A estratégia de investimentos da chinesa Tencent, dona do WeChat

João Ortega

Por João Ortega

14 de janeiro de 2020 às 09:31 - Atualizado há 7 meses

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A Tencent é uma das empresas de tecnologia mais valiosas do mundo, avaliada em quase US$ 500 bilhões. Além de ser dona do WeChat – super aplicativo com 1,1 bilhão de usuários – a chinesa é uma das principais investidoras em startups do mundo.

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Desde a fundação em 1998, a Tencent gastou mais de US$ 26 bilhões em aportes fora da China. A movimentação da empresa no mercado se intensificou na segunda metade desta década, momento que também marcou a crescente internacionalização dos investimentos.

Segundo o Crunchbase, a companhia chinesa realizou cerca de 150 aportes internacionais – não inclusas aquisições (vale ressaltar que o portal reúne apenas negociações que foram tornadas públicas, então todos os números listados neste texto podem ser ainda maiores). Entre as empresas que usufruíram do capital da Tencent, destacam-se nomes como Uber, Tesla, Snapchat e Nubank.

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Estratégia de investimento

Entre todos os aportes realizados pela Tencent fora da China, cerca de dois terços foram no mercado norte-americano. No segundo lugar está a Ásia, com destaque para Índia e sudeste asiático. Em seguida, surge a Europa, em que a empresa realizou 13 investimentos. No final da lista está a África, com três aportes, e a América do Sul, com dois (ambos no Nubank, em duas rodadas de captação diferentes).

De acordo com análise do Technode, há um padrão estratégico dependendo da maturidade do mercado de cada região. Em ecossistemas de inovação maduros, como EUA e Índia, a Tencent foca em investimentos numerosos, pouco robustos e em rodadas iniciais. Dessa forma, faz pequenas apostas para alavancar o crescimento de startups com grande potencial.

Já em mercados de tecnologia menos estabelecidos, como é o caso da América do Sul, África e sudeste asiático, a Tencent prefere investir em startups que já tem grande presença no setor em que atuam. Por um lado, diminui o risco em ecossistemas nos quais tem menor expertise. Por outro, o retorno potencial é menor, visto que se torna investidora em um estágio mais tardio.

Em relação aos setores no qual a companhia chinesa realiza aportes, há uma preferência clara por fintechs e startups do mercado de games: foram 26 investimentos em cada uma das áreas. Logo depois, aparece o setor de inteligência artificial (24 aportes), seguido por redes sociais, saúde e entretenimento (cada um dos três com nove aportes).

Fora do controle

Apesar de ser uma das empresas mais ativas no mercado global de capital de risco, a Tencent costuma manter-se distante do controle das startups em que investe. Ainda segundo análise do Technode, ela prefere “investir e aconselhar do que adquirir e controlar”.

Matthew Brennan, analista da consultoria China Channel, afirma que esta estratégia está alinhada ao que pensam dois dos principais executivos da empresa chinesa: o presidente Martin Lau e CSO James Mitchell. “Grande parte da geração de lucro da Tencent ainda está nos games, um setor no qual eles são conhecidos por assumir mais controle e maiores participações. No entanto, para o restante de seus investimentos, eles parecem confortáveis confiando no gerenciamento existente e assumindo um papel muito menos ativo”, explica.

Esta estratégia cria alguns casos de conflito entre as próprias startups investidas e as diferentes linhas de negócio da Tencent. Um exemplo é a Shopee, plataforma de e-commerce da companhia de Cingapura Sea, que recebeu aporte da Tencent. Atualmente, a Shopee é uma das líderes do mercado do sudeste asiático, e compete diretamente com a JD.com – que também conta com ampla participação da Tencent.