Uber registrou prejuízo de US$ 708 milhões no último trimestre

Da Redação

Por Da Redação

2 de junho de 2017 às 13:58 - Atualizado há 3 anos

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O Uber voltou a registrar mais um prejuízo. A companhia perdeu US$ 708 milhões no primeiro trimestre desde ano, uma melhora frente a perda de US$ 991 milhões que se deu entre janeiro e março de 2016.

A companhia viu suas receitas avançarem 18% de aproximadamente US$ 2,85 bilhões para US$ 3,4 bilhões no período – o que é uma boa notícia. O aplicativo continua “pressionado” pela agressiva política de subsídios para adquirir marketshare, principalmente nos mercados onde ela enfrenta grande concorrência.

A companhia destacou que a redução das perdas é uma boa notícia para alcançar a lucratividade, e, eventualmente, realizar um IPO. Considerada a startup mais valiosa do mundo no momento, o Uber encarna muito bem a mentalidade do Vale do Silício, que valoriza o crescimento da companhia antes de assumir uma lucratividade. Entenda o que faz esta região ser tão inovadora através deste e-book gratuito.

Uber não se preocupa com o prejuízo

É válido notar que a empresa ainda vive uma fase de ganhar escala, não uma fase de embolsar o dinheiro. A companhia é gigante, capitalizada e sabe que no momento é necessário ter prejuízos. Casos como o Uber são interessantes pois a empresa está ESCOLHENDO ter um prejuízo elevado para ter mais lucros no futuro. “Na verdade, a tese do caso do Uber se divide em duas. O primeiro ponto é, se eu tirar todo o investimento em expansão e crescimento do Uber e deixar o negócio como tá hoje, ele ganha dinheiro?”, indaga Pedro Waengertner, CEO da aceleradora ACE, eleita a melhor da América Latina.

Para saber isso, Pedro destaca que é importante ter em mente qual é a utilização do dinheiro. “Tudo que é para investimento e tudo que é para manutenção do negócio atual”, destaca. Ou seja, o dinheiro que a companhia para crescer de maneira agressiva comprando usuários (através de corridas grátis, por exemplo, e outras ações) e o dinheiro para manter os servidores, o suporte e outras coisas em funcionamento.

Caso os investimentos sejam a razão para os prejuízos e a companhia tenha uma geração de caixa positiva com seu negócio, então esse gasto de dinheiro é só para estimular o crescimento e fazer o lucro ser maior no futuro. “Se a empresa consegue com a base atual se pagar ou ter uma margem X, eventualmente o investimento só vai fazer com que ela atinja outro patamar e faturar mais e lucrar mais“, destaca.

Só que nem sempre a empresa já está no patamar de registrar lucros – às vezes ela ainda precisa de atingir um ponto para conseguir ser lucrativa. “Nem sempre isso é verdade. O segundo ponto desta tese é que muitas vezes a empresa para conseguir um patamar de lucratividade ela precisa de um volume X. As vezes o dinheiro que está sendo gasto é para atingir esse patamar X de volume, para conseguir uma lucratividade”, afirma o empreendedor.

Este não deve ser o caso da Uber, que já registrou lucros em boa parte dos mercados que atuia (como Estados Unidos) e já se mostrou capaz de lucrar. Portanto, o primeiro ponto da tese ainda se aproxima “Imagino eu que esta seja a tese do Uber. Eles vão crescer, crescer, crescer e daí com o ganho de ser o líder mundial combinado ao faturamento e eventualmente outros produtos, eles vão dominar o mercado e registrar grande lucratividade”, acredita Pedro.

Contudo, seguir esse tipo de estratégia nem sempre significa que isso vai dar certo – existem milhares de coisas que podem dar errado no futuro e comer a lucratividade futura da Uber, como novos concorrentes mais agressivos. “Sempre é uma tese”, afirma Pedro.

Mesmo assim, muitas empresas seguem essa estratégia. “Tem muita empresa de SaaS (Software as a Service) que abriu capital na bolsa americana e muitas delas dão prejuízo. Os investidores não estão muito preocupados com isso pois se você pegar tudo que ela ganha e tudo que ela gasta para se manter o que ela ganha, ela dá lucro. Ou seja, ela está crescendo e fazendo investimento e quando parar ela vai dar lucro. Só que isso não é regra”, explica.

É capaz que alguns investidores até estimule esse tipo de estratégia para conseguir inflar a empresa para um patamar que ainda é irreal. “Muitas vezes os investidores acharem que a empresa tem que atingir um determinado porte muitas vezes para se tornar atrativa para se tornar alvo de aquisição de outro player, o que quase nunca é uma estratégia saudável e sustentável”, continua Pedro.

É inegável que crescer muito e ter um nome estabelecido e conhecido te traz vantagens que são significativas para continuar competindo. “A tese de crescimento, de se tornar um grande player, é que a partir de um determinado porte, as vantagens de rede de você ser muito grande podem trazer um benefício que hoje não está sendo capturado”, salienta.

Contudo, não se pode deixar isso subir na cabeça do empreendedor e exagerar na estratégia – deixando a empresa insolvente ou capaz de quebrar. Principalmente se não houver um plano claro para a lucratividade. “Existe um risco, muitas vezes considerável, de acabar o dinheiro e a empresa não ter como pagar suas contas”, explica.

Muito por conta disso ocorre pelo atual momento: a abundância do capital no Vale do Silício, que permite empresas captarem muito e usarem esse dinheiro para crescer. “No Vale do Silício vivemos uma era de capital abundante praticamente infinito, de muito dinheiro sendo colocado nas empresas, de uma maneira sem precedentes. E nem sempre só americano. O dinheiro está muito farto e pode acabar distorcendo as estratégias de crescimento”, afirma Pedro.

Não é o que ele acredita para as empresas que ele acelera, já que prefere que elas tenham lucratividade desde os primeiros dias. “No nosso caso, aqui na ACE, a gente não acredita que a empresa possa ser sustentável se ela só depende de investimento. Por isso atuamos nos fundamentos do negócio como valor. Temos uma frase que usamos aqui ‘faturamento e lucro nunca sai de moda’”, destaca.

Muito disso por conta da realidade que vivemos no nosso País: não adianta as companhias nacionais quererem fazer igual no Vale do Silício. “No Brasil vivemos outra realidade, o que não permite muitas vezes uma extravagancia dessas, o dinheiro não é tão abundante, não tem um volume tão grande de fundos e nem eles estão dispostos a fazer esse tipo de deal”, explica.

Não quer dizer que o mercado brasileiro não tenha empresas que estão focando em ter lucro zero e crescer muito. “Tem meia dúzias de empresas que estão super capitalizadas e não dão lucro por uma questão de definição de estratégia dos empreendedores e dos investidores”, conta.

Em suma: é uma estratégia interessante, que pode trazer belos resultados – mas que pode dar errado. “Talvez dê certo, mas não é garantido. Nada é, vivemos no mundo do extremo risco, nós investidores. Eu prefiro um pouco mais de fundamento na equação, que balança tudo para o lado mais sensato da coisa”, termina Pedro.

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