Warren Buffet sobre China: “é um milagre econômico total”

A China tem um horizonte de investimentos a longo prazo. Como país, viu milhões de pessoas entrarem na classe média e se tornarem consumidores de uma gama mais ampla de produtos e serviços

Avatar

Por Lucas Bicudo

22 de agosto de 2018 às 16:43 - Atualizado há 1 ano

No Fórum de Investidores EUA-China, Warren Buffett discutiu como a China “liberou o potencial de seus cidadãos”. Em 2017, o país respondeu por mais de 18% do PIB global, ajustado pela paridade do poder aquisitivo, segundo a Statista.

“O que eles fizeram nos últimos 50, 60 anos é um milagre econômico total. Eu nunca pensei que isso poderia ter acontecido. Mas a verdade é que eles são tão inteligentes quanto nós, trabalham tanto quanto nós, e podem ter um crescimento na economia a partir de uma base mais baixa que excederá o nosso percentual por um longo tempo. Eles estão destinados a um bom futuro econômico”, disse o célebre investidor.

Uma das principais iniciativas da China é o investimento em energia limpa e renovável. Segundo a IEA, a China respondeu por 40% do crescimento das capacidades renováveis em 2017 – o mesmo ano em que a Administração Nacional de Energia da China anunciou um plano para gastar mais de US$ 360 bilhões em energia renovável até 2020. Isso criaria mais de 13 milhões de empregos no setor, segundo a Reuters.

A China não está apenas procurando dominar seu mercado doméstico – o país está implementando uma estratégia para ganhar uma posição de energia renovável em todo o mundo.

Em 2008, a Berkshire Hathaway investiu US$ 232 milhões na BYD, uma empresa chinesa de tecnologia automotiva e de energia – e que se parece muito com a Tesla. Até 2025, 70% dos automóveis produzidos na China serão híbridos ou elétricos. A BYD vê geração de energia solar e armazenamento de energia como áreas estratégicas para seu crescimento e investimentos.

A Gigafactory da BYD chegou ao mercado três anos antes da Tesla e é 8 vezes maior. Por exemplo, a BYD agora tem uma participação de 8 a 10% no mercado de armazenamento de baterias da Austrália. Em julho, a empresa formou uma joint venture com a Generate Capital para estabelecer um programa de ônibus elétricos nos EUA, disponível para cidades, escolas e corporações. Desde que Buffett comprou as ações da BYD em 2008 por HK$ 8, seu valor disparou, subindo para HK$ 80,45 em outubro de 2017, de acordo com a CNN.

Temos que colocar histórias como a BYD no contexto do papel dominante que a China está conquistando, ao intensificar agressivamente seu investimento em infraestrutura ao redor do mundo.

A iniciativa chinesa “One Belt One Road” se propõe a ser a maior infraestrutura de rede do mundo, conectando 68 países, que representam 65% da população mundial e 40% do PIB do mundo. A fase inicial consistia em investimentos em infraestrutura, materiais de construção, ferrovias, rodovias e rede elétrica. Essas rotas comerciais criarão vínculos significativos de leste a oeste, o que poderia colocar o país em uma posição próspera e dominante nas décadas que estão por vir.

A China tem um horizonte de investimentos a longo prazo. Como país, viu milhões de pessoas entrarem na classe média e se tornarem consumidores de uma gama mais ampla de produtos e serviços. Como resultado, o PIB também aumentou.

Agora, a China está tentando se firmar no ambiente de energia renovável, que promete ser uma indústria sustentável para o crescimento econômico futuro. Está conseguindo isso, recorrendo a esse padrão de crescimento para além das suas próprias fronteiras, através do investimento em infraestruturas em mercados emergentes e fronteiriços, nomeadamente na África.

StartSe de olho na China!

A StartSe traz para o Brasil o China Day Conference, evento completamente focado em discutir pontos como esses com maior profundidade! Se você quer saber ainda mais sobre a China, não deixe de conferir nossa semana de imersão por lá, liderada por Ricardo Geromel.

(via Forbes)

Baixe já o aplicativo da StartSe
App StorePlay Store