Reino Unido deve ter 5G da Huawei apesar de pedido contrário dos EUA

João Ortega

Por João Ortega

14 de janeiro de 2020 às 14:12 - Atualizado há 9 meses

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Nesta segunda-feira (13), uma delegação dos EUA foi ao Reino Unido tentar convencer o primeiro-ministro Boris Johnson a vetar tecnologia da Huawei na infraestrutura de distribuição da rede 5G. No entanto, de acordo com a Bloomberg, o líder britânico deve manter ao menos parte do equipamento da fabricante chinesa para não comprometer a qualidade e o plano de cobrir todo o território nacional com o 5G até 2027.

“O público britânico merece ter acesso à melhor tecnologia possível”, disse Johnson quando questionado sobre a Huawei em uma entrevista na BBC TV nesta terça-feira. “Se as pessoas se opõem a uma marca ou outra, precisam nos dizer qual é a alternativa”.

Internamente, o governo britânico se preocupa com a privacidade de seus dados no caso da estrutura do 5G ser controlada pela Huawei. A avaliação é de que é possível manter parte da tecnologia da fabricante chinesa e ainda assim controlar as informações transmitidas na rede. Um banimento total, como sugere os EUA, acarretaria diversos custos de substituição do equipamento, além de um atraso no processo como um todo.

Também há uma questão diplomática, que envolve a relação entre o Reino Unido e os EUA. A Huawei é a empresa central da disputa comercial e tecnológica entre norte-americanos e chineses, e foi acusada de espionagem pelos ocidentais. “Sejamos claros: não quero, como primeiro-ministro do Reino Unido, instalar nenhuma infraestrutura que prejudique nossa segurança nacional ou nossa capacidade de cooperar com os parceiros de inteligência do ‘Five Eyes’”, disse Johnson, uma referência ao grupo formado com EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

A decisão final será tomada em breve. Seguindo os recentes comentários do primeiro-ministro, a tendência é que a Huawei mantenha sua presença no 5G britânico, mas tenha restrições de acesso aos dados. Hoje, a empresa da China é a principal fornecedora de tecnologia para a rede de alta velocidade no mundo, e está presente em diversos países. No Brasil, a Huawei é uma das favoritas para ganhar a licitação das frequências do 5G, cujo leilão foi recentemente adiado para 2022.