Como o Brasil pode aprender a ser uma nação digital com Israel e Índia

Contra todas as probabilidades, os dois países deram a volta por cima e hoje tem sistemas de altíssimo nível tecnológico

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Por Isabela Borrelli

7 de agosto de 2018 às 16:19 - Atualizado há 2 anos

Em um painel no GovTech Brasil, primeira conferência internacional sobre govtech no país, foram reunidos Dan Balter, fundador da Duco, e Sahil Kini, sócio da Aspada Investments, para discutir as transformações digitais ocorridas em Israel e Índia e como isso poderia ser aplicado ao Brasil.

Na sua fala, Balter contextualizou o cenário israelense de alguns anos atrás: um território composto 60% de deserto, uma área de conflito, sem recursos naturais. Para chegar onde está atualmente, como um dos países mais inovadores do mundo, algumas medidas podem ser apontadas como grandes responsáveis. Elas são o grande número de imigrantes, que naturalmente tem uma tendência a se arriscar, o constante exercício da criatividade, uma vez que os recursos sempre foram escassos, e o trabalho militar, serviço obrigatório para todos os jovens e que os ajuda a desenvolver diversas habilidades, como tomada de decisões, gerenciamento, etc.

Já em relação à Índia, Sahil Kini contou sobre como 400 milhões de pessoas não existiam perante a lei, porque não tinham identidade e como isso está mudando radicalmente não só o registro das pessoas, mas também sua realidade financeira, seus dados, entre outros. Isso se deve ao programa Digital India, que tem o foco de tratar a informação de uma forma melhor e que já alcançou números como 500 milhões de contas bancárias, 1,2 bilhões de conexões mobile e 462 milhões de usuários na internet. Confira como esse sistema funciona:

Como o Brasil pode chegar lá?

Para Balter, é importante focar no que ele chama de primeira milha, ou seja, no primeiro impulso da mudança. “Acho que o primeiro passo para o Brasil é ser muito mais aberto, mapear as verdadeiras necessidades e o que precisa para os próximos 5, 10 anos para o país. E procurar trabalhar em cima disso”, defende.

Mesmo assim, o fundador da Duco deixa claro que para o país decolar, é preciso ter um ecossistema muito forte internamente, o que ele considera como o link que falta em muitos lugares. Esse ingrediente, para o especialista, é o que pode fazer a diferença entre as soluções tecnológicas para o governo serem ou não escaláveis.

Kini focou no aspecto tecnológico e, quando perguntado qual era a melhor solução para o país: criar um sistema único para toda a nação do zero ou fazer uma integração entre os vários sistemas que já estão funcionando, ele é categórico: “A tecnologia hoje é muito melhor do que a de alguns anos atrás. Fazer outras camadas é difícil, então é melhor começar do rascunho! Se foi possível com 1 bilhão de pessoas na Índia, acho que com 200 milhões no Brasil dá para fazer também”, defende.

Mas como começar? Para ele, não é preciso uma grande comoção da sociedade para fazer a diferença: pequenos grupos também podem fazê-la. “A percepção do Brasil em relação ao resto do mundo é que só eles têm corrupção. Mas não é assim, eu vim da Índia, eu sei do que vocês estão falando. Não precisa de muita gente para fazer a mudança: nunca subestime a força de um grupo de pessoas que está disposto a causar uma verdadeira mudança”, incentiva.