A brasileira Movile se inspirou no Google e na Ambev para valer até US$ 20 bilhões

Eles buscaram um modelo de gestão adequado para o que eles queriam criar, e encontraram um muito bom na Ambev

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Por Da Redação

7 de outubro de 2017 às 15:09 - Atualizado há 2 anos

Qual vai ser a primeira startup a valer mais de US$ 1 bilhão? Uma das principais concorrentes é a Movile, uma empresa que se inspirou no Google e na Ambev e espera valer até US$ 20 bilhões um dia. Você pode não conhecê-la por nome, mas ela é responsável por grandes nomes como iFood, Play Kids e Sympla.

Só que uma gigante destas não nasceu de um dia para o outro – na verdade, a Movile nasceu em 1999. E passou por grandes problemas antes de se tornar o que é hoje. “Éramos uma empresa de SMS, de ringtones. Era uma empresa super legal, super inovadora, cheia de ideias”, destaca Eduardo Henrique, um dos fundadores da Movile.

O próprio começo foi complicado, que semeou a resiliência nos empreendedores que estavam criando a Movile. “Mas sabe o que a gente aprendeu? Que ideia não significa nada. Não acredito em ideia, acredito em execução”, afirma.

E isso fez com que eles buscassem um modelo de gestão adequado para o que eles queriam criar, buscando o exemplo da companhia que se tornaria a maior empresa do Brasil. “Quem a gente copiou? Que empresa dava mais resultado no Brasil? Aí lembramos de uma empresinha chamada Ambev”, afirma.

Em pouco tempo, todo mundo tinha metas agressivas dentro da empresa e era encorajado a dar a alma pela empresa – não diferente do que acontece na gigante de cerveja. “Copiamos o modelo de gestão da Ambev. Mas no mundo de tecnologia não dava para copiar fielmente uma empresa que vende lata de alumínio com líquido dentro”, salienta.

Só que isso significava que a Ambev não podia ser a única inspiração para a Movile, então eles buscaram outra empresa para servir de modelo, que também demonstrava sonhar grande como a empresa de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. “E onde a gente buscou a inspiração? No Vale do Silício, do Google. A fusão destes dois estilos de empresa é que surgiu a cultura da nossa empresa”, completa.

O que alimentava o crescimento da Movile era fusões e aquisições. “Muitas vezes a gente olha para o concorrente como inimigo. Aprendemos com o 3G a olhar o concorrente como potencial sócio. Copiamos isso deles também. Dá para pensar grande”, afirma.

Eles tiveram o aporte da Naspers e deram participação na empresa para todos que estavam sendo adquiridos. “Nosso sonho é criar uma empresa MUITO grande. Dá para fazer isso sozinho? Não dá”, salienta.

A Naspers se tornou a grande acionista da empresa, mas isso não foi um problema: todos estavam superfocados em fazer a Movile ser o maior que podia ser. “O brasileiro tem a mania de achar que não pode perder o controle da empresa, de perder os 51%. Pare de pensar pequeno, você precisa de ter sócios que te complementem”, salienta o executivo.

Só que quando tudo parece bem e funcionando, vem algo inesperado e acaba atrapalhando. “A empresa passou a ser superfocada em resultado, expandiu, cresceu e tivemos um probleminha em 2011”, conta. “A empresa é super legal, cresce muito, mas faz SMS e ringtone.. e vem o iPhone e mata a gente”, lamenta.

Porém, eles não desistiram e passaram a procurar bons aplicativos para investir, adquirir e entrar neste segmento da economia. “Achamos uma startup pequenininha e colocamos 2 milhões de dólares. Era o iFood. Ajudamos eles a crescerem de 15 mil ordens por mês até 3,3 milhões de ordens. Eles compraram mais de 12 concorrentes, ajudamos eles a pensarem grande”, conta.

Eles, contudo, continuaram inovando dentro da empresa – com resultados mistos. “Fizemos um MVP de quatro meses de um aplicativo de vídeo com notificações, gastando 100 mil dólares. Lançamos e duas semanas depois o Facebook mudou a API de notificação. Ou seja, durou 2 semanas um produto que custou 100 mil dólares”, afirma.

Nesta época, eles resolveram fazer o máximo de testes possíveis para tentar encontrar algo que fizesse sucesso. “Fizemos outros aplicativos, vídeo de comédia, música funk. Deu tudo errado. Estava dando tanto errado que lançamos uma empresa chamada Lamp para não sujar o nome da Mobile”, lembra.

Um destes testes acabaria fazendo muito, muito sucesso. “Aí criamos o Canal Desenho em dois dias, cobramos uma assinatura de 9,99 dólares por mês. Para ver 10 vídeos de criança. E as pessoas começaram a baixar o aplicativo, gostar e assinar”, diz.

Aquilo mostrava que eles tinham um possível canal para fazer algo que fizesse muito, muito sucesso. “Viramos para o Fabrício, CEO, e pedimos dinheiro. ‘Vimos oportunidade em vídeos para crianças’. Ele deu 3 mil dólares”, destaca.

A partir daí, eles continuaram correndo atrás da validação do negócio, criando protótipos de maneira muito rápida. “Aí criamos a primeira versão do Play Kids, em um papel. 24 horas depois veio a segunda versão”, conta.

Depois de validado em papel, veio o trabalho para fazer o aplicativo que funcionaria. “Aí veio a primeira versão programada do Play Kids, em menos de um mês. Virou o terceiro aplicativo mais rentável da App Store no Brasil. É o aplicativo número dois para crianças no mundo inteiro”, orgulha-se o fundador.

Essa história é uma grande lição para os empreendedores montarem seus negócios. “Fail fast, arrisque rápido e barato. Essa história mostra como a gente opera, erramos muito rápido, sendo lean, aprendendo com os erros, olhando dados psicoticamente”, afirma.

O impotante é constantemente validar suas descobertas com os usuários, buscar exatamente o que eles querem e gostam. “Quem sabe é teu usuário, e quanto mais rápido você fala com ele melhor”, destaca.

Essa é a fórmula de sucesso que vem funcionando na Movile, que talvez seja a principal startup de tecnologia do Brasil no momento. “Como somos psicóticos, achamos que temos a oportunidade de criar uma empresa de 15, 20 bilhões de dólares”, termina. Esperamos que vire mesmo.