“A saúde pública brasileira está parada na década de 50”, diz professor da USP

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

10 de agosto de 2018 às 13:54 - Atualizado há 2 anos

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A digitalização da saúde foi tema de discussão nesta terça-feira (7) no GovTech, evento sobre a transformação digital do país. Um painel reuniu Elizabeth Jucá, secretária de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (MG), Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Patrícia Ellen, presidente da empresa de tecnologia na saúde Optum, com mediação de Marcos Lemos, da RedPoint Ventures.

No painel, Gonzalo Vecina Neto afirmou que não há saída para o “e-health”. “É impossível não digitalizar a saúde, mas estamos atrasados tanto no setor público quanto privado”, destaca. O grupo chegou em um consenso que é necessário trazer mais tecnologia e digitalização para esse setor.

No entanto, a necessidade de digitalização por vezes é superada por outras mais pontuais e urgentes. “Enfrentamos dificuldades que as vezes não imaginamos, inclusive a falta de medicações”, afirmou Elizabeth Jucá, secretária de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora.

A tecnologia deixa de ser prioridade conforme às necessidades dos pacientes, ao mesmo tempo em que é uma aliada no tratamento destes. “O brasileiro é mais digitalizado, existem mais aparelhos celulares do que habitantes no país. Precisamos conectar a saúde, digitalizar esse acesso”, afirmou Patrícia Ellen, presidente da Optum.

Um dos objetivos a ser alcançado através da tecnologia é o prontuário único, que reuniria todas as informações de saúde do paciente (inclusive o histórico de procedimentos) em um único prontuário. O prontuário seria acessível em todos os hospitais do país, facilitando a maior assertividade aos médicos na detecção de doenças e nos tratamentos.

Para a secretária de Saúde, o prontuário único é um sonho de consumo. Um prontuário eletrônico avançado pode ser considerado uma raridade no país, segundo Gonzalo Neto, professor de saúde pública da Usp.

“É muito se 20 hospitais em todo o país tiverem um prontuário eletrônico em nível 6. Por alguma razão, nós brasileiros resolvemos brigar com a eficiência – não medimos, não temos métricas, metas. O setor público brasileiro está parado na década de 50, na época de pré-digitalização”, afirmou o professor.

Gonzalo Neto também criticou “falta de eficiência do setor privado”. “Queremos saber da doença, mas não queremos saber nem do antes ou depois”, afirmou. Gonzalo Neto concordou que o país se beneficiaria com o prontuário único e também de IoT (internet das coisas).

IoT na saúde

Segundo pesquisa da McKinsey, a internet das coisas poderá ter o impacto anual de US$ 3,9 trilhões à US$ 11,1 trilhões na economia até 2025 – e um dos setores mais impactados será a saúde.

Patrícia Ellen, presidente da Optum, se mostrou esperançosa quanto à implementação de IoT porque os dispositivos eletrônicos (como smartphones e tablets) estão tendo capacidades de processamento cada vez maiores.

Hoje, existem gadgets criados especialmente para monitorar a saúde, como smart watches – relógios inteligentes que monitoram desde batimentos cardíacos ao número de calorias perdidas em exercícios físicos. Com a existência de um prontuário único, dados rotineiros como esse poderiam ser aproveitados pelos profissionais da saúde.

Crédito da foto: Luis Simione/GovTech