Investidores estão olhando mais para América Latina – e o Brasil é o líder

Lideramos o número de investimentos na América Latina – e também o maior valor recebido em aportes! E não para por aí

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

26 de julho de 2018 às 14:39 - Atualizado há 2 anos

2018 foi o ano em que o Brasil ganhou seus primeiros unicórnios. Tudo começou quando a 99 foi adquirida pela gigante chinesa Didi Chuxing no primeiro dia do ano, seguida pelo Nubank no dia 1 de março. Essa mudança é um reflexo de algo que já vem acontecendo há alguns anos no país e em toda a América Latina: o aumento de interesse de investidores. Desde 2012, o número de investimentos na região quase triplicou.

Desde 2012, startups de tecnologia da América Latina já levantaram mais de US$ 5,8 bilhões em investimentos. Entre os investidores, estão grandes nomes como Andreessen Horowitz (sim, um dos primeiros investidores do Facebook), Sequoia Capital e DST Global (investidores do Nubank). O número de investimentos na região chegou ao seu maior nível até então no ano passado. Foram mais de 379 acordos fechados, o que trouxe US$ 1,35 bilhão em aportes para a região.

Felizmente para nós, o Brasil é o país que está tendo a melhor desenvoltura na América Latina. Entre 2012 e 2018, o CBInsights mapeou 721 acordos no país. Em segundo lugar vem o México, com 235 negócios. O número é bem diferente e impacta também no valor das negociações – naturalmente, o Brasil também é o país que levantou a maior quantia em investimentos na região – desde 2012, US$ 4,2 bilhões em aportes entraram em terras tupiniquins.

O maior valor em investimento nos surpreende apenas no segundo lugar, em que a Argentina ultrapassou o México, apesar de ter tido menos negócios fechados. A Argentina recebeu US$ 600 milhões em investimentos, enquanto o México recebeu US$ 570 milhões em aportes.

O protagonismo brasileiro

A Argentina também ultrapassa o Brasil na maior rodada de investimentos desde 2012. O país lidera essa lista com o investimento de US$ 270 milhões recebido pela Decolar pela Expedia, em 2015. Dois anos depois, a startup se tornou pública, realizando sua primeira oferta de ações, sob o valuation de US$ 1,7 bilhão – a Argentina também tinha um unicórnio antes de nós.

Mas a segunda maior rodada de investimentos da América Latina é brasileira, no valor de US$ 190 milhões. A Ascenty, startup de fibra óptica, recebeu o aporte em março de 2017. Das 10 maiores rodadas de investimentos da região, 8 são brasileiras – e os unicórnios Nubank e a 99 estão inclusos nessa. Em janeiro deste ano, o Nubank recebeu US$ 150 milhões em uma rodada série E dos fundos DST Global e Founders Fund – rodada que a coroou como unicórnio. No total, a startup já levantou US$ 605 milhões em investimentos.

Já a 99 levantou duas rodadas de cerca de US$ 100 milhões, ambas em 2017.A primeira rodada foi uma série C com a Didi Chuxing – que adquiriu a startup e a tornou um unicórnio no início deste ano – e outra um private equity com o grupo Softbank.

Outras empresas brasileiras que figuram a lista das maiores rodadas são a Netshoes e Movile. Veja a lista completa:

A América Latina sem o Brasil

Os investimentos são menores quando excluímos o Brasil da América Latina – e o México passa a ter 50% dos maiores negócios, enquanto a Argentina figura com 30% e a Colômbia, local onde foi criado o Rappi, com 20%.

O Rappi é o maior responsável por trazer investimentos para a Colômbia. No primeiro semestre deste ano, a startup levantou US$ 185 milhões em uma rodada série C que incluiu Adreessen Horowitz, Sequoia Capital e o serviço alemão Delivery Hero.

Já o México segue o Brasil como país onde aconteceram o maior número de investimentos principalmente devido ao e-commerce Linio, que levantou US$ 79 milhões em uma rodada série C em 2014 e US$ 55 milhões na rodada seguinte, em 2016.

Investidores com maior interesse na América Latina

Historicamente, o Tiger Global Management, 500 Startups e Endeavor Catalyst são os fundos de investimentos que mais atuam na América Latina. Como aceleradora, a 500 Startups também é uma das mais ativas – seguida pela Y Combinator.

Os Estados Unidos começaram a ter um olhar mais interessado na América Latina – desde 2015, o número de negócios apenas cresceu -, mas investidores de outros países do mundo continuam possuindo maior interesse na região.

E não é apenas o mundo que está de olho na América Latina, mas investidores advindos da própria região também. 2017 foi o ano com maior atividade dos investidores da América Latina – 50% dos participantes das rodadas, mais precisamente. Seguindo a tendência, o Brasil não é apenas o país que mais recebe investimentos, mas é quem mais investe também: 60% dos investidores da América Latina são brasileiros.

Essa tendência não para por aqui!

Segundo a CBInsights, podemos confiar que o Brasil continuará sendo o local com mais investimentos da América Latina. Em 2016 e 2017, 60% das rodadas foram em terras brasileiras – o investimento no país quase dobrou neste período, de US$ 605 milhões para US$ 1,15 bilhões em 2017.

A Colômbia também é um país que experimentou crescimento na área de investimentos. Em 2013, o país havia recebido apenas três aportes – em 2017, esse número chegou a 38 – o maior índice até então.

Os números provam, cada vez mais, que ecossistema de startups brasileiros está em ascensão – e não irá parar por aí! A expectativa é que tenhamos cada vez mais investimentos e, por que não, unicórnios.

E o mais legal ainda é que as aportes não estão vindo apenas de estrangeiros, mas do próprio Brasil. Em janeiro de 2017, empreendedores de importantes startups como Printi, Peixe Urbano, 99, Nubank e até do Instagram criaram o Canary, um fundo de investimentos focado apenas no nosso mercado. De acordo com o CBInsights, os investimentos no Brasil e na América Latina não param por aqui.

Fonte: CBInsights

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