Por que você deve prestar atenção no ecossistema da Índia nos próximos anos

Isabella Carvalho

Por Isabella Carvalho

3 de março de 2020 às 18:16 - Atualizado há 3 meses

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Mais de 1 bilhão de pessoas. Esse é o número de habitantes da Índia. O país, que tem um território equivalente à metade do Brasil e quase sete vezes a sua população total, poderá se tornar uma importante potência em tecnologia e inovação nas próximas duas décadas. Em 2017, a Índia foi considerada pela Forbes como a quarta economia mundial de mais rápido crescimento no mundo.

E não é por acaso. Para atrair pesquisadores e gerar novas oportunidades e tecnologias, o governo indiano tem investido, nos últimos anos, em programas voltados à inovação. Por meio do Research Training Fellowship-Developing Countries Scientist (RTF-DCS), cientistas do mundo todo têm a oportunidade de estudar e desenvolver novas soluções em instituições indianas em todas as áreas de Ciência e Tecnologia. 

O programa teve início em 2008 com 20 bolsas disponíveis — número que saltou para 60 atualmente. Com apoio do governo, os pesquisadores podem trabalhar em oito disciplinas, como ciências agrárias, ciências médicas, física e matemática, ciência da Terra e áreas multidisciplinares. O objetivo é ampliar a capacidade de pesquisa indiana, fomentando o desenvolvimento tecnológico do país.

Um país em desenvolvimento

Além de projetos voltados para pesquisadores, a Índia também promove a inovação em toda a extensão de seu território. Com a organização Atal Innovation Mission (AIM), o país criou uma série de iniciativas em diversas cidades para desenvolver mentalidades criativas nas escolas, promover o empreendedorismo nas universidades e a criação de incubadoras e startups.

“Eles fazem um trabalho fantástico, com locais onde os indianos aprendem habilidades relacionadas a inovação, desenvolvem ideias, têm acesso a hubs e espaços de construção colaborativa. Eles são incentivados a trocar ideias e pensar em coisas diferentes, com equipamentos e ferramentas como impressoras 3D para desenvolver eletrônicos, robótica e IoT – Internet das Coisas”, ressalta Daniel Leipnitz, presidente da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). O executivo acompanhou de perto as iniciativas de inovação no país durante a missão presidencial Brasil-Índia promovida neste ano pelo Governo Federal.

A organização possui mais de 100 incubadoras e programas de apoio as startups indianas. “O objetivo deles é ter de 5 a 10 incubadoras de classe mundial em cada estado da Índia nos próximos cinco anos. Essa é a grande meta”, ressalta Leipnitz.

As maiores do mundo estão lá

Com mais de 400 multinacionais e grandes empresas de tecnologia, Bangalore, no sul do país, ficou conhecida como a capital da tecnologia na Índia. Gigantes como Microsoft e Samsung estão presentes no local, que em 2017 recebeu o título de cidade mais dinâmica do mundo pelo Fórum Econômico Mundial. O local ainda abriga o Parque Tecnológico de Bagmane, o Parque Tecnológico Internacional e o Parque Empresarial Ecospace.

Além de Bangalore, outras cidades da Índia ganharam destaque nos últimos meses com a chegada de grandes nomes da tecnologia. Em agosto de 2019, a Amazon abriu seu maior escritório do mundo no país. A sede está localizada na cidade de Hyderabad e possui mais de 9,5 hectares e espaço para 15 mil funcionários. Pouco tempo depois, a companhia decidiu investir ainda mais no país, adquirindo 49% das ações da Future Coupons, empresa de pagamentos criada pela Future Retail, uma das maiores varejistas da Índia.

Os unicórnios indianos

Além das maiores companhias do mundo, a Índia também abriga um grande número de startups — cerca de 7.500, de acordo com o relatório Indian Tech Startup Ecosystem: Approaching Escape Velocity. O país possui o terceiro maior ecossistema de startups do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Segundo o estudo, apenas em 2018, as startups indianas receberam um financiamento de US$ 4,3 bilhões — o dobro em relação ao ano anterior. Além disso, o país possui mais de 200 aceleradoras e incubadoras ativas. As verticais que mais se destacaram nos últimos anos foram finanças e saúde. 

Já as startups unicórnios — avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais — também marcam presença em terras indianas. De acordo com a CB Insights, o país possui hoje 21 empresas com avaliações bilionárias. Nos Estados Unidos, líder da lista, são 220 unicórnios, enquanto a China registra 110. No Brasil, sete empresas receberam o título.

A maior e mais bem avaliada startup indiana é a Flipkart. Criada em Bangalore, ela se tornou a maior empresa de e-commerce do país, competindo com a Amazon. Em 2018, a startup vendeu uma participação majoritária do negócio para o Walmart. “A Índia é um dos mercados de varejo mais atraentes do mundo, dado seu tamanho e sua taxa de crescimento. Nosso investimento é uma oportunidade de parceria com a empresa que lidera a transformação do comércio eletrônico no mercado”, disse Doug McMillon, presidente e diretor da varejista norte-americana.

Futuro Vale do Silício?

Com a chegada de grandes empresas e startups dos mais diversos setores, é importante estar atento ao ecossistema do país no próximos anos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Bloomberg em 2019, a Índia e a China têm grandes chances de superar os Estados Unidos, onde fica o Vale do Silício, na corrida tecnológica até 2035. O estudo foi baseado em uma entrevista com mais de 2 mil profissionais de vinte países, entre eles França, Alemanha, Japão, Brasil, Estados Unidos e África do Sul.

De acordo com a Bloomberg, o que é palpável nas ruas da Índia também é evidente nos resultados da pesquisa. À medida que o país avança e aproveita as oportunidades geradas por novos mercados e tecnologias, cresce o número de talentos e capital para acelerar essa ascensão.