A arte de ser “AmBITCHous”: afinal, deveríamos ser todos feministas

Avatar

Por Bárbara Minuzzi

27 de setembro de 2016 às 13:05 - Atualizado há 4 anos

Logo ReStartSe

Inscreva-se para o maior e mais audacioso evento de inovação, tecnologia e transformação digital já feito na América Latina. 30 dias que vão mudar sua visão de mundo, dos seus negócios e da sua carreira.

Online e totalmente gratuito - 01 a 30 de outubro/2020

Assim como eu, a maioria das pessoas ainda não sabe o que esperar quando títulos e conversas femininas surgem, e por isso tive uma deliciosa surpresa ao ler “We should All be feministas”, da autora Chimamanda Ngozi Adichiem. É um livro no qual ela compartilha a sua visão de forma direta e tão clara que entusiasma!

Pouco tempo atrás eu pensaria sobre mim mesma como uma machista. Eu sou gaúcha, e para aqueles que não são muito familiarizados com a cultura machista da gauchada, no Rio Grande do Sul em geral, as pessoas possuem bastante orgulho de manter um mindset mais  tradicional e muitas vezes provinciano. Eu cresci em Porto Alegre, somando a esse fato, cercada de “guris”: meus irmãos, primos, amigos dor irmãos, vizinhos e colegas de classe….  dito isso,  foi natural eu pensar que o machismo era a única forma de se pensar.

Curiosamente eu entendi que eu não me enquadrava nessa forma de comportamento e de percepção do mundo, seguindo as regras do homem do patriarcado, e ao mesmo tempo concluí que o outro extremo era muito  mais semelhante a mim. O que quero dizer é que me percebi uma feminista. Porque ? Bom, eu quero viver num mundo onde homens e mulheres são verdadeiramente iguais, onde gênero não deixam as mulheres pra trás, onde todos entendem que nós mulheres somos capazes e NÃO que quanto mais feminina a mulher aparentar ser, menos deverá ser levada a sério.

A principal diferença que vejo entre a antiga leva das feministas e essa nova era, é que nós realmente vamos atrás, não tem muito “mimimi”, a gente não pede por igualdade , a gente conquista essa igualdade, por mais difícil que seja. Acreditamos em provar e mostrar que nós merecemos! E ao contrário dos mitos em relação as feministas, nós não odiamos os homens, muito pelo contrário, temos eles como nossos principais parceiros, pois às vezes ainda é mais fácil encontrar homens simpatizantes ao feminismo do que mulheres.

Admito que mudar do Brasil para os EUA foi um movimento muito importante na minha trajetória, e a verdade é que os homens respeitam muito mais as mulheres por aqui. E mais feliz eu sou ainda em compartilhar que no mercado de Capital de Risco, me vejo extremamente confortável. No meu entendimento VCs e empreendedores de tecnologia estão aqui para impactar o  mundo, fazer a diferença, o que eles gostam mesmo é de fazer acontecer e de autenticidade. Uma vez que você sabe quem você é e o que você faz, eles respeitam.

Eu nunca tive dificuldade em ser autêntica e transparente, mas é claro que levou um tempo para eu me sentir verdadeiramente segura de quem eu realmente sou em todos os papéis que exerço. Hoje sou 100% eu. Mesmo no Vale do Silício, onde o legal é usar tênis, camiseta e parecer o mais low profile possível, a decisão de permanecer autêntica a minha essência, que é brasileira não foi uma decisão tão simples e óbvia. Digo isso porque sou extremamente vaidosa e feminina, amo usar salto alto e tenho as tais curvas brasileiras, somado isso a um sotaque  latino bemmmm forte resulta numa imagem que muitas vezes pode não passar a credibilidade nos primeiros 5 minutos de conversa.

Mas mesmo que em algumas reuniões nesses primeiros minutos eles não me levem muito a sério, exatamente pela minha imagem, após superar os minutos iniciais e estarmos na mesma página, conectados, eles percebem que sou uma hustler e com o meu nível de confiança hoje em dia, eu sinto que já me provei, e então eles se sentem seguros também.

Porque escrever sobre feminismo aqui? Eu penso que é importante no maior portal de empreendedorismo e startups da América Latina, lembrarmos que somos nós, os visionários, os empreendedores, os investidores , os teóricos, que temos maior impacto na vida das pessoas. E é importante que tenhamos conhecimento de que  gênero ainda importa por toda parte e falar sobre o assunto de vez em quando  faça sentido, mas a melhor forma de mudar é fazendo, mudando percepções e atitudes!

E eu que trabalho numa indústria que é predominantemente masculina, sou normalmente a minoria mas sinto que estou fazendo a minha parte, e tomara que com toda essa nova onda de feministas (homens e mulheres) aquela frase “quanto mais alto você vai, menos melhores você encontra” será num futuro próximo apenas uma lenda.

*Bárbara Minuzzi é fundadora e CEO da INVESTHAUS (www.investhaus.vc), boutique de investimentos e conexões com sedes no Brasil, Estados Unidos e Ásia. A empresa possui três divisões:  IHVentures, que une alto impacto e tecnologia, investindo e conectando startups disruptivas do Vale do Silício aos investidores latAm. Bárbara é também advisor da startup holandesa Spinn.Coffee. Além da área de capital de risco, a Investhaus possui outras duas divisões IH Real Estate, com foco em investimentos no mercado imobiliário e IHConnections, com plataforma que exporta os produtos brasileiros ao mercado chinês.

[php snippet=5]
E não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook!