Learning Experience passa por Stanford, Plug and Play e garagem da HP

Terceiro dia do programa de imersão da StartSe abordou temas importantes como fintechs, inteligência artificial e cultura corporativa. Também visitou os principais marcos do Vale do Silício

Avatar

Por Da Redação

26 de julho de 2018 às 07:57 - Atualizado há 2 anos

Fintechs e inteligência artificial são dois assuntos que dominam as discussões no Vale do Silício, tanto do ponto de vista do surgimento de startups como no de atração de investimentos. Não por acaso, a revolução em curso no setor financeiro tradicional tem um potencial de impacto gigantesco na vida dos seres humanos, sobretudo para o consumidor que não é o público-alvo dos bancos. Esses temas abriram o terceiro dia da Learning Experience, maior programa de imersão no Vale do Silício, que reúne mais de 100 brasileiros na região mais inovadora do mundo entre os dias 23 e 27 de julho.

A apresentação ficou a cargo de Cristiano Oliveira, fundador da fintech Olivia AI, baseada no Vale do Silício. A Olivia é um aplicativo que usa inteligência artificial e machine learning para ajudar seus usuários a economizar nos gastos. “Nos Estados Unidos, a maior parte dos trabalhadores recebe por hora e não tem décimo terceiro. Cerca de 80% gasta todo o dinheiro que recebe”, disse. “Nosso objetivo é ajudar essa pessoa a economizar pelo menos um salário mensal por ano.”

A Olivia é um aplicativo que lembra uma ferramenta de chat. O usuário precisa cadastrar as contas do banco e dar acesso a sua rotina de tarefas. O resto a assistente aprende sozinha. Por exemplo, a Olivia consegue reconhecer os dias que você costuma fazer suas compras de supermercado e em qual loja você costuma frequentar. Se ela encontrar algum mercado próximo mais barato, irá sugeri-lo. O app também oferece descontos para produtos e serviços com base no comportamento do usuário. “No futuro, entraremos em nosso carro autônomo e ele já saberá para onde ele deve nos levar e qual é o caminho mais eficiente”, afirmou Oliveira. “A Olivia fará a mesma coisa, mas garantido que seus gastos serão os mais eficientes possíveis”.

Liberdade e responsabilidade

A manhã do terceiro dia da Learning Experience continuou nos corredores da Plug and Play, em Sunnyvale, uma das principais aceleradoras de startups do Vale do Silício. Falou-se muito sobre a cultura disruptiva que impera nas empresas da região, que tem a sua estratégia corporativa baseada em duas premissas: liberdade e responsabilidade.

Em muitos casos, gigantes com milhares de funcionários abrem mão de processos formais para apostar na autonomia quase que integral de engenheiros, vendedores, departamento de marketing etc. São eles que definem suas próprias metas com base em diretrizes mais gerais das companhias. Não há prestação de contas de eventuais gastos que o funcionário ache importante fazer: por exemplo, uma viagem a um congresso com transporte e hospedagem não precisa de justificativa e autorização dos chefes. Por último, algo que vale ouro no Vale do Silício, onde as pessoas costumam tirar poucos dias de folga: algumas empresas já começam a oferecer benefícios como férias ilimitadas a seus funcionários. São eles que definem quanto tempo vão tirar e quando.

A Nova Economia

O ambiente que permite o surgimento de startups inspiradoras como a Olivia e de empresas com liberdade extrema para os seus funcionários foi tema da palestra de Maurício Benvenutti, sócio da StartSe e autor dos livros Incansáveis e Audaz. Ele lembrou que já estamos vivendo a era da Nova Economia junto com ela é preciso um novo mindset.

Benvenutti descreveu os cinco fatores fundamentais para profissionais e empresas que querem prosperar na nova economia. Primeiramente, o propósito: as pessoas irão comprar mais o seu produto ou usar o seu serviço se ele tiver um propósito alinhado com o dela. Em segundo lugar, a capacidade de olhar a próxima curva, ou seja, prever para onde irá caminhar o mercado que você atua e o que você precisa para continuar à frente dele.

Em terceiro lugar, questionar. Incentivar que as pessoas que trabalham com você não tenham medo de questionar se o caminho pelo qual a empresa está seguindo faz sentido. Em quarto lugar, a capacidade de fazer um produto com o cliente e não mais para o cliente. Isso é válido desde o processo de validação da ideia até nas melhorrias do produto que já existe. Por último, apostar na diversidade de pessoas e culturas, uma das características fundamentais do Vale do Silício.

Na parte da tarde do terceiro dia da Learning Experience, o grupo deu uma pausa nas discussões que visam o futuro e fez um retorno ao passado. Os participantes visitaram alguns dos principais marcos do Vale do Silício, como a garagem da HP, fundada em 1938 por Bill Hewlett e David Packard, e pela Universidade Stanford, berço de empresas como o Google, Nike, Sun Microsystems e Yahoo!.

Fotos: Marcela Truocchio