Cidades devem proibir carros guiados por humanos a partir de 2030

Da Redação

Por Da Redação

27 de julho de 2018 às 09:25 - Atualizado há 2 anos

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A partir de 2030, as grandes cidades começarão a proibir veículos guiados por humanos de circular em ruas e avenidas. Dirigir carros será uma espécie de esporte para quem sente prazer em estar ao volante e ficará limitado a vias especiais. A previsão é de Mario Herger, CEO da Enterprise Garage Consultancy, colunista de veículos como TechCrunch e Forbes e autor do livro chamado The last driver license holder (O último motorista a ter uma carteira de habilitação). A palestra de Herger abriu o quarto dia da Learning Experience, programa de imersão promovido pela StartSe que traz mais de 100 brasileiros para o Vale do Silício entre os dias 23 e 27 de julho de 2018.

Herger sustentou sua previsão um tanto quanto radical – afinal, estamos falando de um horizonte de 12 anos – com números. Segundo ele, a redução de custos e o ganho de eficiência com a chegada dos carros autônomos é tamanha que essa revolução ocorrerá de uma forma muito mais rápida do que se espera. “Estamos falando de veículos elétricos, que usam menos de 70% do número de componentes de veículos a combustível. Sem contar uma redução de 90% no valor dos seguros e no fim das multas”, disse. “Do lado das cidades, a economia virá da não necessidade de sistemas de semáforos e na redução drástica nos custos com a violência do trânsito”.

Para gerações mais maduras, talvez, ter um carro ainda seja sinônimo de liberdade e prosperidade. Mas Herger trouxe dados que mostram que o percentual de jovens americanos com carteira de habilitação tem caído drasticamente nos últimos anos. Também prevê que muitas das grandes montadoras que conhecemos hoje deixarão de existir ou serão adquiridas por empresas que já nascerão focadas em carros autônomos. “Pense nas maiores fabricantes de celular da década de 90. Quantas delas sobraram e continuam líderes na era dos smartphones?”, perguntou à plateia. “É o que acontecerá com essas montadoras de hoje, que acham que veículos elétricos autônomos são um mercado de nicho.”

De 0 a 12 bilhões de reais

A segunda palestra do dia ficou a cargo de Pedro Englert, CEO da StartSe e ex-sócio da XP, maior corretora do país, comprada no início deste ano pelo banco Itaú. Englert contou como foi o passo a passo da transformação de um clube de investimento formado por amigos em um negócio com valor de mercado que bateu nos 12 bilhões de reais. Um dos segredos foi manter o espírito de startup mesmo quando a empresa possuía centenas de colaboradores. “O fator chave é a cultura. Mantivemos o sonho grande, com pouco espaço para comemoração. A cada conquista já planejávamos um novo objetivo a ser atingido”, afirmou.

Englert reforçou que a trajetória da XP, ainda que tenha tido momentos de muito sucesso, sofreu diversos reveses ao longo dos seus 16 anos de história. Mas que prevaleceu a capacidade da empresa de sempre se adaptar às diversidades que surgiam. “O problema é quando você se apaixona por uma ideia que teve e tem dificuldades em reconhecer que ela não deu certo”, disse. “Na XP, tivemos de destruir e reconstruir a empresa por diversas vezes”.

Cérebro Turbinado

Fechando a manhã do quarto dia da Learning Experience, os participantes mergulharam no instigante mundo da neurociência, com uma palestra do americano Daniel Chao, CEO da Halo Neuroscience. Chao foi fundador de uma empresa chamada Neuropace, que produzia uma tecnologia que introduzia um pequeno dispositivo no cérebro e, por meio de impulsos elétricos, faziam com que convulsões ou tremores fossem controlados. No entanto, a empresa buscava uma forma menos invasiva de resolver esse problema, Chao desenvolveu um fone de ouvido que envia impulsos cerebrais que aumentam a capacidade do cérebro de aprender novas habilidades.

“As pílulas são uma inovação incrível. Hoje precisamos apenas de uma pílula para curar doenças que 100 anos atrás causavam a morte de pessoas”, disse. “Mas não conseguimos essa eficiência para tratar problemas do cérebro. Remédios que tratam depressão e outras doenças ligadas ao cérebro acabam tendo efeitos colaterais piores do que o do mal em si”, disse.

Tratar doenças por meio do estímulo de determinadas regiões cerebrais é o objetivo final da Halo Neuroscience. A ciência ainda precisa evoluir para chegar a esse ponto, mas algumas aplicações já são possíveis. Hoje, o fone de ouvido da Halo aciona a parte do córtex responsável pelos movimentos. O objetivo é melhorar a performance de atletas. O mesmo conceito, no futuro, poderá ser usado para melhorar a capacidade de o ser humano aprender novas habilidades, como um idioma, além de tratar doenças psicológicas.

Força brasileira no Vale

Os trabalhos da tarde começaram a todo vapor. Um grupo de startups subiu ao palco do Microsoft Reactor, em San Francisco, para fazer apresentações sobre seus produtos à atenta plateia da Learning Experience. Foi o primeiro contato intenso com uma das ferramentas mais fundamentais para os empreendedores da Nova Economia: o pitch. Em comum, as startups receberam investimentos do fundo de venture capital Babel Ventures, sediado no Vale do Silício e que se concentra em investir em startups em estágio inicial.

O Babel Ventures é comandado pela brasileira Barbara Minuzzi que, contrariando as estatísticas de um mercado dominado por homens e com pouca presença de latinos, conseguiu tornou-se uma referência no Vale. Barbara falou dos desafios para criar o fundo e ofereceu valiosas dicas a quem quer buscar investimentos na região mais inovadora do mundo.

O futuro da comida

“Aqui no Vale, fala-se muito sobre carros autônomos, blockchain, inteligência artificial e tecnologias que surgiram recentemente nas nossas vidas, mas não falamos de algo que realmente necessitamos todos os dias: comida”. A frase é de Ron Shigeta, empreendedor serial e co-fundador e diretor de ciência da IndieBio, maior fundo dedicado a startups de biotecnologia.

A palestra de Ron encerrou o quarto dia da Learning Experience e foi focada em mostrou como as proteínas de origem vegetal deverão substituir gradativamente a produção de carne de origem bovina, um dos grandes responsáveis pelo uso de terra e água no mundo. “Temos 95% das terras cultiváveis ocupadas por agricultura e sobretudo por gado. O mundo precisará encontrar uma forma de produzir mais comida usando menos recursos naturais”, disse.

O Vale do Silício está repleto de empresas apostando em alimentos menos dependentes de animais e mais saudáveis. Talvez esse seja o grande impacto que a tecnologia irá nos proporcionar dentro de alguns anos.