Reino Unido aprova uso restrito de tecnologia da Huawei no 5G

João Ortega

Por João Ortega

28 de janeiro de 2020 às 18:03 - Atualizado há 4 meses

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O Reino Unido aprovou nesta terça-feira (28) a chinesa Huawei como uma das fornecedoras de tecnologia para distribuição do 5G no país. A empresa ficará responsável por cerca de 35% da cadeia, apenas em partes “não-sensíveis” da infraestrutura. Isto significa que, segundo autoridades britânicas, a Huawei não terá acesso a dados de usuários ou tampouco poderá conectar-se a redes ligadas à segurança nacional.

“Queremos conectividade de classe mundial o mais rápido possível, mas isso não deve ser à custa da nossa segurança nacional”, disse Nicky Morgan, secretário de assuntos digitais do governo britânico, em comunicado. “Os fornecedores de alto risco nunca estiveram e nunca estarão em nossas redes mais sensíveis”.

Em resposta, a Huawei afirmou que é por meio da continuidade da parceria entre a empresa e o país que surgirá “infraestrutura de telecomunicações mais avançada, mais segura e com melhor relação custo-benefício, feita para o futuro”. Segundo Victor Zhang, vice-presidente da empresa chinesa, o aceite do governo do Reino Unido é a confirmação do bom trabalho realizado pela companhia em outras praças.

Riscos de segurança

No início de janeiro, representantes do senado norte-americano foram à Londres para falar dos riscos de adotar a Huawei como empresa fornecedora do equipamento para distribuir o 5G no Reino Unido.  Depois do anúncio desta terça, juntaram-se ao discurso especialistas britânicos em segurança cibernética por meio de uma carta pública.

Em primeiro lugar, dizem os analistas, a Huawei já conta com 35% do valor de mercado resultante das redes do 4G. Neste sentido, a empresa terá uma presença muito forte no ambiente digital britânico, inclusive com vantagem de barganha em negociações com o governo.

Em segundo, os especialistas britânicos concordam com os EUA ao reafirmarem a possibilidade de a Huawei enviar dados do país para a China. Isto por conta de uma lei chinesa de 2017 que obriga empresas de tecnologia de compartilhar informações com o governo.

Por último, o Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido afirma que a China já realizou ataques digitais em solo britânico e, portanto, não é um aliado neste setor. Os especialistas não acreditam que a restrição de 35% da infraestrutura seja suficiente para bloquear a influência chinesa na rede.