Grabr e o novo modelo de negócio: a logística social

O modelo da startup não se restringe à entrega de um produto ou serviço, ele vai além

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Por Isabela Borrelli

25 de setembro de 2018 às 21:19 - Atualizado há 2 anos

Há pouco mais de um ano, eu queria muito ter um Fitbit, que, para quem não conhece, é um rastreador de atividade física. Pesquisei em diversos sites, mas todos que estavam revendendo o produto aqui no Brasil cobravam um preço absurdo… Ao mesmo tempo que não conhecia ninguém que ia pra o exterior e que poderia me trazê-lo, eu também nunca gostei de dar esse trabalho – e possível transtorno – para quem ia viajar. Foi quando eu ouvi falar do Grabr.

O Grabr é uma startup que funciona da seguinte forma: quem quer um produto do exterior entra em contato com alguém que vai viajar e que possa trazer essa encomenda. Eles combinam uma recompensa em dinheiro para o viajante, que cede espaço na mala e depois encontra quem encomendou e entrega o produto. A negociação é toda mediada via aplicativo.

Achei a proposta interessante e como uma entusiasta de soluções práticas, resolvi apostar nela. Fiz o pedido, combinei a entrega com o viajante (um brasileiro que mora nos EUA e sempre vem para São Paulo) e busquei o produto, tudo sem problema algum e o melhor: economizei uma quantia considerável, considerando se eu tivesse comprado o produto de revendedores nacionais.

Uma das maiores vantagens do aplicativo, no entanto, é conseguir coisas exclusivas de certos lugares que não são vendidas em nenhum outro lugar. Aliás, foi exatamente por causa disso que a ideia para o negócio surgiu. Daria Rebenok e Artem Fedyaev já tinham morado em várias cidades ao redor do globo e, quando se mudaram para São Francisco, sentiram falta de alguns produtos típicos da Espanha (último destino deles). Ao invés de ficarem dependendo de amigos, familiares ou mesmo de viagens para o local, os empreendedores decidiram por a mão na massa e transformar esse costume mundial em negócio.

Economia compartilhada com um “quê” a mais

Hoje, o Grabr é uma das startups mais promissoras do Vale, tendo recebido recentemente uma rodada de US$ 8 milhões, liderada pela Foundation Capital e também pode ser considerada quase uma síntese da economia compartilhada (indo, na realidade, um pouco além).

“Economia compartilhada geralmente é uma categoria de negócios que prevê uma atividade peer to peer, ou seja, uma pessoa providenciando um bem ou serviço para outra pessoa, que paga por isso. Por que nosso modelo é único? Porque nós estamos criando tudo com base na comunidade: é de pessoas para pessoas, que também se conectam por meio da entrega. Nós estamos criando uma nova categoria em termos de logística social”, explica Daria Rebenok, co-CEO e cofundadora do Grabr.

Com o investimento recente, a startup está focada em melhorar a experiência dos usuários, além de algumas funcionalidades novas. Uma delas, por exemplo, é a possibilidade de um programa de lealdade tanto para compradores, quanto para viajantes, onde eles poderiam ganhar algo ou então ter descontos.

Mas não é só, uma vez que Rebenok frisa o olhar da empresa em educar as pessoas a fazerem compras vantajosas. “Nós estamos construindo uma nova funcionalidade que mostra negócios melhores e mais baratos, por exemplo, se alguma coisa vale mais a pena comprar no exterior ou no nacional ou produtos que estão mais baratas no eBay do que na Amazon”, explica.

Outra possível novidade é a parceria com serviços de delivery para outras cidades. Muitas vezes o ponto de encontro nem sempre é o ideal, uma vez que a maioria das entregas são feitas em grandes centros. Para ajudar a experiência, a co-CEO admite que eles consideram fazer parcerias com outras empresas que poderiam, por exemplo, levar uma encomenda de São Paulo até Campinas.

Mais que um negócio

Apesar do grande chamariz da startup serem os gadgets tecnológicos que sofrem uma grande alteração de preço por causa das taxas, grande parte das encomendas seja de coisas pequenas ou exclusivas de uma região. Assim como Rebenok e Fedyaev sentiram falta de produtos que só eram encontrados em supermercados na Espanha, pessoas ao redor do mundo almejam coisas que não chegaram (e talvez nunca cheguem) à sua região.

“Um dos nossos exemplos favoritos é quando os pais encomendam coisas para seus filhos, como brinquedos ou roupas que só tem no exterior, e também o grupo Make a Wish, da Argentina, em que os voluntários encomendam via Grabr brinquedos e materiais escolares para crianças carentes”, conta Daria Rebenok.

De fato, o Grabr está mudando o mundo, mas a startup não está sozinha: há muitas outras inovações disruptivas que também surgiram no Vale do Silício, como a Finless Food: a startup que faz carne de peixe sem matar peixe algum! Se você quer conhecer mais sobre o Grabr e a Finless Food, venha para o Silicon Valley Conference, evento que traz os maiores especialistas da região. Garanta a sua vaga: inscreva-se já!