Labbs: a experiência do Banco do Brasil no Vale do Silício

“A gente quer retomar o espírito de startup dentro do banco”, afirma Vilmar Grüttner sobre a área de tecnologia e inovação

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

16 de novembro de 2017 às 10:14 - Atualizado há 2 anos

Labbs

Conforme falamos aqui, o Banco do Brasil foi para o Vale do Silício. E foi para lá fazer o que aquele ecossistema pede: inovar. A estatal aposta no intraempreendedorismo – a inovação dentro da própria empresa. Em entrevista exclusiva para a StartSe, Vilmar Grüttner, head do Labbs, conta a experiência e projetos desenvolvidos no Vale.

O Banco do Brasil recebe esse nome por ser justamente o pioneiro no país. Criado no século XIX, é um banco tradicional no Brasil. Mas não é por ser tradicional e já de grande sucesso que o banco deixa de inovar. Em junho de 2016, foi criado o Labbs no Vale do Silício.

O Labbs nasceu da necessidade de desenvolver e testar as boas ideias que os funcionários do próprio banco possuem, em um ambiente seguro. “Quando pensamos em algo novo no jeito tradicional, pensamos em algo que funcionará para a empresa toda, para todos os clientes. Isso de certa maneira te dá pouca margem de manobra pra testar coisas diferentes ou ser inovador”, afirma Vilmar Grüttner, head do Labbs.

O Banco havia visitado o Vale e se surpreendeu com o poder de disrupção do local. Decidiu, então, juntar o útil ao agradável. E deu certo. “O Labbs é um espaço seguro de experimentação para trazerem as ideias e botar a mão na massa. É dizer: ‘você teve a ideia, mas teve a ideia para outro fazer?’ Não, vem aqui e faz. Suja as mãos na graxa”, comenta Vilmar. Ele também diz que essa é uma forma de resgatar o “espírito de dono” que as vezes se perde em uma grande empresa. No Labbs, cada um é dono de sua própria ideia, que é desenvolvida em conjunto com um time em três meses.

“A gente quer retomar o espírito de startup dentro do banco”, afirma Vilmar. Para ele, a área de tecnologia e inovação do Banco deve dar oportunidade para ideias disruptivas, tal como as startups. Essas ideias podem parecer inalcançáveis no primeiro olhar, mas podem virar uma nova linha de negócios no futuro que pode ser muito rentável. No entanto, ele entende que não é possível estender essa mentalidade a todo o banco pois alguns processos requerem estabilidade e maturidade.

Projetos em desenvolvimento

Atualmente, o Labbs têm trabalhado em soluções para melhorar o acesso à concessão de crédito do Banco do Brasil. Já os clientes que trabalham com agronegócio também se beneficiarão das inovações do Labbs, pois estão desenvolvendo tecnologias para facilitar suas rotinas. Essas tecnologias não necessariamente têm a ver só com o banco, que visa colaborar com o cliente em suas vidas.

“Hoje, já passaram pelo laboratório mais de 250 funcionários desenvolvendo projetos ou tendo uma experiência dentro do laboratório. Eles trabalham com metodologia ágil, times multidisciplinares, fazendo diferente com novas ferramentas. São transformações culturais que estão mudando a cara do banco, mas é um trabalho a longo prazo. É uma maratona, não uma corrida de 100m”, relata Vilmar.

Prêmio

O Labbs recebeu um prêmio da aceleradora Plug and Play e, para o Labbs, é a certeza que a ideia deu certo. “A gente queria viver o ecossistema, trazer o pessoal do Brasil para viver e respirar esse ar. Foi uma coisa diferente pra Plug e recebemos muitas visitas de empresas que ainda estão buscando um modelo pra fazer inovação, de como elas podem engajar. Foi um reconhecimento muito legal porque fazia um pouquinho mais de um ano que a gente tava aqui”, comenta.

Labbs em Brasília

O Labbs possui um braço em Brasília – um laboratório que funciona concomitante ao do Vale do Silício. Lá, são elaboradas atividades diferentes, etapas de projetos que não são realizadas no Vale – como a garagem e aceleração. “O gerente do Labbs em Brasília era da turma do primeiro projeto que veio para o laboratório do Vale. É alguém que viveu isso durante três meses, rodou o projeto aqui, conheceu o ecossistema e hoje lidera essa turma no Brasil”, comenta Vilmar.

A tendência continua ser trazer mais pessoas para o Vale. Diretores do Banco do Brasil já participaram das missões no Vale do Silício da StartSe. “A ideia foi justamente: conversa com gente que está na missão, conversa com as empresas, tenha essa percepção do ecossistema. E isso tem ajudado muito, as pessoas voltam do Vale com um senso de urgência muito bom”. As missões para o Vale do Silício são oportunidades acessíveis e disponíveis atualmente e ajudam muito a entender o mindset da região, confira aqui.

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