Learning Experience mergulha em temas fundamentais do Vale do Silício

Da Redação

Por Da Redação

25 de julho de 2018 às 09:08 - Atualizado há 2 anos

Logo ReStartSe

GRATUITO, 100% ONLINE E AO VIVO

Inscreva-se para o Maior Programa de Capacitação GRATUITO para empresários, gestores, empreendedores e profissionais que desejam reduzir os impactos da Crise em 2020

O segundo dia da Learning Experience, programa de imersão que reúne mais de 100 brasileiros no Vale do Silício em julho de 2018, começou com uma palestra de Pedro Sorrentino, co-fundador e gestor da ONE.VC, fundo de venture capital baseado em San Francisco. Sorrentino, que mudou-se para os Estados Unidos há seis anos, apresentou um panorama do mercado de investimentos de risco no mundo, mostrando as particularidades das regiões mais atrativas tanto para startups como para investidores. Segundo ele, somente no primeiro trimestre de 2018, foram mais de 28 bilhões de dólares investidos em 1683 startups. “O Vale do Silício concentra 25% de todo o capital do risco do mundo. Apesar disso, a concorrência é muito alta e levantar dinheiro não é fácil”, disse.

De acordo com Sorrentino, o Vale ainda é um dos ecossistemas mais frutíferos para investidores do mundo, mas citou a China como uma região que vem se destacando e deve tornar-se em breve protagonista. “Acredito que em pouco mais de dois anos o mercado de VC na China irá se tornar o mais atrativo do mundo”, afirmou. O gestor da ONE.VC acredita que tecnologias como inteligência artificial e machine learning são os grandes destaques do país asiático. “No passado, a China era vista como uma terra que copiava tecnologias de outros países. Hoje eles estão à frente da inovação e tem a vantagem de contar com uma mão de obra que está acostumada a trabalhar mais”.

Ao fim da palestra, Sorrentino respondeu a uma série de dúvidas dos participantes, especialmente em relação às principais características que os fundos priorizam nas startups que recebem investimentos. São elas: ter um MVP (Produto Minimamente Viável) que se encaixe no mercado; ter sócios que se complementem e, principalmente, que saibam lidar com eventuais conflitos. Por último, mostrar capacidade de continuar levantando mais capital.

A inovação nas corporações

Vilmar Grüttner, head do Labb do Banco do Brasil

Na segunda palestra do dia, os participantes saíram do mundo do venture capital e passaram a navegar nas águas da inovação corporativa. No Vale do Silício, ninguém melhor para mostrar as oportunidades e os desafios nessa área que Vilmar Grüttner, head do Labb do Banco do Brasil. O braço de inovação do banco brasileiro sediado no Vale virou uma referência de corporate innovation ao fazer a incubação avançada de projetos internos de caráter estratégico. “Aliamos esses projetos nascidos de ideias de dentro do banco a um modelo de inovação aberta. O Banco do Brasil não veio para o Vale do Silício para ficar olhando para o umbigo, mas sim para trocar experiências com outras instituições financeiras e startups”.

Grüttner lembrou que inovar dentro das corporações não é apenas uma forma de abrir novas frentes de negócio, mas também de sobrevivência. Não faltam casos recentes que mostram que o mercado é cruel com quem não tem uma política de inovação constante, como Blockbuster e Kodak. “Uma pesquisa recente mostrou que mais de 40% das empresas hoje acreditam que seus negócios correm um alto risco por causa da chegada de novas tecnologias”, disse. Por isso, em muitos casos empresas acabam apostando mesmo em segmentos não conectados com o seu negócio principal. “Alguém imaginava que a Amazon se tornaria um estúdio de cinema para produzir séries e filmes?”.

Para ele, a cultura de inovação e cooperação é o que faz o Vale do Silício uma região frutífera para grandes empresas em busca de inovação. É preciso, no entanto, ter uma estratégia muito clara sobre o que a corporação busca se aventurando por aqui. “Temos pesquisas que mostram que 78% das empresas preferem investir apenas em inovações contínuas, incrementais, porque têm retorno sobre investimento garantido”, disse. Esse tipo de inovação, ainda que importante, não é suficiente. “Inovar é como ter uma religião. Você primeiro acredita para depois vir o milagre. Não o contrário”, afirmou, citando uma conversa que teve com o executivo de um outro banco brasileiro.

O futuro do trabalho

A manhã terminou com uma inspiradora palestra do americano Gary A. Bolles, um especialista reconhecido internacionalmente, que fala sobre o futuro do trabalho e o futuro do ensino. Bolles, que é professor da Singularity University, referência de educação empreendedora no mundo, falou sobre quais as estratégias que indivíduos e organizações devem adotar para prosperar na transição para a Nova Economia. “No ano passado, 25% das universidades americanas gastaram mais do que ganharam. Modelos de ensino tradicionais devem sofrer um processo parecido com o pelo qual passou o mercado de jornais e revistas”, disse.

Bolles acredita que o futuro do ensino está atrelado ao tipo de profissional que as empresas passarão a demandar na Nova Economia. Segundo o professor, trabalhos mais repetitivos e analíticos serão substituídos por um conjunto de novas tecnologias, abrindo mais espaço para profissões com demanda para criatividade e intuição. “Precisaremos de profissionais aptos a resolver problemas que ainda nem conhecemos”, disse. “A única forma de conseguir se preparar para esse cenário é investindo na educação contínua, baseada na resolução desses problemas”.

Blockchain: além do Bitcoin

As atividades da tarde iniciaram com Shuonan Chen, professora da Singularity University, que falou sobre uma das tecnologias com maior potencial de impacto no mundo na próxima década: o blockchain. O sistema de controle digital descentralizado permite criar uma relação de confiança entre as transações tão forte que traz um ganho de eficiência e redução de custos impensáveis até pouco tempo.

Conhecido por ser “o sistema por trás do Bitcoin”, para citar sua aplicação mais famosa, o blockchain vai muito além do universo das criptomoedas, como detalhou Shuonan. A professora mostrou uma série de usos de computação descentralizada, de aplicativos de encontro à integração de bandeiras de cartão, companhias aéreas e hotéis no mesmo programa de fidelidade. “A realidade é que o blockchain tem potencial para resolver dores de praticamente todos os setores que dependem de algum tipo de transação digital”, disse.

Falhar é preciso

Steve Jobs, Bill Gates, Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos. O que eles têm em comum? Sim, são empreendedores bilionários que revolucionaram o mundo por meio da tecnologia. Mas há outro aspecto que une todos eles: todos falharam antes de conseguir alcançar o sucesso. Quem trouxe esse tema tão caro ao Vale do Silício foi o sócio da StartSe, Felipe Lamounier, na palestra “Fail Fast, Fail Often”.

Lamounier citou diversos dados reforçam esse conceito. A idade média dos empreendedores que alcançam o sucesso no Vale é em torno de 40 anos, contrariando o senso comum de que são jovens universitários e rebeldes. “Na maior parte dos casos, a startup que consegue prosperar é a segunda ou terceira tentativa do empreendedor”, disse. “Significa que o fundador está mais preparado e já aprendeu com os erros.”

O conceito é tão disseminado pelo Vale do Silício que, anualmente, mais de 2000 pessoas se reúnem num evento chamado FailCon, que reúne histórias de fracassos do empreendedorismo. O objetivo de quem vai é aprender com quem já errou. “Na última edição do evento, o fundador do Waze trouxe um dado muito interessante: o empreendedor que está em sua segunda startup tem 5 vezes mais chance de fazer seu negócio dar certo”, afirmou.

Uma nova era para o marketing

No passado, as empresas definiam como abordar o consumidor. Hoje, são os clientes e usuários, munidos de smartphones, que decidem onde e quando querer ter contato com as empresas. Na última palestra do dia, Rodrigo Espinosa, professor de UC Berkeley e vice-presidente da agência de marketing George P. Johnson, falou sobre os principais desafios para as empresas na era da Nova Economia do ponto de vista do marketing.

“O propósito da empresa nunca foi tão importante já que boa parte das tecnologias estão se tornando commodities”, diz Espinosa. “A startup precisa entender qual é o seu propósito com base nos seus consumidores. O que o fundador acha legal não necessariamente é o que vai atrair seus usuários”, disse.

Para reforçar o conceito, Espinosa citou uma série de casos de empresas bilionárias hoje que criaram modelos de negócio impensáveis há poucos anos, mas que são totalmente alinhados com o propósito dos seus usuários. O Uber é a maior empresa de transporte do mundo e não tem veículos. O Airbnb é a maior companhia de hospitalidade do mundo sem ter um único quarto de hotel. A Amazon é a maior varejista do mundo com pouquíssimas lojas-conceito. A grande sacada dessas companhias foi parar de olhar os modelos tradicionais de negócio para enxergar quais eram as reais demandas do usuário.