StartSe consolida o maior programa de imersão no Vale do Silício

Da Redação

Por Da Redação

24 de julho de 2018 às 10:11 - Atualizado há 2 anos

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A quarta edição da Learning Experience, programa da StartSe que consilidou-se como o maior programa de imersão do Vale do Silício, começou esta semana reunindo mais de 100 brasileiros entre empreendedores, profissionais de inovação, executivos e investidores. Entre os dias 23 e 27 de julho de 2018, os participantes terão mais de 60 horas de atividades, com palestras, visitas, discussões, workshops e mentorias. Eles também foram divididos em 16 grupos, que desenvolverão, ao longo da semana, um projeto que simula a criação de uma startup. No último dia de viagem, haverá um Demo Day, no qual os grupos fazem um pitch sobre o projeto para uma banca de investidores. Os vencedores ganharão um Apple Watch, além de uma mesa por 3 meses num dos espaços de co-working mais disputados de San Francisco.

As atividades começaram logo cedo na segunda-feira na Draper University, localizada na cidade de San Mateo, que inclui uma escola de empreendedorismo, além de aceleradora, fundo de venture capital e espaço de co-working. Maurício Benvenutti e Felipe Lamounier, sócios da StartSe, comandaram o “esquenta” do programa, contando a história da criação do Vale do Silício, assim como uma série de curiosidades sobre a região.

“Rebeldia, conhecimento e capital são os três fatores que criam as condições para a inovação acontecer. A Draper reúne todos esses elementos num só lugar”, disse Benvenutti. O fundador da Draper University, Tim Draper, é uma das figuras mais lendárias do Vale do Silício, atuando como investidor em empresas como Skype, Baidu, Tesla e Hotmail.

Já Lamounier fez uma introdução de um dos conceitos mais presentes dentro das lições do Vale do Silício: arriscar é fundamental e falhar não é exatamente um problema. “Reid Hoffman, fundador do Linkedin, costuma dizer que se você não tiver vergonha da primeira versão do seu produto, significa que ele foi lançado tarde demais”, disse. “Aqui no Vale do Silício, não se cria um produto para o usuário, mas sim junto com o usuário”, complementou.

Velocidade é fundamental para uma startup

A tarde do primeiro dia da Learning Experience começou com a apresentação do brasileiro Paulo Martins, CEO e co-founder da Arena, plataforma para transmissão de eventos ao vivo. Martins usou a sua experiência como empreendedor para mostrar como a velocidade pode ser a principal arma para uma startup conseguir ter sucesso. “Aqui no Vale, se sua startup não está crescendo de forma rápida, significa que ela está morrendo. Só existem esses dois estados”, disse. “A inovação acontece quando você avança tão rápido que seus competidores não conseguem perceber suas falhas”.

A uma plateia atenta, o empreendedor, que se mudou para os Estados Unidos no fim da década de 2000 com 36 dólares no bolso e chegou a morar na rua, falou sobre a sua trajetória pessoal e profissional. Ele teve passagens por empresas como a agência espacial NASA, a Ubisoft e a Hulu – nessa última, surgiu a ideia da startup de transmissão de highlights de eventos ao vivo, com vídeos curtos, antes de aplicativos como Snapchat e Instagram lançarem os recursos conhecidos como “Stories”.

Em sua apresentação, o CEO detalhou a trajetória da startup no Vale, iniciada em 2014. Martins e seu sócio usaram o primeiro mês para amadurecer a ideia. Os três meses seguintes foram usados para colocar no ar o MVP (Produto Minimamente Viável, na sigla em inglês). A partir daí foram mais seis meses para conseguir captar o primeiro investimento, de 1 milhão de dólares. Com o aporte, Martins montou a equipe e passou a fase de crescimento. “Tivemos mais de 200 portas fechadas antes de conseguir o investimento, mas a cada não você fica mais próximo do sim”, diz. “A realidade é que os investidores estão rezando para você conseguir convencê-los, porque eles precisam investir”.

Growth Hacking

A segunda palestra da tarde ficou a cargo do italiano Tommaso di Bartolo, empreendedor em série, mentor e investidor radicado no Vale. Bartolo está terminando um livro sobre um dos temas mais quentes do mundo do empreendedorismo atual: growth hacking. Nas palavras dele, é a maneira ágil de executar uma estratégia de marketing para aumentar as chances de engajar seu produto ou serviço com o usuário. “Nove em cada 10 startups do Vale do Silício morrem. Em boa parte dos casos, as empresas falham por não saber se comunicar adequadamente”, disse. “O growth hacking ajuda a quebrar o ‘go to market’ em algumas partes e, para cada delas, encontrar uma ferramenta que ajude a melhorar o engajamento com quem está interessado em seu produto”.

Além de apresentar o conceito, Bartolo disponibilizou para a plateia o acesso a mais de 400 ferramentas que ajudam empresas e empreendedores a tornar sua estratégia de marketing mais ágil. Também apresentou uma série de casos práticos, dos mais variados produtos e serviços, em que os empreendedores usaram atalhos tecnológicos para conseguir divulgar seus negócios. “Com as ferramentas de hoje, é possível testar uma série de hipóteses antes mesmo de lançar um MVP”, disse. Entre os exemplos, Bartolo frisou a importância de buscar o público-alvo em lugares inusitados, usar ferramentas que tornem a experiência do usuário mais agradável, ou mesmo de gerar curiosidade, como criar a sensação de escassez. “Quando você usa o gatilho do ‘vagas limitadas’ ou exclusivo para ‘VIPs’, você gera automaticamente uma demanda de quem quer se sentir diferente”.

Decodificando o Vale

Encerrando o ciclo de palestras do primeiro, a americana Michelle Messina, empreendedora e autora do best-seller “Decoding Silicon Valley: The Insider’s guide”, detalhou aos participantes da Learning Experience como age cada um dos personagens que formam o ecossistema do Vale. Michelle lembrou que a inovação só ocorre por aqui porque nasce num ambiente que inclui universidades, áreas de pesquisa e desenvolvimento de empresas, incubadoras e aceleradoras, prestadores de serviço, investidores anjo, fundos de venture capital, além de agências do governo.

No entanto, a empreendedora reforçou que é importante lembrar que o ambiente pode até ser propício, mas também pode ser cruel com empreendedores mal preparados. “É mais fácil de começar, mas também é mais fácil de falhar. Cerca de 90% das startups que estão nascendo hoje não existirão mais daqui a dois anos”, disse, reforçando a responsabilidade dos fundadores. “Normalmente, as startups não são mortas, mas cometem suicídio por decisões equivocadas dos sócios”, afirmou.

Como dica fundamental para quem quer empreender, Michelle deixou algumas lições inspiradas nas boas práticas do Vale: encontrar os mentores certos para a sua empresa é o primeiro passo. O segundo é aprender a terceirizar tudo o que não for realmente estratégico para o seu negócio. Por último, apostar na diversidade da equipe que, segundo ela, é uma das chaves do sucesso do Vale como polo de inovação. “Mais da metade das pessoas que estão no Vale do Silício não nasceram aqui. São mais de 110 idiomas falados na Bay Area”, reforçou.

Fotos: Marcela Truocchio

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