“O cidadão é um cliente do Estado, temos que ter atitude”, diz Armínio Fraga

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

8 de agosto de 2018 às 15:50 - Atualizado há 2 anos

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Nesta terça-feira (7), o evento GovTech reuniu especialistas do setor público e privado com o objetivo de discutir e promover o ecossistema de inovação no país. O primeiro painel contou com Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio fundador da Gávea Investimentos, Geórgia Pessoa, diretora-executiva do Instituto Humanize, Vinícius Carrasco, economista-chefe da Stone, Marcos Lisboa, presidente do Insper, com mediação de Letícia Piccoloto, fundadora do Brazil LAB.

Em seu discurso, Armínio Fraga afirmou que temos dificuldade em desenvolver um ecossistema de inovação no país porque a parceria entre o setor privado e o governo não tem sido muito bem-sucedida. “A parceria público-privada no Brasil está mal. O ecossistema de inovação depende de incentivos culturais de difícil implantação na prática e aqui no Brasil isso é visível a olho nu”, completa.

Essa mudança cultural deve incluir também o governo, atualmente um entrave para que se realize inovação no Brasil. “No topo da lista de qualquer projeto de desenvolvimento que inclua a inovação, se encontra uma reforma do Estado – mudanças gerais de cunho legal e institucional que vão incentivar a mudança cultural”, afirmou o economista.

Já Marcos Lisboa, presidente do Insper, acredita que o Estado deve influenciar menos na economia do país, inclusive deixando de proteger “indústrias velhas”. “Proteger a indústria velha, se for velha, é a melhor maneira de também ficar velho”, afirma. Para exemplificar o que seria a indústria velha, Lisboa utilizou o exemplo da máquina de escrever – tecnologia que caiu em desuso ao ser substituída por outras mais eficazes.

Lisboa acredita que para alcançar a inovação, temos que lidar com o “trágico fenômeno” de ultrapassar velhas tecnologias. “Muita gente perde no processo, mas o país fica mais rico, os jovens ficam mais ricos e as políticas públicas cuidam de quem ficar para trás”, disse o economista.

O Terceiro Setor

O papel do governo nas políticas públicas e status do terceiro setor também foi um assunto discutido no painel. Geórgia Pessoa – diretora-executiva do Instituto Humanize – apresentou um novo conceito de investimento no 3º setor: o Venture Philanthropy (VP). O investimento filantrópico estratégico (VP) e o investimento social combina a filantropia com o investimento, buscando retornos a longo prazo principalmente em forma de impacto social.

O próprio Humanize está trabalhando nesse conceito com parceiros do país, buscando o investimento estratégico para as áreas de empreendedorismo, educação e gestão pública. “Precisamos de uma reestruturação para o Terceiro Setor mais eficaz – ele está extremamente fragilizado, passa por uma crise não apenas de recursos, mas de inspiração”, contou Pessoa. “Minha impressão é que o Terceiro Setor e o Venture Philanthropy existem porque a ONG maior, que é o governo, não funciona. Então é importante saber o que o Terceiro Setor pode fazer”, disse Armínio Fraga.

Um dos problemas identificados segundo o economista é que o Brasil precisa de métricas e metas. “Isso nós não temos e eu acho que isso é uma mudança de atitude também – o cidadão é um cliente do Estado e temos que ter essa atitude”, finalizou.

Crédito da foto: Luis Simione