, recifense que largou a carreira acadêmica para ser consultor em modelos de melhoria e aumento de performance no processo para desenvolvimento de software e que hoje trabalha 80 horas por semana empreendendo  minha terceira startup e participando de ações voluntárias que apoiam novos empreendedores darem seus primeiros passos.

Se você tem uma startup já deve ter pensado ou sonhado em vir para o Vale do Silício, se já não veio. Para muitos empreendedores [não só brasileiros] estar no Vale é sinônimo de ter maiores chances de sucesso, afinal é o maior hub de negócios tecnológicos do mundo. Mas o quão importante é que uma startup esteja no Vale do Silício?

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Paul Graham é uma das maiores referências de estratégia de negócios no Vale do Silício com seus ensaios. Na sua trajetória fundou a  Viaweb, vendida para o Yahoo, em 2005 fundou a Y Combinator e já acelerou startups como Dropbox, Airbnb, Stripe, and Reddit. Um dos seus ensaios que me chamou atenção no início da minha jornada na Lotebox foi o “The 18 mistakes that kill startups”, escrito em Outubro de 2006.

No texto, P. Graham cita, entre os 18 motivos, empreender do lugar errado, segundo ele “Padrões elevados; o mercado local está mais abertas para o que vocês está fazendo; o tipo de pessoa que você deseja contratar mora lá; as indústrias de apoio estão lá; os advisors que você precisa encontrar casualmente também estão lá”. Esta é composição do melhor lugar para empreender seu negócio, por esse ambiente favorável que o Vale do Silício se destaca não só nos EUA, mas em todo o mundo.

Se o Vale está nos seus planos, inicie essa jornada observando alguns pontos importantes.

(1) Por que vir para o Vale?

Lembre-se do conselho do P. Graham, esteja onde seu mercado ferve. Nem todo negócio tem alinhamento com o mercado americano, se esse for o caso, não venha para o Vale! Tenha em mente que estando aqui você precisa explorar seu mercado, quanto mais perto dos primeiros clientes, melhor.

(2) Qual a prioridade do mercado americano?

Você conhece seu Target Market? Ele deve ser composto por duas variáveis, perfil de cliente e localização. Suponha um modelo de negócio educacional, a solução está alinhada com as normas e padrões de ensino brasileiro (localização) para crianças entre 5 e 10 anos (perfil). Para expandir, busque o país que tiver maior alinhamento com as normas e padrões brasileiros, isso reduzirá seu custo de expansão. Só venha para os EUA quando esse mercado fizer sentido e tiver baixo custo de expansão.

(3) Seu mercado americano é mais forte na Califórnia?

Esteja aqui quando o mercado americano fizer parte da sua estratégia de expansão. Há prevenções a serem tomadas evitando que você se perca por aqui, a primeira (e mais importante) é identificar onde seu mercado é forte nos EUA. A Califórnia abriga oportunidade de expansão para quase todos os mercados, olhando pra fora do Vale, o movimento de startups cada vez mais forte no Brooklyn, um excelente HUB para startups com foco em música e artes.

(4) Quem são seus competidores americanos?

Estando no Vale do Silício ou em qualquer outro lugar dos EUA saiba exatamente quem são seus concorrentes americanos. Aqui os dados de mercado são de fácil acesso, inclusive em mercado mais tradicionais. Vá atrás de todas as informações possíveis sobre o cenário americano para seu negócio, identifique todas as empresas que fazem o que você faz.

Obs.: Um erro comum cometido por empreendedores brasileiros que vêm empreender por aqui é mostrar ser uma startup do Brasil. Está no Vale, seja do Vale! 

(5) Sua startup é [também] americana?

Um ponto importante que chama atenção de investidores e clientes americanos: sua empresa é americana? Esse tema não pode sair da sua cabeça, vir para os EUA é ser americano, não seja mais uma startup internacional no Vale. Existem caminhos muito utilizados não só por empresas internacionais, a estratégia é abrir sua empresa em Delaware, por exemplo. Olhando para investimentos, são poucos os investidores americanos que colocam dinheiro em empresas internacionais, se esse for seu objetivo, seja uma startup americana.

(6) Quem é seu possível comprador americano?

A última coisa importante que você não deve perder de vista são possíveis compradores da sua startup. Da mesma forma que investidores lhe conectarão com grandes clientes, estarão observando possíveis compradores. Saiba quais empresas podem adquirir a sua, uma compra também tornará sua jornada empreendedora um sucesso.

Obs. Final: Se sua espinha arrepiou quando leu sobre vender sua empresa é porque você está apaixonado por ela. Um conselho de quem está vivendo no Vale vendo empresas comprando e sendo compradas, crescendo e quebrando: Sua startup pode ser o próximo unicórnio, isso pode acontecer nessa ou em futuras startups que você fundar. Se você receber uma proposta [que faça sentido] para ser adquirido por outra empresa, não deixe essa oportunidade passar. Há muitas formas de ter sucesso no empreendimento, inclusive se sua startup for um smart fail.

Luiz Gomes, CEO da LoteBox, startup acelerada no Vale do Silício.