A quarta revolução industrial vem aí para transformar a economia mundial

Vinícius David, executivo da HP, esteve conosco no Silicon Valley Conference, um evento para mais de 1.500 pessoas em São Paulo

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Por Da Redação

7 de outubro de 2017 às 12:16 - Atualizado há 2 anos

Poucas empresas são tão relevantes para a economia do Vale do Silício quanto a HP. Décadas atrás, ela nasceu em uma garagem em Palo Alto e vem mantendo a relevância até hoje. Mas como a empresa pode se manter por décadas no topo da região mais competitiva do planeta? “A empresa se reinventa todos os dias. A HP é a fundadora do Vale do Silício, a primeira startup do planeta”, afirma Vinícius David, executivo da empresa no Silicon Valley Conference.

Ele saudou todos que estavam presentes no evento, por entender que cada um dos mais de 1.500 participantes vai ajudar a mudar positivamente o Brasil. “Vocês estão aqui para reinventar a sua empresa, sua comunidade, para reinventar o Brasil!”, destaca.

Para ele a cultura da HP foi super importante para que a empresa não passasse por problemas que outras gigantes passaram. “A HP podia ter explorado esse produto [calculadora] até o fim, como a Kodak”, afirma. “Mas a gente precisou se reinventar”, explica Vinicius.

Essa cultura é uma cultura de inquietação, uma cultura de buscar o que é o futuro do planeta aonde ele estiver – sem a arrogância típica de grandes empresas. “A gente precisa ter humildade, o que manda no Vale é a informalidade do Allstar. Precisamos entender, lá na HP, o que está acontecendo dentro das pequenas empresas. E fazer parcerias”, conta.

Um dos focos da empresa agora é na quarta revolução industrial, uma era de manufatura on-demand. “Em 1700, a primeira revolução industrial acontece com a energia a vapor. A segunda é a produção em massa, divisão do trabalho. A terceira é a robótica e agora a quarta vem com a manufatura digital”, diz.

A tecnologia de impressão 3D, básica, já existe há 30 anos – mas só agora ela avançou para um ponto em que ela pode transformar o setor industrial, fazendo tudo mais fácil, mais barato, mais tranquilo. “Era caro produzir em 3D. Isso está mudando”, destaca.

Para ele, essa tecnologia deverá acabar com um dos grandes problemas do capitalismo: produtos fabricados, mas nunca vendidos – que geram custos e prejuízo para as empresas. “Só nos Estados Unidos existe US$ 1,8 trilhão em inventário parado. Isso é perda, ociosidade, isso é dinheiro que poderia estar sendo reinvestido, para fazer ela circular, gerar empregos”, afirma.

A HP espera acabar com esse problema, melhorando o capitalismo mundial e democratizando vários produtos ao reduzir o custo de produção, transporte e estocagem. “Com a produção digital, on-demand, a gente vai criar um mundo sem estoques e sem inventário”, diz.

A expectativa da empresa é conseguir entrar fortemente no mercado de manufatura, um dos maiores do mundo, mudando completamente a forma que as pessoas produzem e vendem os produtos. “A nossa visão é resolver o problema de supply chain no planeta. Queremos disruptar esse mercado de manufatura global, de US$ 12 trilhões”, salienta Vinícius.

Isso faria a HP entrar em um mercado gigantesco, competindo com empresas que não veem a HP como adversária atualmente, como a Foxconn. “A competição não vem do meu competidor atual, vem de um forasteiro. E a HP quer ser esse forasteiro no mercado de manufatura”, afirma. Ele mostrou uma impressora 3D nova da HP, capaz de imprimir em 3D de maneira muito mais rápida. “Sabe quantas patentes tem neste produto? Cerca de 1.000 patentes”, conclui.

O executivo destaca que já há vários clientes que utilizam dessa solução criada pela HP. “Criamos algo totalmente disruptivo e quem está comprando isso? BMW, onde boa parte das peças já são impressas, Nike, entre outras grandes empresas”, diz.

Isso terá alguns efeitos práticos: o primeiro, produtos melhores e mais bem ajustados para cada usuário. “Temos um scanner que vê exatamente a forma do seu pé. E imprimimos de acordo, para você nunca mais se machucar”, exemplifica.

Segundo efeito prático é que a existência de uma impressora vai fazer com que peças antigas sejam mais facilmente disponibilizadas, além de diminuir o tamanho dos lugares que guardam estoques (que não mais serão necessários). “Pensa na indústria automotiva. Se tiver que manter peça de todos os produtos, como vamos fazer? Onde vamos guardar? Amanhã a gente pode só imprimir. A loja vai ser só uma garagem”, afirma.

E um terceiro efeito prático é que os produtos quebrados poderão ser consertados de maneira muito mais fácil, dando o exemplo da própria impressora. “50% das peças de impressoras 3D são feitas pela própria impressora. Ela se regenera!”, completa.

Outro produto sensacional que a HP inventou é uma “mochila” de realidade aumentada, que vem com um óculos. Isso permite que funcionários de empresas sejam treinados com muito mais agilidade, além de que permite prototipar virtualmente. “Fizemos para gamers, que até gostaram, mas ouvimos muito de empresas ‘e se fizermos isso para o autocad? Fizemos e deu certo”, completa Vinícius. Tudo isso é a indústria 4.0.