Essa é uma das maiores “falhas” no ecossistema brasileiro de startups

Da Redação

Por Da Redação

8 de fevereiro de 2017 às 17:35 - Atualizado há 4 anos

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“Eu fundei 8 startups. Algumas deram certo, outras deram errado. Uma delas inclusive abriu o capital na Nasdaq”. Essas foram algumas das primeiras frases que eu ouvi em uma conversa com o empreendedor serial Barak Hachamov, mentor do Google Launchpad Accelerator Bootcamp, uma iniciativa muito bacana que eu vim acompanhar em São Francisco.

Essa frase ficou na minha cabeça o dia inteiro, mas não foi a única coisa. Quanto mais eu conheço empreendedores seriais aqui no Vale, mais eu entendo um grande problema do ecossistema nacional de startups: não temos a cultura do “fim”, do “fracasso” ou do “exit” (três coisas diferentes, ok?). Aqui, existe.

No Brasil, começar uma empresa é difícil. É muito mais difícil, porém, fechar uma empresa. São 100 dias para abrir uma empresa (e se você faz bem assessorado, pode ser até um processo tranquilo). Vá fechar uma empresa no Brasil. Eu não vou nem tentar falar um período de tempo que vai demorar para você fechar a empresa. Vai demorar e vai te dar muita dor de cabeça, isso eu posso te garantir.

Aqui no evento, uma das coisas que eu mais ouvi das startups é o quanto o governo e as burocracias na América Latina podem ser chatas para empreender. Fechar empresa, demitir pessoas… tudo pode ser um inferno no Brasil (e, não para minha surpresa, na maioria dos países latino-americanos). Pode ser algo até traumatizante para alguns, impedindo que eles empreendam futuramente. O governo E pessoas precisam lidar melhor com o “fim” de ciclo de uma empresa no Brasil.

A cultura do fracasso

Em três dias no Vale, eu já ouvi mais gente orgulhosa de seus fracassos do que em (quase) três décadas no Brasil. É impressionante o quanto de pessoas que ficam felizes em contar seus fracassos e o motivo destes fracassos. E que colocam isso como um de seus principais fatores para o sucesso futuro.

A verdade é que o fracasso é uma grande escola. Você falha, você aprende e inicia novamente evitando aquilo que deu errado. Você se torna um empreendedor melhor.

Ninguém começa uma startup para fracassar. O sucesso é sempre o objetivo de todo mundo, mas nem sempre ele vem. O importante é conseguir pegar o seu fracasso e transformá-lo em aprendizado. Se reerguer mais sábio e construir um negócio melhor ali na frente. Errar faz parte do aprendizado.

Isso é tão importante no Vale que tem investidor que só coloca dinheiro em uma determinada startup se o empreendedor já tenha fracassado de antemão. Para esses investidores, saber que aquele empreendedor não vai cometer erros básicos é de super importância.

O aprendizado não precisa ser só na pele

É óbvio também que você não precisa de fracassar para aprender as lições. Ou até mesmo este evento em que estou seria inútil. Se você precisasse viver todas as experiências para aprender, qual seria a utilidade de uma aceleração ou de uma mentoria? Nenhuma.

Por isso, existem uma infinidade de programas que são focados em “melhorar” o empreendedor. O StartSe tem seus projetos nesta linha, como o curso Startup de A à Z, que é focado a ensinar empreendedores a fugirem de problemas comuns que matam muitas empresas.

Participar de um curso ou programa não elimina a possibilidade de que você falhe. Mas esperamos que, se você falhar, consiga aprender e crescer como empreendedor e comece novamente. É assim que o Brasil vai crescer!

A importância do exit

Se fracassar é importante, tem outro ponto importantíssimo que você sente no Vale: o exit. No Brasil, o exit é raro. E sempre feito através de fusões e aquisições por grandes empresas, já que NINGUÉM abre o capital na Bovespa. Aliás, faz ANOS que eu não ouço falar de um IPO relevante na bolsa de valores do Brasil.

Não é segredo que grandes empresas fazem programas interessantes para encontrar startups e muitas vezes acabam adquirindo elas. Um exemplo: a Visa tem um programa chamado Track para Fintechs no Brasil, que serão aceleradas no Brasil e no Vale pela GSVLabs, uma das maiores aceleradoras do mundo. A companhia pode até acabar adquirindo uma delas lá na frente, quem sabe?

O fato é que isso é uma das poucas formas de realmente remunerar o investidor e fazer a roda girar. Essa habilidade de encarar o fim (positivo ou não) e recomeçar (empreendendo novamente ou investindo na próxima geração) é algo que falta ao Brasil e é, sem dúvidas, um dos grandes problemas do ecossistema nacional.

Afinal, o fim é só um novo começo.

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