Tecnologia na educação: como robôs estão mudando o ensino no Recife

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

1 de fevereiro de 2019 às 15:24 - Atualizado há 2 anos

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Se antes a lousa e o giz eram instrumentos sempre presentes nas salas de aula, hoje as lousas digitais e computadores também estão integrando esse cenário. Esse é um movimento que está acontecendo de forma não-uniforme em todo o país e é frequentemente associado a escolas com maior poder aquisitivo e de iniciativa privada.

No entanto, essa não é sempre a regra. O ensino de tecnologia – como programação e robótica – já integra o currículo de algumas escolas municipais, estaduais e federais do Brasil. Em Santos, cidade litorânea de São Paulo, o projeto “Santos do Futuro” incentiva a inovação e o empreendedorismo desde cedo nos alunos da UME Avelino da Paz Vieira e UME Colégio Santista.

Já no nordeste do Brasil, estudantes de Recife estão aprendendo tecnologia com a ajuda de um robô. Com 57 centímetros de altura, o robô NAO pode ser pequeno, mas seu impacto tem sido grande na vida de mais de 40 mil estudantes na cidade.

Por ser do tipo “humanoide”, o robô NAO possui cabeça, tronco, pernas e braços. Seu formato é inspirado no humano e ele é capaz de interagir em sociedade. Mais especificamente, ele foi criado para tal. Aliado à inteligência artificial, a expectativa é que ele contribua, através de sua interação com humanos, nos desafios atuais de jovens e adultos.

Criado pela empresa francesa Aldebaran Robotics – que em 2013 foi adquirida pela gigante japonesa Softbank -, o NAO custa entorno de US$ 10 mil. No Brasil, a SOMAI, empresa de 1993 especializada em novas tecnologias à educação, é a representante oficial do robô.

Segundo Artur Mainardi Jr, diretor de operações e fundador da empresa, atualmente existe um robô NAO para cada 10 escolas municipais de Recife. Por esse motivo, os humanoides não participam da rotina dos estudantes todos os dias, mas em projetos especiais.

“O professor precisa apresentar um projeto para o CETEC – Centro de Educação, Tecnologia e Cidadania do Recife. Ele julga se isso irá validar, potencializar a educação e o crescimento dos alunos”, explicou Mainardi. Quando um projeto é aprovado, o NÃO é disponibilizado pelo tempo de execução e depois é devolvido.

Programação com robô

Quando o robô NAO chegou às escolas de Recife, em 2014, era focado nos alunos do ensino fundamental. Uma das possibilidades de trabalho pedagógico possível é no auxílio de crianças com déficit de atenção. Nesse caso, o robô humanoide jogava um jogo da memória com as crianças, o que incentivava que se concentrassem por mais tempo.

Mas, com o sucesso, o robô NAO começou a ser utilizado também por crianças do ensino fundamental dois e ensino médio. Nesse caso, eles começaram a programar com a ajuda do robô, principalmente nas linguagens de Java e Phyton.

Os alunos se concentravam em conceder desejos ou resolver problemas reais dos coordenadores pedagógicos das instituições de ensino. Dessa forma, a experiência com as crianças mais novas passava também a ser um aprendizado e uma forma de validação da solução.

“Os projetos dão a oportunidade dos alunos do Ensino Médio começarem a programar com uma linguagem que ajuda na empregabilidade e em sua colocação no mercado de trabalho”, disse o fundador da SOMAI.

Os alunos que desenvolvem soluções com a ajuda do robô NAO também contam, é claro, com a ajuda de professores. Quando os robôs humanoides foram introduzidos na rede municipal, a SOMAI realizou treinamentos com os profissionais.

“Não acreditamos na dependência de que, só porque eu vendo a tecnologia, você precisa de mim para funcionar. Fizemos um planejamento de trabalho e implantação e montamos uma equipe de multiplicadores. Continuamos a vender equipamento, mas eles estão independentes na questão pedagógica e didática do processo”, disse Artur Mainardi Jr. Até agora, a SOMAI atendeu 2.681 professores em Recife, atendeu 44.003 alunos e 309 escolas. De 2014 para cá, foram 7.326 horas ministradas em treinamento.

O robô e crianças com deficiência

No Recife, os robôs NAO estão fazendo a diferença também na vida das crianças com autismo. De cor branca e laranja e com microfones, sensores táteis, de pressão e câmeras, o robô já chama atenção por si só. E é justamente por esse motivo que ele se tornou uma grande ferramenta de socialização para autistas.

Por seu potencial, o NAO possui um software com a programação específica para auxiliar as crianças autistas. O projeto é chamado de “ASK NAO Autism Solution For Kids”. Segundo Mainardi, em alguns casos, o autista pode ter um interesse com tecnologia que é inversamente proporcional ao que possui com pessoas.

Além disso, o robô também é utilizado para ajudar no tratamento de crianças com déficit de atenção, síndrome de Down, entre outros.

O futuro

5 anos depois da implementação dos robôs, hoje os alunos de Recife estão driblando o alto custo e estão construindo os próprios. Em 2015, um protótipo de um robô humanoide foi criado por estudantes.

Agora, a expectativa é que mais robôs passem a fazer parte da rotina de crianças em todo o país e que continuem a auxiliar na educação. Um novo ajudante está vindo por aí, um novo robô da Softbank, o Pepper. No entanto, iniciativas como a dos estudantes mostram que, algum dia, poderemos ver robôs humanoides como esses nascidos e criados em terras tupiniquins.