“Acesso ao Vale do Silício é crítico para o sucesso atualmente”

Da Redação

Por Da Redação

9 de março de 2017 às 17:39 - Atualizado há 4 anos

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Um mês atrás eu estive no Vale do Silício para conhecer uma iniciativa muito, muito interessante, o Google Launchpad Accelerator. E foi uma experiência tocante, conforme eu já descrevi aqui. 6 startups brasileiras (e algumas outras latino-americanas e asiática, totalizando 31) aceleradas no coração de São Francisco por mentores muito, muito bons.

Talvez este seja um dos projetos com maior chance de ajudar as startups crescerem. “Esse espaço e programa é sobre permitir que empreendedores consigam se engajar com o Vale. Do jeito que a indústria está constituída, acesso ao Vale do Silício é crítico para o sucesso atualmente”, afirma Roy Glasberg, líder global do projeto. Inclusive, queria lembrar que as inscrições para a 4ª turma do Launchpad Accelerator estão abertas.

Um dos pontos mais interessantes ali é que empreendedores de todo o mundo tiveram a oportunidade de participar deste programa – que também tem outras edições para outras localizações. “Esse lugar é para todos os ecossistemas de empreendedores ao redor do mundo, temos uma porta aberta aqui para todo mundo”, diz Roy.

O programa é muito interessante e muito proveitoso para as startups que participam dele – que não precisam, por exemplo, de abrir mão de participações acionárias. “Temos uma missão muito agressiva aqui, damos US$ 50 mil para cada startup, não tomamos nenhum equity. O que a gente pede é que eles tenham o comprometimento de trabalhar conosco, dividir o conhecimento conosco”, salienta.

Ecossistemas ainda fracos

No fundo, o objetivo do Launchpad Accelerator é fortalecer os ecossistemas empreendedores ao redor do mundo. Mas como se faz isso? Fortalecendo as startups, permitindo que mais histórias de sucesso. “Não temos Mercados Libres o suficiente, não temos muitas histórias de sucesso para que esse ecossistema se torne forte”, salienta.

A mentalidade de “retornar” é muito importante para que um ecossistema seja forte. “Em lugares como Israel e o Vale do Silício, você encontra empreendedores que construíram empresas de muito sucesso e possuem essa mentalidade de retorno, se tornando os investidores e mentores do futuro”, destaca o head da iniciativa.

Quanto mais as histórias de sucesso, maiores as chances do ecossistema se tornar mais forte. “Quanto mais termos essas histórias, mais apoio local o ecossistema vai ter, permitindo que os empreendedores construam suas companhias e construam o futuro”, salienta.

Os quatro fatores que o Google olha

Mas o que garante um ecossistema de sucesso na visão de Roy e do Google? Basicamente, quatro coisas. “A primeira são as histórias de sucesso. Empreendedores que percorreram a jornada inteira e voltaram como mentores”, diz.

Isso permite que as pessoas vejam o empreendedorismo como um caminho. “Temos muitos profissionais que preferem trabalhar para o Google ou para a Microsoft somente por que a rota do empreendedor é muito difícil, muito desafiadora e em alguns mercados a sua chance de sucesso não são tão altas”, afirma.

“O segundo fator são os mentores. Você só pode construir as companhias se você tiver acesso ao talento que já fez isso antes e tem a experiência que você não tem”, acredita Roy. Ou seja, preencher o buraco que o Launchpad está preenchendo neste momento, mas de maneira mais sistêmica.

De fato, o Vale do Silício impressiona por isso – com uma cultura muito mais aberta e que troca muito mais conhecimento e informação. “Aqui, em qualquer café que eu vá vou encontrar dois ou três mentores que podem conversar comigo e me ajudar”, conta Roy.

O terceiro ponto é crítico: são os investidores. “Existe um grande buraco aqui, já que quando você constrói um fundo de venture capital no México ou no Brasil, seu desafio é que não são muitos investidores que tiveram sucesso, então as pessoas são muito cautelosas com seu dinheiro”, acredita.

Além disso, os mercados latino-americanos ainda não estão completamente educados. “Muitos investidores não estão pensando estrategicamente no longo prazo, pois vemos muitos negócios de 50 mil por 50% da empresa, e isso mata as startups. Temos que entender que investimento é um processo”, salienta.

O investimento tem que ser visto como um processo: portanto, são pequenas partes que precisam ser tomadas de tempos em tempos. “Eu como investidor tenho que entender que vou chegar hoje e vão ter outros e outros investimentos. E ela tem que parecer boa para os próximos investimentos”, acredita Roy.

E o último fator é o quanto o governo está ou não ajudando ou atrapalhando tudo que está acontecendo. “A última coisa que olhamos é o envolvimento do governo. Vemos um governo muito ativo na Argentina, tentando comunicar com o ecossistema e encorajar o empreendedorismo”, conta Roy.

Infelizmente, nosso país está bastante atrás quando se trata de burocracia e apoio governamental. “No Brasil demora um ano para abrir a companhia, e se demora uma vida para fechar essa empresa, fica muito difícil para empreendedores construírem seus negócios rapidamente”, salienta.

Isso impede muito empreendedor serial de obter sucesso. “Vários empreendedores aqui abriram suas empresas, fecharam seis meses depois, depois abriram outra, outra e outra e aí conseguiram sucesso. Só conseguem fazer isso se o processo for rápido”, conclui.

O Vale do Silício, construindo conhecimento

Para ajudar que nosso ecossistema, o Google realiza a nobre missão de levar startups para o Vale e ajuda-las. “Estamos construindo conhecimento. Trazemos startups aqui, ajudamos a resolver seus problemas, tentamos ajudar elas a ter sucesso para se tornarem as histórias que vão permitir o crescimento do ecossistema”, completa.

As escolhidas? As cujo modelo de negócios as permitam conseguir mais retorno para a sociedade. “Trazemos startups que tenham um forte impacto social em seus países, mas elas precisam ter um modelo sustentável, precisam ter habilidade de ganhar dinheiro. Queremos que elas sejam grandes para usá-las no futuro para treinar mais startups”, destaca.

Aqui no StartSe concordamos profundamente com pensamento de Roy. Gostaria de ressaltar duas iniciativas que podem ser interessantes: o primeiro é o programa Track, da Visa com a GSVLabs, que também tem o intuito de acelerar startups no Vale do Silício. E o segundo é o Silicon Valley Learning Experience, uma iniciativa nossa para levar um grupo de brasileiros para aprender a mentalidade da região e acelerar suas startups. Não deixe de conhecer essas iniciativas.

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